EUA ataca Venezuela e captura Maduro: confira a cobertura completa em tempo real da BBC de momento histórico para a América Latina

Ação militar inédita do governo Trump marcou auge da escalada de tensão entre os dois países e foi duramente criticada pela comunidade internacional. Entenda como tudo se desenrolou e seus possíveis desdobramentos.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Rafael Barifouse, Flávia Marreiro, Julia Braun, Giulia Granchi, Camilla Veras Mota, Leandro Prazeres, Mariana Schreiber, Mariana Alvim e Rute Pina

  1. Fronteira do Brasil com Venezuela "está tranquila", diz ministro da Defesa

    José Múcio fala à imprensa

    Crédito, Valter Campanato/Agência Brasil

    O Ministro da Defesa, José Múcio, disse que a fronteira brasileira com a Venezuela está tranquila, após os ataques dos Estados Unidos ao país vizinho na madrugada deste sábado (3/1).

    Segundo ele, apenas o lado venezuelano está fechado, mas o país vizinho está permitindo que brasileiros saiam para o Brasil.

    “A fronteira está como sempre esteve. Tranquila, sem problemas”, disse Múcio a jornalistas após reunião no Itamaraty que contou com a participação virtual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Lula se encontra no Rio de Janeiro, onde passou a virada de ano.

    Múcio também disse que está em contato com o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP). Não há informações de vítimas brasileiras no ataque americano até o momento, segundo o governo brasileiro.

    “Há muita notícia desencontrada, de que a Colômbia fechou a fronteira, abriu a fronteira, que a Venezuela fechou a fronteira com o Brasil e depois abriu só para brasileiros. Há muito boato”, continuou Múcio.

    Já a Secretária-Geral das Relações Exteriores, Maria Laura do Rocha, que também esteve na reunião, disse que o governo brasileiro ainda não tem detalhes do paradeiro de Maduro e de seu estado de saúde, após o governo americano informar que o capturou nesta madrugada.

    Uma nova reunião de integrantes do governo para discutir a situação da Venezuela está prevista para ocorrer neste sábado, às 17h. Lula deve participar virtualmente.

    O encontro deve contar com a presença do chanceler Mauro Vieira, que está retornando de uma viagem de férias e, por isso, também acompanhou a primeira reunião virtualmente.

    Participaram da primeira conversa de avaliação também o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, e representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

  2. 'Viva a liberdade!', reage Eduardo Bolsonaro

    Eduardo Bolsonaro

    Crédito, Bloomberg via Getty Images

    O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos, exaltou os ataques americanos e disse que isso enfraqueceria o Foro de São Paulo, organização que reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina.

    "O regime venezuelano é o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo. Com a captura de Maduro vivo, agora Lula, Petro (presidente da Colômbia) e os demais do Foro de São Paulo terão dias terríveis, anotem. Viva a liberdade!", compartilhou em sua conta no Instagram.

  3. Trump apoiará Maria Corina Machado para liderar a Venezuela?

    Questionado se apoiaria a líder da oposição, Maria Corina Machado — que está atualmente na Noruega —, para assumir o poder na Venezuela, Trump disse à Fox News: "Teremos que analisar isso agora".

    "Eles [a Venezuela] têm um vice-presidente, como você sabe", disse ele. "Não sei que tipo de eleição foi aquela, mas, sabe, a eleição de Maduro foi uma vergonha."

    A captura de Maduro "envia um sinal de que não vamos mais nos deixar intimidar", acrescentou Trump.

    Ele alegou que os EUA estão perdendo centenas de milhares de pessoas por ano para as drogas, acrescentando: "Não vamos mais permitir isso".

    A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que foi forçada a viver escondida durante grande parte do último ano, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2025 em outubro
  4. Trump informa que Maduro e sua esposa estão a caminho de Nova York

    Cilia Flores e Nicolás Maduro

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Cilia Flores e Nicolás Maduro

    O presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão sendo transferidos para Nova York após serem detidos pelos Estados Unidos, informou Donald Trump à Fox News.

    O presidente americano acrescentou que ambos foram indiciados em Nova York e estão sendo transportados de helicóptero e barco. "Eles mataram muita gente, muitos americanos, até mesmo pessoas do próprio país deles", disse Trump.

  5. Segundo Trump, Maduro foi capturado em um local que 'parecia mais com uma fortaleza do que com uma casa'

    “Íamos fazer isso há quatro dias, mas o tempo não estava perfeito”, disse Donald Trump em entrevista ao canal americano Fox News.

    “O tempo precisa estar perfeito… De repente, melhorou e decidimos prosseguir”, afirmou o presidente americano.

    Trump acrescentou que, quando capturaram Maduro, ele estava “em uma casa que parecia mais uma fortaleza do que uma residência”, com “aço maciço por toda parte”.

    Reiterando que não acredita que nenhum soldado americano tenha sido morto, Trump explicou que alguns soldados “foram feridos, mas voltaram e devem estar em boas condições”.

  6. Trump diz que assistiu à captura de Maduro 'como um programa de TV'

    Trump afirmou à Fox News que assistiu à captura, durante a noite, do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa "literalmente como se estivesse assistindo a um programa de televisão".

    "Se vocês tivessem visto a velocidade, a violência, foi algo impressionante", disse Trump.

    Ele elogiou sua equipe por ter feito "um trabalho incrível" e acrescentou: "Não há nenhum outro país no mundo que pudesse realizar uma manobra como essa".

  7. Quais cenários governo Lula prevê para Venezuela após Maduro ser capturado em ataque de Trump?

    Um veículo pega fogo na base aérea de La Carlota, em Caracas, após uma série de explosões em 3 de janeiro de 2026

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Um veículo pega fogo na base aérea de La Carlota, em Caracas, após uma série de explosões em 3 de janeiro de 2026

    Por Leandro Prazeres e Giulia Granchi, da BBC News Brasil

    O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, representam o auge até agora da escalada de tensão entre Washington e Caracas e aprofundam preocupações que já vinham sendo expressas, nos bastidores, por integrantes do governo brasileiro.

    Antes mesmo do episódio mais recente, fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela BBC News Brasil alertavam para o risco de que as ameaças e ações militares dos Estados Unidos contra a Venezuela levassem a um colapso político e social no país vizinho.

    A avaliação interna é de que os impactos de uma ofensiva desse tipo não ficariam restritos ao território venezuelano, mas teriam efeitos diretos sobre o Brasil e sobre a estabilidade regional.

    Há pelo menos duas semanas, o governo brasileiro via o então governo da Venezuela liderado por Nicolás Maduro como "isolado" e não acreditava que China ou Rússia poderiam intervir efetivamente em caso de uma ação militar americana em território venezuelano.

    Interlocutores do presidente Lula disseram à BBC News Brasil não crer que os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, teriam disposição para um embate militar com os Estados Unidos para defender a Venezuela de uma intervenção militar.

  8. Trump diz que pediu a Maduro que se rendesse uma semana antes do ataque

    Donald Trump

    Crédito, Getty Images

    O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estarão "muito envolvidos" no futuro da indústria petrolífera da Venezuela.

    Ele acrescentou que conversou com Nicolás Maduro "uma semana atrás" e lhe disse: "Você tem que se render, você tem que se render".

    "Tivemos que fazer algo muito mais cirúrgico, muito mais contundente", declarou o presidente americano.

    Trump disse ainda houve "alguns feridos, mas nenhuma morte do nosso lado" durante os ataques à Venezuela.

  9. Aliados da Venezuela, Irã e Rússia condenam ataque dos EUA

    Putin e Maduro na Rússia em maio deste ano

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Putin e Maduro na Rússia em maio deste ano

    Os governos do Irã e da Rússia, que são aliados da Venezuela, condenaram o ataque militar dos EUA neste sábado (3/1).

    O Ministério das Relações Exteriores iraniano pediu ao Conselho de Segurança da ONU que "aja imediatamente para interromper a agressão ilegal" e responsabilize os culpados.

    O país também classificou a ação como "uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial".

    Já a Rússia condenou um "ato de agressão armada" dos Estados Unidos contra a Venezuela, informou o Ministério das Relações Exteriores do país.

    Em nota divulgada neste sábado, o governo russo disse estar "profundamente preocupado" e afirmou que, diante da situação, é importante evitar uma nova escalada e concentrar esforços na busca de uma saída por meio do diálogo.

  10. Quais as acusações dos EUA contra Nicolás Maduro?

    Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados por tráfico de drogas em um tribunal federal de Nova York

    A Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, confirmou que Nicolás Maduro e sua esposa foram levados a um tribunal no Distrito Sul de Nova York e indiciados.

    Segundo Bondi, estas são as acusações contra Maduro:

    • Conspiração narcoterrorista;
    • Conspiração para importar cocaína;
    • Posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos;
    • Conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos.

    "Eles em breve enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos", acrescentou Bondi, sem especificar as acusações contra a primeira-dama Cilia Flores, que também foi presa.

    "Um enorme agradecimento às nossas bravas Forças Armadas, que realizaram a incrível e bem-sucedida missão de capturar esses dois supostos traficantes internacionais de drogas", acrescentou.

  11. Vídeo mostra explosões em Caracas em ataque dos EUA à Venezuela

    Legenda do vídeo, Vídeo mostra explosões em Caracas durante ataque dos EUA

    Explosões foram ouvidas e fumaça pôde ser vista subindo sobre a capital da Venezuela, Caracas, na madrugada deste sábado (3/1) em meio ao ataque dos Estados Unidos ao país e a captura do presidente Nicolás Maduro, segundo anunciou o presidente americano, Donald Trump.

    Vídeos gravados por moradores mostravam colunas de fumaça e detonações, além de algumas aeronaves voando a baixa altitude.

    Várias áreas de Caracas ficaram sem energia elétrica, segundo relatos de moradores e de jornalistas que colaboram com a BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

    As explosões começaram a ser ouvidas pouco depois das 2h deste sábado em locais como a base aérea de La Carlota, em Caracas, e em áreas próximas.

  12. Cresce temor de que ataque de Trump desestabilize ainda mais a Venezuela

    Por Norberto Paredes

    Correspondente da BBC News Mundo em Miami

    Embora já fosse uma possibilidade há meses, o que aconteceu neste sábado chocou os venezuelanos.

    Para a oposição ao governo de Nicolás Maduro, este é um momento que muitos esperavam há anos. É uma oposição que tentou de tudo: desde o boicote às eleições de 2018, que considerou fraudulentas, até a participação em processos eleitorais apesar dos riscos, e a mobilização massiva nas ruas quando o Conselho Nacional Eleitoral — controlado por figuras próximas ao chavismo — anunciou resultados favoráveis ​​a Maduro em 2024 sem apresentar provas.

    Da Venezuela, recebo algumas mensagens de apoio aos ataques dos EUA. Alguns apoiadores da oposição viram os ataques como um último recurso, uma esperança final de pôr fim a um governo que grande parte da comunidade internacional descreve como ditatorial e cujo líder foi acusado por Washington e outros governos latino-americanos de chefiar uma rede de narcotráfico.

    Enquanto isso, entre os apoiadores de Maduro, crescem as dúvidas — sussurradas e ecoadas nas redes sociais: Onde está o presidente? E quem está no poder?

    Muitos compartilham o temor de que o ataque e o anúncio da saída de Maduro possam desencadear uma desestabilização ainda maior em um país já assolado por anos de crises políticas, econômicas e sociais.

  13. Apreensão nas ruas de Caracas

    Farmácia com filas

    Crédito, Nicole Kolster

    Legenda da foto, Farmácia com fila em Caracas

    Por Nicole Kolster

    Correspondente da BBC News Mundo em Caracas

    Em Caracas, há apreensão nas ruas. As pessoas mal falam, mas há filas em farmácias e supermercados. Grupos de WhatsApp estão repletos de mensagens e vídeos, enquanto as pessoas nas ruas da zona leste de Caracas permanecem em silêncio.

    “Você sabe o que aconteceu?”, me pergunta uma mulher em voz baixa do lado de fora de uma praça. Ela saiu para comprar um remédio, mas encontrou a farmácia 24 horas fechada. “Por favor, não me filme”, pede ela.

    Um cheiro forte, que me lembra gás lacrimogêneo – familiar durante os famosos protestos de 2017 – invade minha janela. Estou em um prédio alto, na zona leste da capital, Caracas. Minha mãe também percebe.

    Mais cedo, nas varandas dos prédios próximos, houve uma explosão de euforia minutos depois de uma mensagem do presidente Donald Trump começar a circular nas redes sociais anunciando a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

    Mas os gritos duraram apenas alguns segundos. Um supermercado que também funciona 24 horas manteve suas portas fechadas durante a maior parte da manhã, com uma fila de pessoas esperando que abrisse.

    Militares nas ruas em Caracas

    Crédito, Getty Images

  14. As reações dos líderes da América Latina

    • O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, instou os cidadãos a manterem a calma e a confiarem na liderança e nas Forças Armadas do país. Segundo a agência de notícias Reuters, ele afirmou: "O mundo precisa se manifestar sobre este ataque".
    • O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o ataque é "inaceitável", constitui uma violação da soberania venezuelana e que a ação americana abre um precedente perigoso para a região.
    • O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse que tropas estão sendo enviadas para a fronteira com a Venezuela e pediu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU) se reúnam imediatamente.
    • O presidente do Chile, Gabriel Boric, disse estar preocupado e afirmou que seu país condena as ações militares dos Estados Unidos.
    • O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que seu país denuncia e exige urgentemente a reação da comunidade internacional contra o ataque dos EUA à Venezuela, que disse ser criminoso.
    • O presidente da Guiana, Irfaan Ali, diz que seu país, que mantém uma longa disputa territorial com a Venezuela pela região de Essequibo, está monitorando a situação e que as forças de segurança estão totalmente mobilizadas, de acordo com nossos planos de segurança.
    • A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, declarou: "Trinidad e Tobago continua a manter relações pacíficas com o povo da Venezuela".
  15. Como está Caracas após a incursão militar dos EUA neste sábado?

    Muitos moradores de Caracas acordaram esta manhã com o som de ataques militares dos EUA contra diversas instalações militares.

    A operação culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

    Confira, a seguir, algumas imagens de como a capital venezuelana está nesta manhã.

    Cenas de Caracas após ataque dos EUA

    Crédito, Reuters

    Avenida de Caracas

    Crédito, Getty Images

    Mulher ergue bandeira da Venezuela em Caracas

    Crédito, Reuters

    Mural com imagem de Maduro em Caracas

    Crédito, Reuters

    Homens com cartazes

    Crédito, Reuters

    Mulher com bandeira

    Crédito, Reuters

    Veículo militar na rua

    Crédito, Reuters

  16. Os alvos de ataques dos EUA na Venezuela confirmados até agora

    Mapa

    Desde o início desta manhã, o BBC Verify, serviço de checagem de informações da BBC, tem analisado diversos vídeos que mostram explosões, incêndios e fumaça em vários locais ao redor de Caracas para identificar quais locais foram alvo.

    Até o momento, foram confirmados quatro locais:

    Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, também conhecida como La Carlota - imagens filmadas à distância mostram duas colunas de fumaça e uma explosão perto desta base aérea militar em Caracas.

    Porto La Guaira - principal via de acesso de Caracas ao Mar do Caribe, localizado no Estado de Miranda. Imagens filmadas nas proximidades mostram várias colunas de fumaça subindo ao ar e pelo menos um incêndio.

    Aeroporto Higuerote - também localizado em Miranda, a leste de Caracas. Imagens filmadas de dois ângulos mostram fogo e clarões repetidos no solo, uma possível indicação de explosões secundárias.

    Forte Tiuna - a agência de notícias Getty divulgou imagens de um incêndio na direção do local e danos a veículos nesta importante instalação militar em Caracas. Os satélites da Nasa, a agência espacial americana, também detectaram assinaturas de calor na área por volta da mesma hora em que os ataques dos EUA ocorreram.

  17. Lula sobre ataque dos EUA: 'afronta gravíssima à soberania' e 'precedente perigoso'

    Horas após o inédito ataque dos Estados Unidos à Venezuela e captura do presidente Nicolás Maduro neste sábado (3/1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou criticando a ação americana.

    "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", escreveu Lula nas redes sociais.

    Caracas foi bombardeara por volta de 2 horas da madrugada, no horário local (3h no horário de Brasília).

    Post no X

    Crédito, Reprodução/X

  18. Demora de manifestação de Lula horas após ataque revela América Latina sem poder de reação nem mesmo diplomática, diz especialista

    Maduro e Lula

    Crédito, Reuters

    Por Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília

    Cerca de sete horas após o inédito ataque dos Estados Unidos à Venezuela e captura do presidente Nicolás Maduro neste sábado (3/1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou criticando a ação americana.

    "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", postou na rede social X, às 9h59 deste sábado.

    A demora na manifestação de Lula ocorre num momento de estremecimento de sua relação com o antigo aliado venezuelano e de aproximação com o governo de Donald Trump.

    À BBC News Brasil, o Itamaraty disse que ainda está apurando os acontecimentos na Venezuela para se manifestar. Nos últimos meses, durante a escalada da tensão entre os EUA e o país vizinho, fontes do Palácio do Planalto garantiam que a gestão Lula não deixaria de condenar um ataque ao território venezuelano.

    "Esse não posicionamento ou posicionamento tardio mostra a dificuldade do governo brasileiro em retomar a envergadura do Brasil dos anos anteriores, especialmente nos governos I e II de Lula", disse à reportagem Marsílea Gombata, professora de relações internacionais da FAAP e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI) da USP.

    "Infelizmente, uma das primeiras manifestações na região veio do presidente argentino, Javier Milei, que comemorou o ataque exaltando a 'liberdade'", continuou.

    Na sua avaliação, faz falta nesse momento instituições fortes de articulação regional, como foi no passado a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

    "Lembremos que alguns momentos de tensão importantes tiveram a Unasul como um instrumento de mediação fundamental, como a crise da (Assembleia) Constituinte de 2008 na Bolívia", disse ainda.

  19. Presidente da Colômbia mobiliza forças militares do país

    Gustavo Petro, presidente da Colômbia

    Crédito, EPA

    Após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, o presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou o envio de tropas para a fronteira com a Venezuela.

    Em Bogotá, preparativos estão em andamento para um possível fluxo maciço de refugiados venezuelanos após os ataques dos EUA em Caracas e outras áreas do país.

    A região aguarda com expectativa novas notícias sobre a suposta captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, conforme anunciado pelo presidente americano, Donald Trump.

    Petro tem reiteradamente apelado à paz e ao diálogo desde as primeiras explosões em Caracas. Colômbia e Venezuela compartilham mais de 2 mil km de fronteira terrestre e, ao longo da história, crises econômicas e de segurança em ambas as nações levaram milhões de pessoas a buscar refúgio em um dos lados.

    Este é um momento sem precedentes para a Venezuela, que terá consequências diretas em mais países, e a Colômbia está na linha de frente.

  20. O que sabemos e o que não sabemos sobre o que está acontecendo na Venezuela

    O que já sabemos:

    • Donald Trump afirma que os EUA lançaram um "ataque em grande escala" contra a Venezuela;
    • O presidente acrescentou que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa foram capturados e "expulsos do país";
    • A Força Delta do Exército dos EUA realizou a operação para capturar Maduro, disseram autoridades à CBS News, parceira da BBC nos EUA;
    • A Venezuela declarou estado de emergência nacional e afirmou que rejeita e denuncia a "agressão militar";
    • O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, não prevê nenhuma outra medida contra a Venezuela, disse o senador republicano Mike Lee;
    • Este é o maior destacamento militar dos EUA nas Américas desde a Guerra Fria e ocorre após semanas de escalada das tensões.

    O que ainda não sabemos:

    • O paradeiro do presidente Maduro e de sua esposa é desconhecido;
    • Também não sabemos se houve mortos ou feridos em decorrência dos ataques;
    • A extensão dos danos e a escala dos ataques na Venezuela permanecem incertas;
    • O presidente dos EUA deverá fornecer mais detalhes às 11h (horário local, 13h em Brasília).