EUA ataca Venezuela e captura Maduro: confira a cobertura completa em tempo real da BBC de momento histórico para a América Latina

Ação militar inédita do governo Trump marcou auge da escalada de tensão entre os dois países e foi duramente criticada pela comunidade internacional. Entenda como tudo se desenrolou e seus possíveis desdobramentos.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Rafael Barifouse, Flávia Marreiro, Julia Braun, Giulia Granchi, Camilla Veras Mota, Leandro Prazeres, Mariana Schreiber, Mariana Alvim e Rute Pina

  1. Decisão de Trump de derrubar Maduro está repleta de riscos: quais são eles e o que ainda não se sabe

    Homem passando em frente a um mural de Maduro

    Crédito, Getty Images

    Os Estados Unidos vão promover novas eleições ou tentar derrubar mais membros do governo?. É o questiona a correspondente da BBC Ione Wells.

  2. Conselho de Segurança da ONU fará reunião de emergência

    O Conselho de Segurança das Nações Unidas informou que realizará uma reunião de emergência na segunda-feira (5/1) para tratar da operação dos EUA na Venezuela.

    Os participantes ainda não foram confirmados, mas podem incluir o secretário-geral da ONU, António Guterres.

    A reunião foi solicitada pela Colômbia, com o apoio da Rússia e da China, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança.

  3. Prefeito de Nova York condena operação na Venezuela antes da chegada de Maduro

    Mamdani diante de um microfone

    Crédito, Getty Images

    O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, fez um post nas redes sociais afirmando que foi informado sobre a captura de Maduro e de sua esposa, “assim como sobre a prisão planejada de ambos sob custódia federal aqui na cidade de Nova York”.

    Segundo informações, Maduro e a mulher estariam sendo levados ao Metropolitan Detention Center, uma unidade federal localizada no Brooklyn, em Nova York.

    Mamdani foi crítico à operação. “Atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação do direito federal e internacional”, escreveu.

    “Essa busca flagrante por mudança de regime não afeta apenas quem está no exterior; ela impacta diretamente os nova-iorquinos, incluindo dezenas de milhares de venezuelanos que chamam esta cidade de lar”, acrescentou.

  4. Os acontecimentos mais importantes das últimas horas na Venezuela

    Caso você tenha perdido algo, aqui um resumo do que houve de mais relevante nas últimas horas:

    • Donald Trump anunciou que os Estados Unidos lançaram ataques contra a Venezuela e capturaram seu presidente, Nicolás Maduro, com a esposa, Cilia Flores.
    • A Venezuela decretou estado de emergência nacional, denunciando uma “agressão militar extremamente grave”, enquanto governos como os da Rússia, Irã, Colômbia, Brasil e Cuba, entre outros, condenaram a operação.
    • Trump afirmou que nenhum militar norte-americano morreu na operação e que os Estados Unidos estão “prontos” para lançar um segundo ataque, “muito maior”, contra o país, embora diga acreditar que isso não será necessário.
    • Trump assegurou que os Estados Unidos irão “governar” a Venezuela até que possam garantir “uma transição segura, adequada e sensata”. Também disse que companhias petrolíferas norte-americanas irão ao país para restaurar a infraestrutura e reativar o setor.
    • Trump compartilhou uma foto em que Maduro aparece a bordo do navio USS Iwo Jima, no qual teria embarcado rumo aos EUA para ser julgado em Nova York sob acusações relacionadas ao narcotráfico.
    • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que Nicolás Maduro é o único presidente do país. A declaração ocorre após Trump ter sugerido que ela teria concordado em colaborar com os EUA
  5. Delcy Rodríguez: 'Estamos prontos para defender a Venezuela'

    Delcy Rodríguez

    Crédito, Telesur

    A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, concedeu uma entrevista coletiva para condenar as ações dos EUA e indicar que o regime bolivariano permanecerá.

    “O que estão fazendo com a Venezuela é uma barbárie”, afirmou.

    Rodríguez assegurou que “há um único presidente neste país, que se chama Nicolás Maduro Moros”.

    “Estamos prontos para defender a Venezuela”, declarou, acrescentando que também irá proteger os recursos energéticos do país.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu há pouco mais de uma hora que Delcy Rodríguez teria concordado em colaborar com os EUA durante uma reunião recente com o secretário de Estado, Marco Rubio.

    Trump também afirmou que empresas americanas assumiriam o controle do petróleo venezuelano.

  6. Ação dos EUA é "aviso para poderosos da América do Sul", diz Michelle Bolsonaro

    A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou solidariedade ao povo venezuelano e comemorou o ataque americano, por meio de uma nota divulgada em suas redes sociais.

    “A operação executada por forças de segurança americanas contra a ditadura narcoterrorista que imperava na Venezuela representa o ‘início do fim’ do regime autoritário e criminoso que, por décadas, vem impondo sofrimento e morte a milhares de cidadãos venezuelanos e atingiu de forma brutal, principalmente, mulheres e crianças”, escreveu.

    Segundo Michelle, a operação americana seria “um aviso para todos os poderosos de outros países da América do Sul que, fazendo parte do mesmo grupo e alinhados ao narcoditador venezuelano, tentam copiar em seus países o modus operandi de Maduro”.

    A ex-primeira-dama cita, então, o que, na sua visão, seriam exemplos de atuação similar à de Maduro na região, sem apontar exatamente em quais países.

    Entre essas ações estaria a “perseguição à oposição” e “o favorecimento, defesa e proteção aos traficantes”.

    Michele Bolsonaro em manifestação

    Crédito, Reuters

  7. 'Uma reviravolta dramática para um homem que antes criticava mudanças de regime promovidas pelos EUA', Anthony Zurcher, correspondente de América do Norte da BBC News

    Durante a coletiva de imprensa, um repórter perguntou a Donald Trump sobre o que poderia ser descrito, com certa generosidade, como o histórico irregular dos Estados Unidos ao promover mudanças de regime em países estrangeiros — e ao lidar com suas consequências.

    Trump deu uma resposta simples. Seu governo, afirmou, tem um “histórico perfeito de vitórias”.

    No entanto, a situação pode não ser tão simples assim.

    A economia venezuelana está em colapso. Sua infraestrutura industrial é ultrapassada e deteriorada. A estabilidade política foi minada por décadas de um governo cada vez mais autoritário.

    Trump prometeu que os EUA farão o que for necessário para “tornar a Venezuela grande novamente”. Disse que pretende “reconstruir toda a infraestrutura do país”. Mas isso exigirá um esforço significativo de tempo e recursos dos Estados Unidos, incluindo, segundo o próprio Trump, a possibilidade de militares americanos em solo venezuelano.

    Trata-se de uma reviravolta dramática para um homem que, no passado, criticou iniciativas de mudança de regime e de reconstrução nacional conduzidas pelos EUA em outras partes do mundo.

    Há pouco mais de duas décadas, líderes americanos fizeram garantias semelhantes sobre a facilidade — e os potenciais benefícios — de uma mudança de regime promovida pelos EUA no Iraque. Embora cada guerra e cada país sejam diferentes, com menos de um ano de seu segundo mandato, Trump assume agora uma tarefa monumental — e aposta sua presidência em seu sucesso.

  8. 'Recados' para Cuba e Colômbia

    Montagem com fotos de Donald Trump e Gustavo Petro

    Crédito, ANDREW CABALLERO-REYNOLDS and Raul ARBOLEDA / AFP via Getty Images

    Donald Trump e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também usaram a coletiva de imprensa sobre o ataque à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro para falar sobre a atual situação de Cuba e Colômbia.

    Trump enviou um aviso ao presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem acusou de envolvimento com tráfico de drogas e envio de cocaína para os Estados Unidos, sem mencionar mais detalhes ou provas.

    "É melhor ele ficar esperto", declarou.

    Respondendo à pergunta de um repórter que disse ser cubano, Trump afirmou ainda: "Cuba será um assunto sobre o qual acabaremos conversando".

    "Queremos ajudar o povo de Cuba, queremos também ajudar as pessoas que foram forçadas a sair de Cuba."

    Marco Rubio então interveio, dizendo: "Quando o presidente fala, devemos levá-lo a sério", acrescentando que muitos dos guardas que ajudaram a proteger Maduro eram cubanos.

    "Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, no mínimo estaria preocupado", acrescentou Rubio.

  9. Trump diz que seria 'muito difícil' para María Corina Machado ser líder da Venezuela

    Durante a coletiva, Trump foi questionado se teve contato com a líder da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, Maria Corina Machado. Ele respondeu que não falou com ela.

    Seria "muito difícil" para Machado liderar a Venezuela, disse. Embora ela seja uma "mulher muito simpática", continuou Trump, "ela não tem o apoio nem o respeito necessários dentro do país".

  10. Maduro e sua esposa 'desistiram' antes de serem presos

    Também durante a coletiva na Flórida, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto americano, compartilhou detalhes do planejamento da operação que capturou Nicolás Maduro, apelidada de "Operação Resolução Absoluta".

    O militar afirmou que as forças armadas dos EUA mantiveram "totalmente o elemento surpresa", desmantelando e desativando os sistemas de defesa aérea venezuelanos.

    Segundo ele, ao chegarem ao complexo onde Maduro estava, os helicópteros americanos "foram alvejados" e responderam com "força esmagadora". Um helicóptero foi atingido, mas todas as aeronaves americanas conseguiram retornar à base, afirma ele.

    Maduro e sua esposa então "desistiram" e foram detidos pelo Departamento de Justiça e embarcados no porta-aviões USS Iwo Jima.

    O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto americano, ao lado de Trump e outros oficiais americanos durante coletiva

    Crédito, Reuters

    O militar descreveu a ação como "discreta" e "precisa", e afirma que exigiu "todos os componentes" das forças conjuntas, incluindo soldados, marinheiros, aviadores, fuzileiros navais e outros, "trabalhando em uníssono" com agências de inteligência e forças policiais.

    Ele acrescenta que a operação aproveitou capacidades de inteligência "incomparáveis" e "anos de experiência na caça a terroristas".

    Segundo Caine, a "extração" de Maduro foi tão precisa que exigiu mais de 150 aeronaves, todas convergindo no lugar e na hora certos. Sobre o trabalho preparatório, ele se refere a "meses" de trabalho de inteligência, descobrindo detalhes sobre Maduro, incluindo onde ele morava e o que comia.

  11. Maduro teve 'múltiplas oportunidades' para evitar isso, diz Rubio

    Rubio em coletiva

    Crédito, Getty Images

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também tomou a palavra durante a coletiva de imprensa realizada na Flórida.

    Rubio repetiu Trump ao dizer que Maduro não é o presidente legítimo da Venezuela. "Não somos só nós que dizemos isso", disse, afirmando que o primeiro governo Trump e o governo Biden, assim como a União Europeia e diversos países ao redor do mundo, não reconhecem seu governo.

    O secretário descreveu o presidente venezuelano como um "fugitivo da justiça americana" e citou a recompensa de US$ 50 milhões prometida pelos EUA para quem desse informações sobre seu paradeiro.

    "Acho que economizamos US$ 50 milhões", disse Rubio, antes de Trump intervir com: "Devemos garantir... que ninguém reivindique a recompensa."

    Rubio afirmou ainda que Maduro teve "diversas oportunidades" para evitar o que aconteceu na última madrugada, mas escolheu, em vez disso, "agir como um louco" e "brincar".

    Maduro achou que nada aconteceria, mas Trump "não é um jogador". Quando Trump diz que vai resolver um problema, ele resolve, disse.

  12. Trump não descarta presença de tropas americanas na Venezuela

    Durante a coletiva de imprensa na Flórida, Donald Trump não descartou a possibilidade de tropas americanas na Venezuela no futuro.

    "Não temos medo de tropas em solo venezuelano", disse, acrescentando que as forças armadas americanas "tiveram tropas em solo venezuelano ontem à noite, em um nível muito alto".

    "Vamos garantir que esse país seja administrado corretamente", afirmou.

    Trump disse ainda que Marco Rubio, secretário de Estado, está em contato com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que concordou em fazer o que os EUA "precisam" para a transição.

    "Ela foi bastante graciosa, eu acho", disse Trump sobre Rodríguez.

    O republicano também sugeriu que uma equipe comandada pelos membros do seu governo, entre eles Rubio e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, deve trabalhar junta para administrar a Venezuela até que uma transição seja concluída.

    "Estamos designando pessoas agora" e "vamos informar quem são essas pessoas", disse, ao ser pressionado por jornalistas sobre como funcionará o governo na Venezuela.

  13. O povo venezuelano está livre novamente, diz Trump

    Trump afirma que todas as figuras políticas e militares da Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com elas.

    "O povo venezuelano está livre novamente", acrescentou.

    Ele afirmou ainda que os Estados Unidos são uma nação "mais segura" e "mais orgulhosa" hoje.

    Em seguida, Trump passou a palavra ao Secretário de Defesa, Pete Hegseth, que começou descrevendo a operação desta manhã como "uma grande operação conjunta das forças militares e policiais, executada com perfeição".

    Maduro "teve sua chance, assim como o Irã teve a sua", disse Hegseth.

  14. Venezuelanos ficarão 'ricos, independentes e seguros', diz Trump

    A "parceria" dos EUA com a Venezuela tornará o povo venezuelano "rico, independente e seguro", disse Trump. Os venezuelanos que vivem nos EUA ficarão "extremamente felizes", acrescentou.

    "Eles não vão mais sofrer", disse ele na coletiva de imprensa.

    Trump chamou Maduro de "ditador ilegítimo" responsável pela entrada de "quantidades colossais de drogas ilícitas mortais" nos EUA e o acusou de chefiar o Cartel de los Soles.

    Maduro nega veementemente ser líder de um cartel.

  15. EUA prontos para lançar um segundo ataque 'muito maior' contra a Venezuela, se necessário, diz Trump

    Durante pronunciamento, Trump afirmou que a economia petrolífera na Venezuela está um "fracasso" — explicando que grandes empresas americanas entrarão no país, investirão bilhões, consertarão a infraestrutura petrolífera e "começarão a gerar lucro para o país".

    Ele acrescentou ainda que os EUA estão "prontos" para realizar um segundo ataque "muito maior" ao país, se necessário.

    Trump afirmou que inicialmente os EUA estavam preparados para uma "segunda onda", que presumiram ser necessária — mas, dado o sucesso do ataque durante a noite deste sábado (3/1), provavelmente não acontecerá mais.

  16. Vamos governar a Venezuela até a transição, diz Trump

    Trump durante coletiva

    Crédito, Getty Images

    Em uma coletiva de imprensa na Flórida, o presidente Donald Trump afirmou que seu governo deve governar a Venezuela até que uma transição seja concluída, após a captura de Nicolás Maduro e os ataques em "grande escala" contra o país.

    Segundo Trump, os EUA ficarão no controle "até que possamos realizar uma transição segura, adequada e criteriosa".

    "Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa, e ela precisa ser criteriosa. Porque é isso que nos define."

    O presidente americano não estabeleceu um prazo limite para a ocupação americana. Segundo ele, caberia aos Estados Unidos decidir quando o país retornaria ao controle venezuelano.

  17. Trump compartilha imagem de Maduro vendado

    Trump acaba de compartilhar uma nova imagem em sua rede social, Truth Social, que, segundo ele, mostra "Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima" — o mesmo navio que, segundo ele, está transportando o líder venezuelano para os EUA.

    A imagem mostra o que parece ser Maduro, usando máscara e fones de ouvido, além de um agasalho cinza.

    A imagem mostra o que parece ser Maduro, usando máscara e fones de ouvido, além de um agasalho cinza.

    Crédito, Truth Social

  18. Fonte da CIA ajudou EUA a rastrear a localização de Maduro

    Uma fonte da CIA dentro do governo venezuelano ajudou os EUA a rastrear a localização de Nicolás Maduro antes de sua captura pela Força Delta do Exército dos EUA, segundo apurou a CBS News, conforme noticiado inicialmente pelo jornal The New York Times.

    A fonte fazia parte de uma extensa rede de inteligência que contribuiu para a operação, resultado de meses de planejamento meticuloso e parceria entre a CIA e o Departamento de Defesa americano.

    O diretor da CIA, John Ratcliffe, já havia declarado que a agência priorizaria o recrutamento de fontes humanas. Não foi possível determinar imediatamente quando a fonte foi recrutada.

    O governo dos EUA ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

  19. Equipamentos militares venezuelanos destruídos na base aérea de La Carlota

    A incursão dos EUA na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro pelas forças militares, incluiu explosões em Caracas e outras partes do país na madrugada deste sábado, acompanhadas de colunas de fumaça e cortes de energia.

    Entre os alvos atacados estavam o porto de La Guaira, o aeroporto de Higuerote e a Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, mais conhecida como Base Aérea de La Carlota.

    Estas são as primeiras fotos que mostram os danos causados ​​pelo ataque a esta base localizada em Caracas.

    Equipamentos militares venezuelanos destruídos na base aérea de La Carlota

    Crédito, Reuters

    Equipamentos militares venezuelanos destruídos na base aérea de La Carlota

    Crédito, Reuters

    Equipamentos militares venezuelanos destruídos na base aérea de La Carlota

    Crédito, Reuters

    Equipamentos militares venezuelanos destruídos na base aérea de La Carlota

    Crédito, Reuters

  20. María Corina Machado apoia candidato que concorreu contra Maduro para presidente

    María Corina Machado em foto com Edmundo González Urrutia

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, María Corina Machado em foto com Edmundo González Urrutia

    Por Mariana Schreiber, da BBC News em Brasília

    Em uma carta publicada em suas redes sociais, a líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, afirmou que Edmundo González Urrutia "deve assumir imediatamente" como legítimo presidente da Venezuela.

    Diplomata aposentado, Urrutia concorreu à Presidência contra Nicolás Maduro nas eleições de julho de 2024. Maduro se declarou vencedor do pleito, mas o resultado não foi aceito pela oposição ou por boa parte da comunidade internacional.

    Segundo a oposição, Edmundo González Urrutia teria saído vencedor com 70% de vantagem sobre Nicolás Maduro.

    María Corina Machado, que foi impedida de concorrer em 2024, disse na carta divulgada neste sábado (3/1) que a oposição está preparada "para fazer valer nosso mandato e tomar o poder."

    "Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a transição democrática se concretize", disse. "Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo."

    "Esta é a hora dos cidadãos. Aqueles que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Aqueles que elegeram Edmundo González Urrutia como legítimo presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe da Força Armada Nacional por todos os oficiais e soldados que a compõem."