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Israel lança nova onda de ataques contra Teerã: como a guerra se desenrolou até o 5º dia

Senado americano rejeitou medida que limitaria poderes de guerra de Trump. No Oceano índico, um navio iraniano foi atingido por torpedo americano; pelo menos 80 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Editada por Marina Rossi, Rute Pina, Iara Diniz, Julia Braun, Pedro Martins e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo

  1. Operações contra o Irã durarão "o tempo que for necessário" para acabar com a ameaça, diz embaixador de Israel na ONU

    O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, falou sobre a operação contra o Irã na sede da organização em Nova York.

    Ele afirmou que Israel não interromperá a operação contra Teerã até que seus objetivos sejam alcançados, que ele listou como: "Ausência de armas nucleares, ausência de ameaça de mísseis balísticos, destruição da marinha iraniana e desmantelamento da rede de grupos paramilitares do regime".

    Danon disse que a operação conjunta durará "o tempo que for necessário" e que Israel fará "tudo o que for preciso para proteger nosso povo e nossas fronteiras".

  2. Irã confirma a morte de sete comandantes das forças armadas

    A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, publicou, pela primeira vez, uma lista confirmando a morte de sete comandantes das forças armadas.

    A lista é a seguinte:

    • Brigadeiro-General Mohammad Shirazi, chefe do Gabinete militar do líder supremo do Irã
    • Brigadeiro-General Saleh Asadi, subchefe de Inteligência do Estado-Maior das Forças Armadas
    • Major-General (Força Aérea) piloto Mohsen Darehbaghi, subchefe de Logística e Apoio das Forças Armadas
    • Brigadeiro-General Akbar Ebrahimzadeh, subchefe do Gabinete militar do líder supremo do Irã
    • Brigadeiro-General Gholamreza Rezaeian, chefe da Organização de Inteligência de Faraja (Comando de Aplicação da Lei)
    • Brigadeiro-General Bahram Hosseini Motlagh, chefe do Departamento de Planejamento e Operações subchefe de Operações do Estado-Maior das Forças Armadas
    • Brigadeiro-General Hassan-Ali Tajik, chefe do Departamento de Logística do Estado-Maior das Forças Armadas
  3. Número de mortos no Líbano sobe para 52, segundo autoridades

    Ao longo do dia, na capital libanesa, ocorreram inúmeros ataques aéreos israelenses contra o que se acredita serem posições do Hezbollah.

    Na última hora, Wyre Davies conta, do Líbano, que foram ouvidos relatos de vários outros ataques, um dos quais pode ter sido direcionado a uma figura importante do movimento Jihad Islâmica, um aliado do Hezbollah.

    Após o Hezbollah disparar foguetes contra o norte de Israel, Israel respondeu com uma operação militar significativamente mais ampla. Atacou alvos do Hezbollah no sul do Líbano e em Beirute, particularmente nos subúrbios do sul, há muito considerados um reduto do Hezbollah.

    De acordo com a Unidade de Gestão de Desastres do Líbano, após o ataque israelense, 52 pessoas morreram e 154 ficaram feridas. Anteriormente, as autoridades afirmavam que 31 pessoas haviam sido mortas e 149 estavam feridas.

    Autoridades israelenses argumentam que a resposta foi necessária depois que o Hezbollah expandiu o conflito disparando foguetes contra o norte de Israel.

  4. Segundo Trump, guerra com Irã pode durar mais de um mês

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse agora, durante um breve discurso, que os EUA continuam a realizar "operações de combate em larga escala" no Irã, para eliminar as ameaças representadas pelo regime iraniano.

    Ele diz que o Irã ignorou os avisos dos EUA e "se recusou a cessar sua busca por armas nucleares".

    Trump afirma que os EUA já estão "substancialmente à frente" das projeções de tempo. Ele diz que a previsão inicial era de quatro a cinco semanas, mas acrescenta que eles têm "capacidade de ir muito mais longe".

  5. Petróleo dispara, dólar sobe e bolsa recua

    No primeiro dia útil após os ataques dos EUA e Israel ao Irã, o mercado começou a registrar seus impactos. Nesta segunda, às 13h, o dólar beirava R$ 5,20, alta de cerca de 1%, interrompendo a trajetória de queda das últimas semanas.

    Da mesma forma, o preço do petróleo disparou, registrando alta de mais de 7,5% no petróleo tipo Brent, referência global da matéria-prima. Por volta das 13h, era negociado em Londres perto de US$ 79 o barril.

    Já o WIT, negociado em Nova York, era cotado a pouco mais de US$ 71 o barril, alta cerca de 6%.

    No Brasil, às 13h, as ações da Petrobras na B3 (bolsa de valores de São Paulo) eram negociadas a R$ 40,92, alta de cerca de 4%.

    O Ibovespa, principal índice de bolsa brasileira, registrava, às 13h44, queda de 0,30%.

  6. Catar diz ter abatido duas aeronaves iranianas

    O Ministério da Defesa do Catar afirmou abatido dois aviões SU-24 vindos do Irã nesta segunda-feira (2/3).

    Ainda segundo o governo local, foram interceptados sete mísseis balísticos e cinco drones "que tinham como alvo diversas áreas do país hoje". Todos os mísseis foram abatidos antes de atingirem seus alvos, disse a pasta.

    O Catar é um dos países do Golfo Pérsico que se tornou alvo do Irã após os ataques dos EUA e Israel no último sábado (28/2).

    Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Arábia Saudita também foram atacados. Segundo o Irã, esses países se tornaram alvo porque possuem bases ou presença militar americana.

  7. Não nos juntaremos aos EUA e a Israel em ataques ofensivos contra o Irã, diz primeiro-ministro do Reino Unido

    O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o Reino Unido não esteve envolvido e não se envolverá nos ataques iniciais ao Irã.

    Em entrevista ao Telegraph, Donald Trump afirmou que Starmer havia "demorado muito" para aceitar um pedido dos EUA para usar bases militares britânicas em ataques "defensivos" contra instalações de mísseis iranianas.

    Trump também disse que a demora em aceitar o pedido dos EUA "provavelmente nunca aconteceu antes entre nossos países". Falando sobre Starmer, ele acrescentou: "Parece que ele estava preocupado com a legalidade".

    Starmer afirmou que aceitou o pedido "para impedir que o Irã lance mísseis pela região" e mate civis. Ele ressalta, porém, que o Reino Unido não está se juntando aos ataques ofensivos dos EUA e de Israel.

    Starmer reconheceu que Trump, "expressou sua discordância" com a decisão do Reino Unido de não se envolver inicialmente. "Mas é meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha".

    Segundo o primeiro-ministro, o Irã atacou toda a região e lançou "centenas de mísseis e milhares de drones contra países que não os atacaram".

  8. Vídeo mostra fumaça em refinaria estatal de petróleo da Arábia Saudita

    Um novo vídeo, verificado pela agência de notícias Reuters, mostra trabalhadores evacuando a refinaria estatal de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita.

    Nas imagens – que foram silenciadas – é possível ver densas colunas de fumaça saindo de várias partes do complexo.

    Mais cedo, o Ministério da Energia do país divulgou um comunicado – compartilhado pela Agência de Imprensa Saudita – afirmando que um "incêndio de pequenas proporções" na refinaria já estava sob controle.

    O comunicado também informou que a refinaria sofreu "danos leves" devido à queda de destroços após a interceptação de "dois drones nas proximidades da refinaria".

  9. EUA alerta para cidadãos americanos deixarem o Líbano

    Os EUA fizeram um alerta para que seus cidadãos no Líbano deixem o país imediatamente.

    "Instamos os cidadãos americanos a não viajarem para o Líbano. Se você estiver no país, saia do Líbano AGORA enquanto ainda houver voos comerciais disponíveis", escreveu a Embaixada dos EUA em Beirute em um comunicado.

    "A situação de segurança no Líbano é instável e imprevisível. Ataques aéreos ocorreram em todo o país, especialmente no sul, no Vale do Beqaa e em partes de Beirute."

  10. Esposa do falecido líder supremo foi morta, diz TV estatal iraniana

    O Canal Dois da TV estatal iraniana confirmou que Mansoureh Khojaste Bagherzadeh, esposa do Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, também foi morta “em casa”.

    Veículos de comunicação iranianos haviam relatado anteriormente que Bagherzadeh estava em coma. A mídia iraniana também informou que a filha, o neto e o genro de Khamenei também foram assassinados.

    Khamenei e sua esposa tinham seis filhos — quatro homens e duas mulheres.

  11. Grande explosão na capital do Líbano

    Uma enorme explosão acaba de ser ouvida em Beirute. A explosão, que ocorreu em Dahieh, um reduto do Hezbollah, foi tão forte que pareceu ter acontecido no centro da capital libanesa.

    Avisos foram ouvidos pelos alto-falantes da Embaixada dos EUA no subúrbio de Awkar, instruindo os funcionários a se protegerem e se afastarem das janelas.

  12. Catar suspende produção de gás após ataques

    A QatarEnergy, empresa estatal de energia do Catar, anunciou a suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL) após ataques iranianos a algumas de suas instalações.

    A empresa informou que as instalações atacadas foram Ras Laffan, uma base de processamento de gás em terra, e Mesaieed, outro local importante para a produção de gás natural do Catar.

    O país do Golfo é um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito, ao lado dos EUA, Austrália e Rússia.

    Mais cedo, o Ministério da Energia da Arábia Saudita informou que um "incêndio de pequenas proporções" na refinaria de Ras Tanura, operada pela estatal petrolífera Aramaco, foi controlado.

    O comunicado, divulgado pela Agência de Imprensa Saudita, afirma que a refinaria sofreu "danos leves causados ​​por destroços" devido à interceptação de "dois drones nas proximidades da refinaria".

  13. Chefe da inteligência do Hezbollah é morto em ataque em Beirute, diz Israel

    As Forças de Defesa de Israel (IDF) divulgaram um comunicado informando que um líder do Hezbollah foi morto em um ataque em Beirute no domingo (1/3).

    "As IDF confirmam que, em um ataque preciso em Beirute na noite passada (domingo), o terrorista Hussein Makled, que chefiava o quartel-general da inteligência do Hezbollah, foi eliminado", diz o comunicado.

  14. Hegseth: 'Não começamos a guerra, mas vamos acabar com ela'

    O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, fez um discurso há poucos instantes. Ele disse que a operação contra o Irã, sob ordens diretas de Donald Trump, é a operação aérea mais letal, mais complexa e mais precisa da história.

    "Nós não começamos a guerra, mas, sob a presidência de Trump, estamos acabando com ela", afirma.

    Ele advertiu que qualquer pessoa que matar ou ameaçar americanos será caçada pelos EUA "sem remorso e sem hesitação".

    Hegseth afirma que é senso comum que regimes como o do Irã não devem possuir armas nucleares, e Trump tem a "coragem" necessária para impor isso.

    Ele disse que a operação contra o Irã não levará a uma guerra sem fim.

  15. Libanês relata fuga de casa para escapar dos ataques de Israel

    A repórter Alice Cuddy, que está em Beirute, capital do Líbano, entrevistou um empresário de 38 anos que fugiu de sua casa no sul do país nesta segunda-feira (2/3).

    “Acordei com um telefonema de um amigo gritando: ‘Levanta, levanta! Faz as malas! Estão lançando foguetes do Líbano’”, disse ele. “Logo depois, ouvimos os ataques [israelenses]. Podíamos ouvir o bombardeio ao nosso redor.”

    Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques de Israel em Beirute e no sul do Líbano mataram pelo menos 31 pessoas e deixaram 149 feridas.

    O homem, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, afirmou que tentou voltar a dormir, mas recebeu ligações durante a noite de amigos dizendo para ele ir embora.

    “Decidi que sairia de manhã, à luz do dia, não à noite. Eu não queria dirigir no meio do caos, no trânsito, no escuro.” Ele disse que “arrumou o máximo de coisas essenciais que pôde, colocou tudo no carro” e saiu com sua mãe e sua irmã.

  16. O que é o Hezbollah e por que o grupo se envolveu na guerra?

    A entrada do Hezbollah no conflito ameaça reabrir uma guerra devastadora que durou um ano entre Israel e o grupo libanês e que terminou com um cessar-fogo há 15 meses.

    O Hezbollah, uma organização islâmica xiita, é um dos grupos armados mais poderosos da região, leal ao Irã. A República Islâmica gastou bilhões de dólares financiando, treinando e equipando o grupo para se opor a Israel durante décadas.

    O Hezbollah e Israel têm se atacado desde a formação do grupo na década de 1980. Travaram uma guerra em 2006 e outra em 2023 e 2024, desencadeada pelos ataques do Hezbollah contra posições israelenses em apoio aos palestinos, um dia após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro e o início da campanha militar israelense em Gaza.

    Durante a última guerra com o Hezbollah, os ataques israelenses mataram cerca de 4.000 pessoas no Líbano e deixaram mais de 1,2 milhão de civis deslocados, segundo o governo libanês. As autoridades israelenses afirmaram que mais de 80 soldados e 47 civis israelenses foram mortos.

    O Hezbollah ficou significativamente enfraquecido na guerra e seu poder de fogo diminuiu consideravelmente. Como parte do acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, o grupo concordou em se retirar amplamente do sul do Líbano, embora Israel tenha continuado a atacar alvos do Hezbollah que, segundo o país, representam uma ameaça.

    O ataque com foguetes e drones realizado pelo grupo nesta segunda-feira (2/3) e a resposta israelense põem o cessar-fogo em risco, deixando as populações do norte de Israel e do Líbano apreensivas, sem saber se a retomada das hostilidades será limitada ou se irá se transformar novamente em uma guerra total.

  17. Segurança reforçada, ruas vazias: o clima em Teerã e Karaj, no Irã

    O acesso a quem vive no Irã é difícil mesmo em tempos normais. Veículos de imprensa internacionais frequentemente têm seus vistos negados, o que limita a capacidade de coletar informações no país.

    Mas a repórter Ghoncheh Habibiazad, do serviço persa da BBC, apurou que há uma forte presença policial nas ruas durante a noite em Teerã e em uma cidade próxima, Karaj.

    Ainda segundo os relatos colhidos pela jornalista, os preços aumentaram desde o início da escalada da violência e as ruas estão praticamente vazias. A maioria também está irritada com a interrupção do acesso à internet, que, segundo o grupo de monitoramento NetBlocks, já dura mais de 48 horas.

    Embora as ruas estejam tranquilas, padarias e postos de gasolina estão movimentados.

    Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel afirmam ter recebido relatos de que um hospital em Teerã sofreu "danos colaterais leves" após um ataque no domingo contra uma infraestrutura militar próxima. Os israelenses dizem que o hospital não era o alvo do ataque.

  18. Estados Unidos dizem que três jatos foram abatidos no Kuwait em 'fogo amigo'

    As Forças Armadas do Kuwait afirmaram que "vários" caças americanos haviam caído no país e que as circunstâncias do incidente estavam sendo investigadas.

    O Comando Central dos Estados Unidos informou que três de seus caças F-15, "em apoio à operação Fúria Épica", como têm sido chamados os ataques contra o Irã, "caíram sobre o Kuwait devido a um aparente incidente de fogo amigo".

    Os seis tripulantes ejetaram em segurança e foram resgatados, segundo o comunicado. Imagens verificadas pela BBC mostram o momento em que um caça foi abatido perto da Cidade do Kuwait.

  19. Quais são as consequências da guerra para os preços do petróleo?

    Os preços globais do petróleo subiram em meio aos ataques lançados pelo Irã no Oriente Médio em resposta ao bombardeio realizado pelos Estados Unidos e por Israel contra o país.

    O petróleo do tipo Brent, referência global para a cotação da commodity, saltou 10% quando os mercados asiáticos abriram nesta segunda-feira (2/3), chegando a mais de US$ 82 o barril.

    Os valores caíram no decorrer da manhã, mas analistas alertam que o cenário pode ser bem diferente no caso de um conflito prolongado.

  20. Ações do Irã representam uma 'escalada perigosa', dizem os EUA e seus aliados

    As ações do Irã representam uma "escalada perigosa" que ameaça a estabilidade no Oriente Médio, afirmam os Estados Unidos e seis países aliados do Golfo Pérsico em uma declaração conjunta emitida nesta segunda-feira (2/3).

    "Atacar civis e países não combatentes é um comportamento imprudente que mina a estabilidade", diz a declaração, compartilhada pelo Ministério das Relações Exteriores do Kuwait.

    A declaração, originalmente publicada em árabe, foi emitida conjuntamente por Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e EUA.

    Eles afirmam "reafirmar o direito à autodefesa" diante da continuidade dos aparentes ataques iranianos na região.

    A declaração menciona ataques ocorridos no Bahrein, no Iraque (incluindo a região do Curdistão Iraquiano), na Jordânia, no Kuwait, em Omã, no Catar, no Reino da Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.