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Israel lança nova onda de ataques contra Teerã: como a guerra se desenrolou até o 5º dia

Senado americano rejeitou medida que limitaria poderes de guerra de Trump. No Oceano índico, um navio iraniano foi atingido por torpedo americano; pelo menos 80 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Editada por Marina Rossi, Rute Pina, Iara Diniz, Julia Braun, Pedro Martins e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo

  1. Forças de Defesa de Israel dizem ter bombardeado "locais de produção de mísseis balísticos"

    As Forças de Defesa de Israel afirmam que sua onda de ataques em larga escala contra infraestrutura iraniana foi concluída. Em uma atualização no aplicativo de mensagens Telegram, o grupo afirma ter atacado infraestrutura e "locais usados ​​pelo regime [iraniano] para produzir armas", com ênfase em "locais de produção de mísseis balísticos".

    Enquanto esses ataques estavam em andamento, as Forças de Defesa de Israel afirmam ter realizado ataques simultâneos na cidade iraniana de Isfahan, que fica a aproximadamente 435 km de distância. Esses ataques, segundo as Forças de Defesa de Israel, tiveram como alvo sistemas de mísseis balísticos, incluindo lançadores e locais de armazenamento de mísseis destinados ao uso contra Israel.

  2. Dólar opera em alta no segundo dia útil de conflito

    O dólar segue valorizado frente ao real neste segundo dia útil de conflito.

    Ontem, a moeda americana interrompeu a trajetória de queda que vinha ocorrendo nas últimas semanas e fechou o dia em R$ 5,17.

    Porém, neste momento, a moeda já é vendida a R$ 5,26.

  3. Como a guerra entre EUA e Israel contra o Irã pode aumentar os preços dos alimentos

    Por Josh Martin, repórter de Negócios

    O conflito no Oriente Médio provocou um aumento nos preços do petróleo e do gás, mas também pode levar a colheitas menores e preços mais altos dos alimentos se continuar a impactar o transporte marítimo global.

    O fechamento do Estreito de Ormuz levaria a preços globais mais altos de produtos básicos como milho, trigo e arroz, porque a hidrovia é vital para o transporte de um terço da ureia mundial – um ingrediente essencial em fertilizantes, disse o diretor executivo da Yara ao World Business Express.

    "Em algumas culturas, podemos ver reduções [de rendimento] de até 50%", disse Svein Tore Holsether, que dirige a segunda maior empresa de fertilizantes do mundo. O momento do fechamento significa que o fornecimento de ureia está restrito em um momento em que os agricultores e produtores estão comprando fertilizantes para aplicar nos campos, disse ele.

  4. Guerra no Irã causa racha nos Brics

    O ataque dos EUA e Israel ao Irã e as retaliações seguintes do regime de Teerã, ocorridos nos últimos dias, tiveram repercussões divergentes entre países dos Brics.

    O bloco é formado por: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia.

    Enquanto o Brasil, China e Rússia condenaram a ação conjunta entre americanos e israelenses, outros integrantes do grupo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Índia, pouparam os bombardeios de Israel e EUA e condenaram os ataques com mísseis realizados pelo Irã contra bases norte-americanas localizadas nos países do Golfo Pérsico.

  5. Embaixada dos EUA na Arábia Saudita alerta para 'ataque iminente'

    A embaixada dos EUA na Arábia Saudita está alertando para ataques iminentes com mísseis e drones sobre Dhahran, onde está localizado um consulado americano.

    Os cidadãos americanos são aconselhados a permanecer em suas casas e "revisar seus planos de segurança em caso de ataque".

    Dhahran, na costa leste da Arábia Saudita, é um importante centro da indústria petrolífera e abriga a sede da Aramco, a empresa petrolífera nacional saudita.

  6. Emirados Árabes dizem ter interceptado 172 mísseis e 755 drones do Irã

    O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes afirma que suas defesas aéreas destruíram 172 mísseis desde que o Irã lançou seus ataques na região.

    Um porta-voz do ministério afirma que houve um total de 186 mísseis, com 13 deles caindo no mar e um atingindo o território dos Emirados Árabes. O ministério detectou ainda 812 drones iranianos, acrescenta o porta-voz, dizendo que os Emirados Árabes conseguiram interceptar 755 deles. Cinquenta e sete caíram no país.

    Os Emirados Árabes Unidos também detectaram e destruíram oito mísseis de cruzeiro "que causaram alguns danos colaterais, além de resultar em três mortes e 68 ferimentos leves", bem como danos a "instalações civis".

    As Forças Armadas do Bahrein também emitiram um comunicado, afirmando terem interceptado 73 mísseis e 91 drones lançados do Irã desde sábado. Diversos ataques iranianos atingiram o Bahrein, incluindo uma base naval americana no país.

  7. Trump: "Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais!'"

    O presidente dos EUA, Donald Trump, acaba de publicar nas redes sociais: "A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles desapareceram", escreveu ele, aparentemente referindo-se a autoridades iranianas, junto com um link para um artigo de opinião no Washington Post sobre "o nascimento da Doutrina Trump".

    "Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais!'"

  8. Imagens mostram incêndio em terminal de petróleo nos Emirados Árabes Unidos

    Por Daniele Palumbo e Paul Brown

    Dois vídeos verificados pela BBC Verify mostram um incêndio no terminal de petróleo de Fujairah, na costa do Golfo de Omã, nos Emirados Árabes Unidos.

    O primeiro vídeo do incêndio foi filmado por alguém dirigindo em uma estrada ao lado de uma área de armazenamento de petróleo nas instalações, enquanto o segundo foi gravado de uma área residencial próxima e mostra uma enorme coluna de fumaça preta.

    A empresa de energia VTTI, que administra o terminal, informou à BBC News que suspendeu as operações como "medida de precaução em decorrência dos últimos acontecimentos" e que reabrirá "assim que for apropriado".

    Imagens de satélite capturadas pela Planet Labs PBC na manhã desta terça-feira (3/2) mostram danos em pelo menos um tanque. Satélites da Nasa também detectaram uma assinatura de calor no mesmo local pouco depois das 9h do horário local.

    O terminal petrolífero de Fujairah tem capacidade para armazenar até 1,2 milhão de metros cúbicos de petróleo e é um dos poucos locais na região situados diretamente no Golfo de Omã.

    Isso significa que os petroleiros não precisam passar pelo estreito de Ormuz, que o Irã afirma ter fechado. Um oficial iraniano ameaçou ontem "incendiar" qualquer navio que tentasse passar pelo estreito, e o Exército iraniano teria alvejado várias embarcações na área.

  9. Mercados globais sofrem com turbulências da guerra

    Os preços do petróleo e do gás sobem hoje, com queda no valor das ações e valorização do dólar frente a outras moedas — enquanto os mercados ainda assimilam o impacto da guerra de EUA e Israel com o Irã.

    O temor de que o conflito interrompesse as exportações marítimas de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do Golfo Pérsico fez os preços dispararem.

    O preço de referência do petróleo Brent atingiu US$ 85 por barril pela primeira vez desde julho de 2024.

    As ações europeias caíram hoje pela manhã, com o índice DAX, na Alemanha, recuando 3,76% e o FTSE 100, no Reino Unido, caindo 2,57%. As ações asiáticas também registraram quedas acentuadas, com o índice KOSPI da Coreia do Sul caindo 7,24% e o Nikkei do Japão recuando 3,06%.

    O dólar americano valorizou-se, com investidores buscando segurança em tempos de turbulência e migrando para ativos americanos. Em relação a uma cesta de outras moedas, a moeda americana subiu quase 1%.

  10. Análise: nova incursão de Israel no Líbano ou defesa de civis?

      • Author, Yollande Knell
      • Role, Da BBC News em Jerusalem

    Por Yollande Knell, da BBC News em Jerusalém

    A nova incursão terrestre de Israel em "áreas estratégicas no Líbano" representa um novo golpe para a soberania libanesa e para o acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA em 2024, que visava pôr fim aos combates entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah.

    As Forças de Defesa de Israel (IDF) enfatizam que seu objetivo não é a incursão terrestre em si, mas sim uma melhor defesa dos civis no norte de Israel – dezenas de milhares dos quais tiveram que deixar suas casas durante um ano de ataques transfronteiriços que ocorreram paralelamente à guerra em Gaza.

    Após o acordo de cessar-fogo, as IDF se retiraram parcialmente do sul do Líbano. No entanto, permaneceram em cinco pontos estratégicos. As IDF afirmam ter enviado tropas terrestres adicionais na segunda-feira.

    Analistas de defesa israelenses sugerem que essas tropas ajudarão a criar uma nova zona de segurança para impedir qualquer possível tentativa do Hezbollah de realizar um ataque transfronteiriço.

    A imprensa libanesa afirma que o exército do Líbano já deixou posições na fronteira sul do país em antecipação à movimentação israelense. Na segunda-feira, as IDF ordenaram que os moradores de mais de 50 aldeias no sul do Líbano evacuassem suas casas.

  11. Israel afirma que tropas terrestres vão "avançar e tomar áreas" no Líbano

    O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "autorizaram as Forças de Defesa de Israel a avançar e tomar áreas estratégicas adicionais no Líbano, a fim de impedir ataques contra comunidades israelenses na fronteira".

    "As Forças de Defesa de Israel continuam a operar com força contra alvos do Hezbollah no Líbano. A organização terrorista está pagando – e continuará a pagar – um preço alto por seus ataques contra Israel."

    Katz acrescenta que Israel está determinado a "defender as comunidades da fronteira", dizendo: "Prometemos segurança às comunidades da Galileia, e é isso que cumpriremos."

  12. Imagens de satélite mostram complexo nuclear iraniano danificado

    A BBC Verify analisou imagens de satélite que mostram novos danos ao complexo nuclear iraniano em Natanz.

    As imagens, divulgadas pela empresa de inteligência Vantor na segunda-feira, mostram que três edifícios dentro do complexo, localizado no centro do Irã, foram atingidos.

    A análise da Vantor afirma que os danos foram feitos em "entradas de pessoal e veículos para o complexo subterrâneo de enriquecimento de combustível". A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fez uma avaliação semelhante.

    As imagens mais recentes também mostram danos já existentes causados ​​por um ataque aéreo dos EUA no ano passado, na operação americana conhecida como Martelo da Meia Noite.

  13. Crescente Vermelho diz que 787 pessoas já morreram no Irã

    Cerca de 787 pessoas foram mortas no Irã desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o país no sábado, segundo o Crescente Vermelho do Irã.

    Já a organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRANA), com sede nos EUA, relata que 742 civis morreram, incluindo 176 crianças.

    Fatemeh Mohammadbeigi, integrante da Comissão de Saúde do Parlamento iraniano, afirmou na segunda-feira que nove hospitais foram alvejados no Irã, acusando Israel e os EUA de terem sido os responsáveis ​​pelos ataques.

    As Forças de Defesa de Israel responderam às alegações de que o Hospital Gandhi, em Teerã, foi alvo dos ataques, afirmando que "o ataque não teve como alvo o hospital".

    O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou hoje Israel e os EUA de terem atacado o mesmo hospital.

  14. Israel diz ter atingido o gabinete presidencial do Irã

    As Forças de Defesa de Israel disseram ter realizado um ataque aéreo ao complexo da liderança do regime iraniano.

    Em um comunicado no Telegram, as Forças de Defesa de Israel afirmam que atacaram o Gabinete Presidencial e o Conselho Supremo de Segurança Nacional.

    Além disso, uma instituição de treinamento militar e "outras infraestruturas-chave do regime" também foram atingidas.

    O antigo Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, utilizava o complexo, segundo as Forças de Defesa de Israel. Khamenei foi morto em seu próprio complexo no fim de semana em ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel.

  15. Images dos ataques de Israel ao Líbano

    Pouco antes das 8h desta terça-feira no horário local (3h no horário de Brasília), as forças armadas israelenses lançaram novos ataques nos subúrbios do sul de Beirute, bem como na capital do Irã, Teerã.

    Israel afirma estar atingindo "alvos militares" em ambos os locais. No Líbano, as Forças de Defesa de Israel dizem estar visando instalações do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.

    Ainda não há imagens dos danos causados ​​no Irã. Mas as fotos abaixo mostram o estrago no Líbano.

  16. Preço do gás natural dispara na Europa

    O preço de referência do gás natural na Europa subiu 33% hoje – sendo negociado em seu patamar mais alto desde janeiro de 2023.

    Os preços do gás aumentaram cerca de 50% na segunda-feira, depois que a Qatar Energy, uma das maiores exportadoras mundiais, interrompeu sua produção após ataques militares iranianos a suas instalações.

  17. Relação EUA-Reino Unido 'não é mais o que era', critica Trump

    O presidente americano, Donald Trump, criticou o premiê britânico, Keir Starmer, por não estar sendo "nada prestativo".

    "Nunca pensei que veria isso. Nunca pensei que veria isso vindo do Reino Unido", disse Trump ao jornal The Sun.

    "É muito triste ver que o relacionamento obviamente não é mais o que era."

    Na segunda-feira, Starmer disse o Reino Unido "não acredita em mudança de regime por meio de ataques aéreos".

    Inicialmente, o Reino Unido não permitiu que os EUA usassem bases britânicas para atacar o Irã, mas depois abriu suas bases para ataques "defensivos" contra alvos iranianos.

    O secretário do gabinete de Starmer, Darren Jones, disse nesta terça-feira à BBC que a relação EUA-Reino Unido "continua importante".

    "Entendo que o presidente [Trump] não ficou satisfeito com o fato de não termos participado da primeira onda de ataques", disse ele.

    No entanto, Jones afirma que o Reino Unido "só enviará forças armadas britânicas quando houver uma base legal para tal, um plano de ação claro e quando for do interesse do nosso país".

    Ele disse que a relação entre os EUA e o Reino Unido "operacionalmente" permanece a mesma, já que suas forças armadas continuam trabalhando em estreita colaboração "neste momento".

  18. Porto em Omã é atacado por drones

    Em Omã, um tanque no Porto de Duqm foi alvo de um ataque com drone, segundo a agência de notícias estatal do país. Uma fonte de segurança disse que não houve vítimas.

    O mesmo porto foi alvo de drones no fim de semana. Um trabalhador ficou ferido, segundo relatos.

    No vizinho Catar, a produção de gás natural liquefeito (GNL) foi interrompida na segunda-feira após ataques iranianos a algumas das suas instalações.

    A Arábia Saudita também suspendeu a produção na sua maior refinaria nacional.

    Omã tem sido um mediador fundamental há anos nas negociações entre os EUA e o Irã – a mais recente das quais ocorreu no país no mês passado.

  19. Acompanhe os desdobramentos do 4º dia de conflito no Irã e Oriente Médio

    O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã entra no quarto dia. Estes são alguns dos principais acontecimentos mais recentes:

    • Israel lançou nesta terça-feira (3/3) uma nova onda de "amplos ataques aéreos" contra o que chama de "alvos militares" em Teerã e Beirute.
    • No dia anterior, a embaixada dos EUA em Riad foi atingida por dois drones, segundo o Ministério da Defesa saudita, causando um incêndio "limitado".
    • A mídia estatal iraniana afirma que um prédio em uma base aérea dos EUA no Bahrein foi destruído.
    • Um oficial iraniano ameaçou "incendiar" qualquer navio que tente passar pelo Estreito de Ormuz - uma rota crucial para o fornecimento global de energia.
    • O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que "os golpes mais duros ainda estão por vir" das forças armadas americanas contra o Irã. Ele falou depois que Donald Trump chamou os ataques de sábado de "a última e melhor chance" de eliminar as "ameaças" de Teerã.
    • Seis militares americanos foram mortos desde o início da guerra. Três caças americanos foram abatidos ontem no Kuwait em um "aparente incidente de fogo amigo" - as tripulações sobreviveram.
    • Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que "não acredita em mudança de regime pelos céus". Mas ele está permitindo que os EUA usem bases militares britânicas para ataques "defensivos" contra instalações de mísseis iranianas.

    Acompanhe aqui ao vivo as principais notícias ao longo desta terça-feira

  20. Encerramos por hoje a cobertura em tempo real

    Finalizamos a cobertura ao vivo desta segunda-feira sobre os desdobramentos da Guerra do Irã.

    Neste terceiro dia de conflito:

    • O preço do petróleo nos mercados internacionais disparou e dólar fechou em alta frente ao real
    • O Irã disse que Estreito de Ormuz foi fechado e que vai incendiar navios que tentarem passar.
    • Forças de Defesa de Israel afirmam que iranianos lançaram novos ataques com mísseis.
    • A embaixada dos EUA na Arábia Saudita foi atingida por dois drones.
    • O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que "os golpes mais duros contra o Irã ainda estão por vir".

    Retomamos nesta terça-feira a cobertura em tempo real.

    Você pode continuar acompanhando os desdobramentos sobre o tema em nossas reportagens e análises, em nosso site e nas redes sociais da BBC News Brasil.

    Obrigada por sua audiência!