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Israel lança nova onda de ataques contra Teerã: como a guerra se desenrolou até o 5º dia

Senado americano rejeitou medida que limitaria poderes de guerra de Trump. No Oceano índico, um navio iraniano foi atingido por torpedo americano; pelo menos 80 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Editada por Marina Rossi, Rute Pina, Iara Diniz, Julia Braun, Pedro Martins e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo

  1. Netanyahu afirma que programa nuclear iraniano estaria 'imune' em poucos meses

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu os ataques militares israelenses contra o Irã, afirmando que o recente programa nuclear de Teerã estaria "imune em poucos meses" antes da intervenção de Israel.

    Apesar dos ataques aéreos conjuntos de Israel e dos Estados Unidos contra três instalações nucleares durante a guerra de 12 dias em junho, Netanyahu disse que soldados e técnicos iranianos começaram a construir novos locais, incluindo “bunkers subterrâneos”, onde poderiam desenvolver mísseis balísticos e bombas atômicas.

    “Se nenhuma ação fosse tomada agora, nenhuma ação poderia ser tomada no futuro”, disse Netanyahu à Fox News.

    Israel há muito tempo se opõe ao enriquecimento nuclear do Irã, alertando que ele poderia ser usado para desenvolver armas nucleares, em vez de ser utilizado para fins pacíficos, como afirma o governo iraniano.

  2. 'Os EUA não vão entrar em outro conflito de vários anos', diz vice-presidente americano

    Os Estados Unidos não vão se envolver em um conflito que se arraste por anos, afirmou o vice-presidente JD Vance em entrevista à Fox News nesta segunda-feira, acrescentando que Trump tinha um objetivo claro: garantir que o Irã “nunca tivesse uma arma nuclear”.

    “O presidente determinou não queria apenas manter o país a salvo de uma arma nuclear iraniana pelos primeiros três ou quatro anos de seu segundo mandato — ele queria garantir que o Irã nunca pudesse ter uma arma nuclear, e isso exigiria fundamentalmente uma mudança de mentalidade do regime iraniano”, disse Vance.

    Ele acrescentou que o conflito no Irã não será algo de longo prazo e afirmou: “Não há como Donald Trump permitir que este país entre em um conflito de vários anos... não vamos cair nos problemas que tivemos com o Iraque e o Afeganistão.”

    Vance também afirmou que as instalações nucleares do Irã não foram construídas apenas para fins civis de enriquecimento, como o regime alega, mas para o desenvolvimento de armas nucleares.

  3. Patrimônio Mundial da Unesco é danificado em Teerã

    O histórico Palácio de Golestan, em Teerã, que está listado como Patrimônio Mundial da Unesco, foi danificado após ataques à capital, segundo a mídia estatal iraniana.

    O local serviu como residência real dos monarcas iranianos durante a dinastia Qajar e, posteriormente, tornou-se a sede oficial da dinastia Pahlavi.

    A Unesco manifestou preocupação com a proteção de locais históricos após relatos de que o palácio foi atingido.

    Veículos de imprensa locais informaram sobre uma explosão na Praça Arg, em Teerã, nas proximidades do palácio.

  4. Embaixada dos EUA na Arábia Saudita é atingida por drones do Irã

    O Ministério da Defesa da Arábia Saudita confirmou que a embaixada dos Estados Unidos em Riad foi atacada por dois drones, segundo estimativas iniciais.

    Em um comunicado publicado no X, a embaixada afirmou que isso resultou “em um incêndio limitado e danos materiais leves ao prédio”.

    A Missão dos EUA na Arábia Saudita emitiu um aviso de abrigo no local para Jidá, Riad e Dhahran, e informou que limitará viagens não essenciais a qualquer instalação militar na região.

    O comunicado foi emitido pouco depois das 03h00 no horário local em Riad (21h em Brasília).

  5. Explosões são ouvidas no bairro diplomático de Riad

    A BBC está recebendo relatos de explosões na região do bairro diplomático de Riad, capital da Arábia Saudita.

    Segundo a agência Reuters, um incêndio teve início na embaixada dos Estados Unidos, que fica nessa área.

  6. Israel diz que Irã lançou nova onda de mísseis contra o país

    O Irã lançou mísseis em direção a várias áreas de Israel nas primeiras horas desta terça-feira (horário local), afirmou o Exército israelense, depois de enviar avisos por telefone em todo o país para que as pessoas procurassem abrigo.

    Os sistemas de defesa antiaérea estão 'operando para interceptar a ameaça', disseram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).

  7. EUA pedem que cidadãos americanos deixem 14 países no Oriente Médio

    O Departamento de Estado dos EUA recomendou que cidadãos americanos em grande parte do Oriente Médio deixem imediatamente a região devido a “sérios riscos à segurança”.

    O alerta abrange14 países — Bahrein, Egito, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iêmen —, além das regiões da Cisjordânia e Faixa de Gaza.

  8. Israel ataca emissora estatal iraniana

    O chefe da emissora estatal iraniana IRIB, Peyman Jebeli, afirma que partes das instalações internas da emissora em Teerã foram atingidas.

    As Forças de Defesa de Israel (IDF) também afirmam ter atacado o local.

    "O exército israelense atacou o complexo da IRIB, o coração pulsante da máquina de mentiras e repressão da Guarda Revolucionária Islâmica", diz uma publicação na conta IDF no X.

    Veículos de comunicação iranianos noticiaram no domingo que alguns prédios da emissora estatal foram alvejados.

    A emissora estatal também foi alvo de ataques israelenses durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em junho do ano passado.

  9. Qual a importância do Estreito de Ormuz e quais podem ser as consequências do seu fechamento?

    O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo.

    Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passa pela via, que conecta os produtores de petróleo do Oriente Médio com os principais mercados da região da Ásia-Pacifico, Europa e América do Norte.

    Trata-se de um estreito canal que, em seu ponto mais apertado, separa Omã do Irã por apenas 33 quilômetros.

    Nesta segunda-feira (2/3), um alto funcionário da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) declarou que o Estreito de Ormuz foi fechado e ameaçou atacar navios que tentarem passar por lá.

    Esta é a primeira vez que o Irã anuncia o fechamento completo do estreito e ameaça com ataques militares ao tráfego marítimo.

    Limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo ao mar da Arábia. A via possui duas rotas marítimas, e cada uma mede 3 km, permitindo a passagem dos maiores petroleiros do mundo.

    Na primeira metade de 2023, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passaram diariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo estimativa da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), o que representa um comércio energético anual de quase US$ 600 bilhões.

    Isso faz do estreito a passagem mais importante para a produção de petróleo no mundo, incluindo o petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), formada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além da maior parte do gás natural liquefeito do Catar.

    Qualquer interrupção no estreito restringiria o comércio e impactaria em um aumento dos preços do petróleo a nível mundial.

    Naturalmente, também afetaria os países do Golfo, cujas economias dependem fortemente das exportações de energia.

    Mas seu fechamento teria um impacto particular sobre a China, que é o maior comprador global de petróleo iraniano e mantém uma estreita relação com Teerã.

  10. Ibovespa encerra em alta puxado pela Petrobras

    O Ibovespa, principal índice brasileiro, passou por um dia de fortes oscilações, iniciando a operação em queda.

    No entanto, a partir do início da tarde, as oscilações foram menores e o índice foi se recuperando.

    Puxado pelas ações da Petrobras, que dispararam, subindo 4,58%, o índice fechou o dia com alta de 0,28%, aos 189.307 pontos.

  11. Irã diz que Estreito de Ormuz foi fechado e que atacará navios que tentarem passar

    Um oficial iraniano afirmou que o Irã "incendiará qualquer um que tentar atravessar" o Estreito de Ormuz. O alerta partiu de Ebrahim Jabbari, assessor do Comandante-Chefe da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), em declaração à TV estatal.

    Ele confirmou o fechamento do estreito e advertiu que os navios "não devem vir a esta região. Certamente enfrentarão uma resposta severa de nossa parte."

    Jabbari também afirmou que os americanos estão "sedentos pelo petróleo da região" e que o Irã "atacará seus oleodutos na região e não permitirá a exportação de petróleo desta área".

    O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e o ponto de estrangulamento mais vital para o trânsito de petróleo. Cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo passa pelo estreito.

  12. Número de militares americanos mortos sobe para seis

    Uma atualização do Comando Central dos EUA (Centcom) informa que seis militares americanos foram mortos em combate até as 16h (18h em Brasília) desta segunda-feira.

    A atualização afirma que as forças americanas recuperaram os restos mortais de "dois militares que estavam desaparecidos em uma instalação atingida durante os ataques iniciais do Irã na região".

    "As principais operações de combate continuam", acrescenta a atualização.

  13. Análise | Preços do petróleo disparam e ações oscilam enquanto investidores avaliam o conflito

    Por Danielle Kaye, repórter de Negócios em Nova York

    Os preços do petróleo e do gás dispararam nesta segunda-feira, com o aumento das tensões no Oriente Médio e a interrupção das cadeias de suprimentos globais pelo conflito.

    Ao mesmo tempo, os contratos futuros de ouro subiram, com investidores buscando ativos considerados seguros em tempos de volatilidade. O petróleo Brent, referência global, subiu mais de 6% no pregão da tarde, chegando a quase US$ 78 (R$ 405) o barril. Chegou a atingir brevemente US$ 82 (R$ 426) o barril no início do dia.

    Pelo menos três navios foram atacados perto do Estreito de Ormuz no fim de semana, aumentando a preocupação com o acesso à importante via navegável por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás do mundo.

    "O mercado estará atento a sinais de que o tráfego pelo Estreito de Ormuz retornará ao normal, o que faria com que os preços do petróleo caíssem novamente", disse Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Marquee, à BBC.

    Mas alguns analistas alertaram que os preços podem continuar subindo em caso de um conflito prolongado, o que poderia ter um efeito cascata sobre a inflação e as taxas de juros. No mercado de ações dos EUA, a reação aos ataques dos EUA e de Israel — e aos ataques retaliatórios do Irã em todo o Oriente Médio — foi relativamente moderada durante a tarde.

    O S&P 500 e o Nasdaq abriram em forte queda, mas ambos os índices reduziram suas perdas ao longo do dia. As companhias aéreas, que enfrentam fechamentos de aeroportos e interrupções globais generalizadas, sofreram perdas acentuadas. As ações da American Airlines caíram mais de 4% na segunda-feira, enquanto as da Air France-KLM caíram mais de 9%.

  14. Marco Rubio: 'Os golpes mais duros contra o Irã ainda estão por vir'

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acaba de discursar. Ele disse aos repórteres que os EUA atacaram o Irã de forma "preventiva" no sábado porque sabiam que Israel realizaria um ataque, o que, segundo ele, resultaria em retaliação iraniana contra forças americanas.

    "Sabíamos que haveria uma ação israelense. Sabíamos que isso precipitaria um ataque contra as forças americanas. E sabíamos que, se não os atacássemos preventivamente antes que lançassem esses ataques, sofreríamos mais baixas e talvez até mais mortos", disse Rubio.

    "Não vou revelar os detalhes de nossos esforços táticos, mas os golpes mais duros ainda virão das forças armadas americanas", acrescentou.

    O secretário de Estado ainda afirmou que a missão dos EUA "é a destruição das capacidades de mísseis balísticos [do Irã] e de sua capacidade de fabricá-los, bem como a ameaça que sua marinha representa para a navegação global. Esse é o objetivo."

    "Dito isso", continuou ele, "não nos importaríamos, não ficaríamos desapontados e esperamos que o povo iraniano possa derrubar este governo e construir um novo futuro para o país. Adoraríamos que isso fosse possível. Mas o objetivo desta missão é a destruição de suas capacidades de mísseis balísticos e de sua marinha".

  15. Aviões dos EUA deixam a Espanha após proibição de uso de bases para ataques ao Irã

    Diversas aeronaves americanas deixaram as bases militares de Rota e Morón, no sul da Espanha, depois que o governo espanhol negou a Washington a permissão para usar as instalações, operadas em conjunto, para ações militares contra o Irã.

    O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que a Espanha não autorizará o uso de seu território para “nada que não esteja de acordo com a Carta das Nações Unidas”.

    A decisão coloca a Espanha em desacordo com diversos parceiros europeus. Embora o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, tenha declarado à BBC News que a Europa “apoia totalmente” a ação dos EUA no Irã, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, condenou o que chamou de “ação militar unilateral” realizada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

  16. Dólar fecha em alta de 0,62%

    O dólar fechou em alta de 0,62% frente ao real, no primeiro dia útil desde os ataques dos EUA e Israel contra o Irã.

    A cotação da moeda vinha em uma trajetória de queda nas últimas semanas, interrompida pelos conflitos iniciados no sábado.

    Durante o dia, o dólar chegou a bater R$ 5,21, mas acabou encerrando um pouco abaixo desse patamar, em R$ 5,16.

  17. EUA dizem ter afundado 11 navios iranianos

    O Comando Central dos EUA (Centcom) afirma ter afundado 11 navios iranianos no Golfo de Omã, deixando o Irã sem nenhum navio na área.

    "Há dois dias, o regime iraniano tinha 11 navios no Golfo de Omã; hoje, não tem NENHUM. O regime iraniano tem assediado e atacado a navegação internacional no Golfo de Omã por décadas. Esses dias acabaram. A liberdade de navegação marítima tem sido a base da prosperidade econômica americana e global por mais de 80 anos. As forças americanas continuarão a defendê-la", escreveu o Comando na rede social X.

  18. Casa Branca afirma que 49 dos líderes iranianos "mais importantes" foram mortos em ataques

    A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que "49 dos mais altos líderes do regime iraniano" foram mortos nos ataques contra o Irã.

    Em uma publicação nas redes sociais, ela descreveu os objetivos da operação americana, que incluem "impedir que este regime radical" ameace os Estados Unidos. "Matar terroristas é bom para os Estados Unidos. 49 dos mais altos líderes do regime iraniano — incluindo o Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei — já foram eliminados da face da Terra nos ataques iniciais da Operação Fúria Épica", afirmou.

  19. 'Todas as opções estão sobre a mesa', dizem as Forças de Defesa de Israel

    Uma porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) disse que "todas as opções estão sobre a mesa" ao ser questionada se Israel pretende expandir sua operação no Líbano para uma operação terrestre.

    Effie Defrin afirmou que as operações não serão concluídas até que "a ameaça do Líbano seja eliminada".

  20. 'Devemos nos preparar para o pior', diz Celso Amorim sobre o conflito

    “Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior", afirmou o embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula.

    Em entrevista à GloboNews, Amorim mencionou um possível alastramento do conflito.

    "O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento. O Irã historicamente fornece armamento para grupos xiitas que estão em outros países, além de grupos radicais", afirmou.