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Guerra no Irã: Trump ameaça ataque '20 vezes mais forte' se Irã bloquear petróleo no Estreito de Ormuz

Mais cedo, o presidente americano disse que o conflito está "praticamente concluído", enquanto Israel lançava nova onda de ataques contra Teerã.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Editado por Marina Rossi e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em São Paulo e Londres, com informações da BBC Persa e de correspondentes em todo o Oriente Médio e nos EUA

  1. 'Estamos sendo observados, mesmo aqui', diz iraniano ao entrar na Turquia

    Emily Wither, da BBC News em Kapikoy, fronteira entre Irã e Turquia

    Com o espaço aéreo fechado no Irã, a passagem de fronteira de Kapikoy, no leste da Turquia, continua sendo uma das poucas rotas que conectam iranianos ao restante do mundo.

    Ao longo do dia, pessoas têm atravessado a fronteira para esperar o desenrolar da guerra — embora, mesmo em território turco, continuem com medo do regime.

    "Não tenho permissão para falar com jornalistas", diz uma mulher usando boné preto e empurrando uma mala com rodinhas, acompanhada da família.

    Outro homem explicou que não queria falar conosco, especialmente na fronteira.

    "Estamos sendo observados. Mesmo aqui, estamos sendo vigiados. Não é seguro", afirma, sentado na calçada enquanto espera uma carona até a cidade mais próxima, Van.

    Uma mãe e seu filho contam que dirigiram durante a noite desde a capital, Tehran, depois que instalações de petróleo foram atingidas.

    "Durante o dia estava tudo muito escuro, havia fumaça por toda parte. O ar estava tóxico e eu estava tossindo", diz ele.

    O homem afirma que as pessoas na capital ainda tentam seguir com a rotina diária, mas que, em geral, estão nervosas e irritadas o tempo todo.

    "As pessoas não toleram mais nada", afirma. "As menores coisas estão fazendo todo mundo explodir."

  2. Trump está 'longe' de tomar decisão sobre envio de tropas

    Donald Trump afirmou ao jornal estadunidense New York Post que está "longe" de tomar uma decisão sobre ordenar o envio de tropas americanas ao Irã.

    Questionado se consideraria enviar soldados ao país para garantir a segurança de seu estoque de urânio, Trump respondeu: "Ainda não tomamos nenhuma decisão sobre isso. Estamos longe disso."

    Ele também voltou a dizer que "não está feliz" com a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo.

  3. Israel atinge instituição financeira no Líbano ligada ao Hezbollah

    Wyre Davies, da BBC News em Beirute

    Israel está intensificando não apenas a escala, mas também o alcance de seus ataques aéreos no Líbano. Nesta segunda, atingiu várias agências da instituição financeira Al-Qard Al-Hassan em diferentes pontos de Beirute.

    Até o meio-dia no horário local, três agências da Al-Qard Al-Hassan haviam sido atingidas, depois que Israel alertou que estava mirando preventivamente a instituição, que acusa de financiar diretamente as atividades militares do Hezbollah.

    O Hezbollah afirma que o banco, como o descreve a insituição que possui possui diversas agências pela cidade, oferece serviços financeiros essenciais a empresas e clientes individuais em todo o Líbano.

    Passávamos pela periferia de Dahieh, distrito do sul de Beirute controlado pelo Hezbollah, logo após um dos ataques destruir um edifício. O prédio ainda estava em chamas, e várias construções próximas sofreram danos graves.

    Dahieh é uma área da cidade que tem sido repetidamente alvo de ataques aéreos israelenses — mas alguns dos alvos atingidos nos últimos dias ficam bem além dos limites desse bairro, de onde Israel ordenou que todos os civis deixassem a área.

    Entre esses locais estão algumas dessas instituições financeiras e um hotel à beira-mar, atingido no domingo por um ataque direcionado com drone que matou ao menos quatro homens, supostamente ligados ao Irã.

  4. G7 'ainda não chegou a um consenso' sobre reservas emergenciais

    Por Mitch Labiak, da BBC News

    Alguns veículos de imprensa noticiaram hoje que o grupo formado por ministros das finanças do G7, o grupo das sete nações mais ricas do mundo, está considerando liberar 300 milhões de barris das reservas emergenciais, coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE) para combater a escassez de petróleo criada pelo conflito no Oriente Médio.

    Se confirmado, isso representaria um quarto das reservas emergenciais e seria mais que o dobro da intervenção recorde anterior, realizada em abril de 2022, após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

    A AIE disse agora há pouco que a ideia foi discutida esta tarde, mas não confirmou a quantidade exata que poderia ser liberada, e nem sequer se haverá liberação de alguma quantidade.

    "Discutimos todas as opções disponíveis, incluindo disponibilizar as reservas emergenciais de petróleo da AIE para o mercado", disse o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

    Birol afirma que os mercados globais de petróleo “deterioraram-se nos últimos dias” e que a guerra está “criando riscos significativos e crescentes para o mercado”.

    “Também estou em contato próximo sobre a situação com ministros de energia de diversos países, incluindo conversas recentes com a Arábia Saudita, Brasil, Índia, Azerbaijão e Singapura”, acrescenta.

    Após a reunião, Roland Lescure, ministro das Finanças da França, declarou à imprensa que “ainda não chegamos a um acordo” sobre a liberação emergencial de petróleo.

    “O que foi acordado é usar todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação dos estoques necessários”, acrescentou.

  5. Irã lançou nova onda de mísseis, diz Israel

    As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmam ter detectado mais mísseis lançados pelo Irã.

    Sirenes de alerta aéreo foram acionadas e a população recebeu ordens para se abrigar enquanto os militares tentam abatê-los.

  6. Bolsas dos EUA caem na abertura

    Por Dearbail Jordan, da BBC News

    Assim como na Europa e na Ásia, os mercados de ações dos EUA também caíram após serem afetados pela queda nos preços do petróleo.

    Poucos minutos após a abertura, o Dow Jones Industrial Average despencou 1,1% — ou mais de 550 pontos, enquanto o índice S&P 500 caiu 1%. O Nasdaq também começou a segunda-feira em queda, com recuo de 1%.

  7. O regime iraniano deve ser desmantelado, afirma chanceler da Alemanha

    Por Bethany Bell

    O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse hoje que "quanto mais cedo o regime dos aiatolás acabar, mais cedo esta guerra terminará."

    O chanceler alemão afirmou: "O Irã é o centro do terrorismo internacional e esse centro deve ser desmantelado, e os americanos e israelenses estão fazendo isso à sua maneira."

    Ele também disse que a guerra pode ter "repercussões" na economia alemã, a maior da Europa, e que seu governo está "fazendo tudo o que pode para aumentar nossa independência na política energética".

  8. Catar intercepta 17 mísseis balísticos e seis drones do Irã

    O Ministério da Defesa do Catar diz que foi alvo de um ataque com 17 mísseis balísticos e seis drones do Irã.

    O governo afirma que suas forças armadas interceptaram com sucesso todos os ataques, sem vítimas.

  9. Quase nenhum navio atravessando o Estreito de Ormuz

    Por Kayleen Devlin

    Uma das principais razões para a alta dos preços do petróleo, que atingiram um novo pico em quatro anos, acima de US$ 100, é a ausência de tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, a única rota para petroleiros que transportam petróleo e gás para fora do Golfo.

    Dados de rastreamento disponíveis publicamente da MarineTraffic mostram apenas uma embarcação, navegando sob bandeira de Belize, cruzando o estreito e seguindo para leste, em direção ao Oceano Índico, nas últimas 24 horas.

    Outra embarcação com bandeira das Comores pode ser vista se aproximando, mas não transmite sua localização há mais de 10 horas.

    A TankerTrackers.com, que monitora os embarques globais de energia, informou à BBC Verify que identificou 57 embarcações na região que estão "invisíveis" - ou seja, não estão transmitindo sinais de rastreamento AIS.

    Os prêmios de seguro contra riscos de guerra para embarcações na área aumentaram e o Irã ameaçou incendiar navios que utilizam a rota.

    O programa BBC Verify identificou 11 incidentes relatados de danos a navios comerciais na região. Neil Roberts, chefe da área marítima e de aviação da Lloyd's Market Association, que representa seguradoras, afirma que muitas embarcações permanecem ancoradas por questões de segurança, e não por falta de cobertura de seguro.

    Na sexta-feira, os EUA anunciaram um plano para um esquema de resseguro com apoio governamental para ajudar a manter a cobertura de navios que transitam pelo estreito.

  10. Milhares comemoram novo líder supremo do Irã em Teerã

    No Irã, apoiadores do regime foram às ruas de Teerã para celebrar a nomeação de Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo.

    Imagens mostram pessoas em uma manifestação pública exibindo fotos de Khamenei e de seu pai, Ali, que foi morto em ataques conjuntos entre EUA e Israel na semana passada.

    Em uma foto, um homem segura um cartaz que parece mostrar uma imagem de Khamenei passando a bandeira para seu filho.

    A agência de notícias AFP relata que milhares de pessoas se reuniram em uma praça central na capital iraniana nesta manhã para jurar lealdade ao novo líder do país.

    Enquanto alguns comemoraram publicamente, outros disseram à BBC Persian que ele é "pior que o pai" e que esperam que seu destino seja semelhante ao do pai.

  11. 'O mundo será mais seguro' quando a missão no Irã for concluída, diz EUA

    O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirma que o mundo "será um lugar mais seguro e melhor quando esta missão for concluída".

    Em um evento em Washington, Rubio disse que os EUA estão engajados em uma missão que visa "o maior sequestrador de reféns do mundo, o principal patrocinador do terrorismo no mundo - o regime do Irã".

    Ele afirma que os objetivos da missão são claros e incluem destruir "a capacidade deste regime de lançar mísseis... destruir as fábricas que produzem esses mísseis e destruir sua marinha".

    "Estamos bem encaminhados para atingir esse objetivo", disse ele. "A cada dia que passa, este regime no Irã tem menos mísseis, menos lançadores, suas fábricas operam menos e sua Marinha está sendo dizimada."

  12. Emirados Árabes dizem ter detectado 15 mísseis e 18 drones hoje

    O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes afirma ter detectado 15 mísseis balísticos hoje, destruindo 12, enquanto três caíram no mar.

    O governo também afirma ter detectado 18 drones, interceptando 17, com um deles caindo em território dos Emirados Árabes. Desde o início dos ataques iranianos, o ministério afirma ter detectado um total de 253 mísseis balísticos, oito mísseis de cruzeiro e 1.440 drones.

    Dois mísseis balísticos e 81 drones atingiram o país — o restante foi interceptado ou caiu no mar, segundo o ministério. Esses ataques resultaram em quatro mortes e 117 feridos até o momento. Mais cedo, as autoridades de Abu Dhabi disseram que duas pessoas ficaram feridas após ataques iranianos serem interceptados.

  13. Força Aérea de Israel lança ataques em três áreas do Irã

    A Força Aérea Israelense afirma ter lançado uma série de ataques em três áreas do Irã. Segundo a Força Aérea, os ataques atingiram simultaneamente Teerã, Isfahan e o sul do país.

  14. Putin parabeniza novo líder supremo e reafirma 'apoio inabalável' ao Irã

    Por Ben Tavener, da BBC News em Moscou

    O presidente russo Vladimir Putin parabenizou Mojtaba Khamenei por sua nomeação como novo líder supremo do Irã e reafirmou o apoio de Moscou a Teerã.

    "Por favor, aceite meus sinceros parabéns por sua nomeação como líder supremo da República Islâmica do Irã", disse Putin em uma mensagem publicada no site do Kremlin.

    O líder russo disse que "reafirma o apoio inabalável [da Rússia] a Teerã e a solidariedade com nossos amigos iranianos" e prometeu "permanecer um parceiro confiável".

    "Em um momento em que o Irã enfrenta uma agressão armada, suas ações nesta alta posição exigirão, sem dúvida, grande coragem e dedicação. Estou confiante de que o senhor dará continuidade honrosa ao trabalho de seu pai e unirá o povo iraniano diante desta dura provação", disse ele.

  15. Bolsas em toda a Europa caem com alta do petróleo

    Por Nick Edser da BBC News

    As ações em toda a Europa caíram nesta manhã, com os investidores reagindo à alta do preço do petróleo. O índice FTSE 100 de Londres caiu 1,1%, enquanto o Dax da Alemanha e o Cac 40 da França recuaram cerca de 2%.

    Quase todas as ações estão em queda, mas o índice do Reino Unido não caiu tanto porque as gigantes petrolíferas BP e Shell, listadas em Londres, estão entre as poucas ações que subiram nesta manhã.

    Mais cedo, os mercados de ações asiáticos caíram fortemente, com o índice Nikkei 225 do Japão despencando mais de 5%.

    Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club, afirma que o aumento nos preços do petróleo tem potencial para "uma combinação tóxica de choques para as economias".

    A alta dos preços deve impulsionar a inflação, o que pode significar que os bancos centrais terão que manter as taxas de juros elevadas por mais tempo – e essa combinação de preços de energia mais altos e custos de empréstimo seria "um entrave ao crescimento", afirma ela.

  16. Fortes explosões ouvidas em Teerã

    Fortes explosões foram ouvidas hoje na capital iraniana, Teerã, de acordo com relatos da agência de notícias AFP. Não está claro qual seria o alvo em Teerã, mas as explosões foram ouvidas em várias partes da cidade, segundo a agência.

  17. Aumento dos preços do petróleo pode ajudar Rússia

    Por James Landale, da BBC News em Kiev

    Diplomatas afirmam que o aumento dos preços do petróleo ajudará a Rússia a recuperar suas finanças públicas e manter sua economia de guerra em funcionamento.

    Nos últimos anos, a Rússia sofreu com sanções internacionais de energia, baixos preços globais do petróleo e um teto de preços imposto pela UE/Reino Unido, atualmente fixado em US$ 44 por barril de petróleo.

    Tamanha era sua dificuldade financeira que a Rússia teve que vender reservas de ouro e aumentar os impostos sobre o consumo.

    Mas os preços mais altos do petróleo agora ajudarão a abastecer os cofres do Kremlin. A falta de fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz pode tornar alguns países mais propensos a comprar o petróleo russo. Isso ocorre poucos dias depois de os EUA terem aliviado temporariamente as sanções para permitir que a Índia comprasse petróleo russo já em alto-mar.

    Kiev também pode sentir ainda mais pressão da União Europeia para reabrir um oleoduto – danificado por ataques russos – que normalmente transporta petróleo russo para a Hungria. A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã pode não apenas estar desviando a atenção global da Ucrânia, como também pode estar ajudando a Rússia.

  18. Mojtaba Khamenei sempre esteve longe dos holofotes

    Por Parham Ghobadi da BBC Persian

    O novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, assumiu o cargo mais perigoso do mundo, depois que os EUA e Israel prometeram matar o sucessor de seu pai, Ali Khamenei. Não é um cargo que muitos cobiçam.

    Havia rumores há décadas de que ele seria o próximo líder iraniano. Acreditava-se que ele tinha laços muito estreitos com a Guarda Revolucionária. Agora parece que havia algum fundamento nesses rumores.

    Mojtaba Khamenei é uma pessoa que sempre se manteve longe dos holofotes. Ele nunca esteve oficialmente em uma posição de comando, e nem existem muitas fotos ou vídeos dele.

    Ele assumiu o poder repentinamente como o novo líder do Irã – em um momento em que seu pai ainda nem foi enterrado, por causa da guerra em curso.

  19. Ministros do G7 fazem reunião de emergência sobre guerra e petróleo

    Os ministros dos países do G7 vão se reunir hoje pela tarde na Europa em caráter emergencial para discutir o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, incluindo o aumento do preço do petróleo.

    A reunião virtual será liderada pela França, que detém a presidência rotativa do G7.

    O preço de referência do petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022, embora tenha recuado ligeiramente desde então.

    Na reunião de emergência, os ministros vão discutir uma possível liberação conjunta de reservas de petróleo para conter a alta dos preços. As reservas de petróleo são coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE), com 32 membros do grupo detendo reservas estratégicas como parte de um sistema coletivo de emergência concebido para crises nos preços do petróleo.

    Três países do G7, incluindo os EUA, já manifestaram apoio a uma possível liberação conjunta, segundo fontes familiarizadas com as negociações, de acordo com o jornal britânico Financial Times.

  20. Bolsa de Londres cai na abertura após alta do preço do petróleo

    O índice FTSE 100 de Londres caiu 1,4% nos primeiros minutos de negociação, com os investidores reagindo à alta dos preços do petróleo.

    Mais cedo, as bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas, com o índice Nikkei 225 do Japão fechando em baixa de mais de 5%.

    Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 8%, o que levou à paralisação das negociações por 20 minutos. O chamado "circuit breaker" é um mecanismo projetado para conter vendas em pânico. O Kospi acabou fechando em queda de 6%.