Por que Renan Santos liderou as atenções nas redes sociais durante o debate presidencial, segundo pesquisas

Renan Santos.

Crédito, Renato Pizzutto/Band

Legenda da foto, Renan atraiu os holofotes nas redes, mas isso não se traduziu em melhora da imagem, dizem pesquisas
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Estreante na política, representante de um partido recém-criado e sem expressividade ainda, Renan Santos (Missão) conseguiu liderar as atenções nas redes sociais durante o primeiro debate eleitoral entre presidenciáveis, promovido pela Band no domingo (23/8).

É a conclusão de análises realizadas por agências de análise de dados nas redes sociais.

Segundo a Palver, que monitora e analisa as redes e plataformas de mensagens, como WhatsApp e Telegram, o candidato do Missão não só liderou as atenções em termos de volume, como também foi aquele que teve o maior percentual favorável (38%) das menções.

Ronaldo Caiado (PSD) ficou em segundo lugar, com 28% das menções favoráveis.

A medição feita pela Palver, que analisou quase três mil menções, também classificou mensagens como "neutras". Renan Santos teve 35% de menções nessa categoria, e 27% negativas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ausentes do debate, tiveram os maiores índices desfavoráveis – 53% e 49%, respectivamente.

Romeu Zema (Novo), que também não compareceu ao confronto, apareceu em terceiro lugar neste ranking de menções negativas, com 44% das mensagens desfavoráveis.

Também na análise da AP Exata, Renan foi o candidato que mais ganhou atenção durante o debate. Sua participação nas menções saltou de 11% no sábado (22/8) para 14% no domingo, permanecendo em 13% nesta segunda.

Segundo a análise, as ações de forte apelo visual, especialmente a placa de "ladrão" que Renan tentou colocar no púlpito vazio de Lula no estúdio, ajudaram a alimentar essa exposição.

No entanto, o crescimento não significou melhora de imagem. Enquanto a Palver aponta que Renan lidera as menções positivas, a AP Exata — que não analisa aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram e tem outra metodologia — aponta que as menções positivas e a confiança caíram continuamente.

"Renan ganhou visibilidade, mas não converteu esse ganho em melhora equivalente de avaliação", aponta a AP Exata.

"O saldo dos dados da AP Exata é que Renan ganhou a disputa por atenção no domingo, Cury teve o melhor ganho qualitativo, Caiado apresenta crescimento consistente no pós-debate e Zema sofreu o efeito mais negativo. Lula e Flávio, por sua vez, não apresentam sinais de que a ausência tenha produzido desgaste relevante."

'Ação inteligente'

Lula e Flávio concentraram os principais ataques da noite, mas a ausência não significou, necessariamente, um saldo negativo, segundo a Palver.

A conclusão foi a mesma para a agência AP Exata, que se debruçou sobre cerca de 200 mil menções sobre o debate publicadas no X e Instagram.

"Os indicadores qualitativos reforçam que não houve punição imediata a Lula e Flávio pela ausência", indica análise parcial, com dados compliados até às 14h desta segunda-feira.

O ranking de hashtags ajuda a explicar um pouco o desempenho dos candidatos que lideram as pesquisas eleitorais. Especialmente o de Lula. Isso porque, ao mesmo tempo que #debatenaband concentrou 45% das marcações, a entrevista de Lula à Record também ocupou espaço expressivo, por meio de hashtags como #domingoespetacular #lula e #lulanarecord.

"Não aparece entre as principais hashtags uma mobilização relevante especificamente contra a ausência de Lula ou Flávio", aponta o relatório. "Isso indica que a falta dos dois foi um tema importante do debate e da imprensa, mas não se tornou, na mesma proporção, a principal narrativa espontânea das redes."

Da mesma forma, Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria, afirma que a estratégia de conceder uma entrevista que fosse ao ar no mesmo horário que o debate, só que em outra emissora, foi uma "ação inteligente" da campanha de Lula.

"Gerou material e não deixou vácuo que poderia deixar a partir da ausência no debate, especialmente em uma emissora como a Record, que tem um vínculo mais claro com o segmento evangélico e com lideranças importantes no campo."

Já para quem participou do confronto, o impacto foi aquém do esperado pelas campanhas.

"A Palver monitora o debate público em torno dos temas políticos e eleições diariamente, e o volume de menções do debate esteve em níveis moderados apenas, ou seja, casos como Lulinha e Dark Horse, por exemplo, tiveram pico de atenção bem mais alto nos últimos meses", explica Lucas Cividanes, coordenador de inteligência e análise da Palver.

Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury durante o debate.

Crédito, Renato Pizzutto/Band

Legenda da foto, Augusto Cury foi quem apresentou o ganho qualitativo 'mais interessante' do pós-debate

Os dados analisados mostram que Augusto Cury deu destaque para o tema da Política Social e Economia. Caiado priorizou Educação, se apresentando como uma opção mais propositiva à direita, com espaço para avançar entre o eleitorado moderado.

Renan Santos focou em Segurança e Corrupção e buscou se consolidar como alternativa radical para o voto antissistema.

Embora ele tenha ganhado os holofotes nas redes, a AP Exata aponta que foi Augusto Cury quem apresentou o ganho qualitativo "mais interessante" do pós-debate.

O escritor e psicanalista passou de menos de 1% das menções no fim de semana para 6% nesta segunda, mantendo praticamente 50% de menções positivas.

Segundo a análise, "a crítica à agressividade de Renan parece ter ajudado Cury a construir uma identidade própria de moderação sem deterioração de imagem". Durante o debate, Cury afirmou que o "nível de agressividade" de Renan o "assombra". Isso aconteceu depois que Renan criticou os eleitores de Lula.

"Tirando um pedaço dele [do eleitorado], que é aquele eleitor que está no Bolsa Família, que ainda acredita que o Lula é a única fonte de comida dele - de maneira errônea – o eleitor restante que apoia esse cara está sendo canalha. Canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele", disparou Renan.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, cresceu especialmente no pós-debate, com um salto para as menções nesta segunda, passando 6% no domingo para 13,5% no dia seguinte ao confronto.

E, diferentemente de Renan, o aumento veio acompanhado de melhora nas menções positivas. A AP Exata ressaltou que o vídeo de Gilberto Kassab (PSD), vice de Caiado, dormindo durante o debate, que circulou pelas redes entre domingo e segunda, não causou prejuízo à imagem de Caiado, por ora.

Já Romeu Zema apresentou o sinal mais claramente negativo, de acordo com a análise. Embora o volume das menções também tenha crescido nos dois últimos dias, todos os indicadores qualitativos dessas menções pioraram.

E, enquanto as ausências de Flávio e Lula não trouxeram consequências negativas para as campanhas, a de Zema parece ter impacto pior.

"A ausência que efetivamente se transformou em problema nas redes foi a de Zema, porque passou a alimentar dúvidas sobre a própria continuidade de sua candidatura", diz a análise da AP Exata.

Outros três debates estão previstos até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro:

  • 14 de setembro (segunda-feira): Consórcio Momento da Decisão (CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV).
  • 27 de setembro (domingo): Record.
  • 1º de outubro (quinta-feira): Globo.