Argentina x Inglaterra: as previsões de 5 especialistas da BBC sobre semifinal da Copa

Crédito, Getty Images
- Author, Matías Zibell
- Role, BBC Mundo
- Published
- Tempo de leitura: 8 min
Horas antes da semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Inglaterra, que será disputada nesta quarta-feira (15/7) a partir das 16h (horário de Brasília), as opiniões e interpretações se dividem. E os especialistas em esportes da BBC, é claro, não fogem à regra.
Para alguns, como Chris Sutton, ex-jogador inglês e comentarista da BBC Sport e da BBC Radio 5 Live, a seleção inglesa dificilmente terá uma oportunidade tão boa de chegar à final da Copa do Mundo. "Sem dúvida, prefiro enfrentar a Argentina à Suíça. Imagino que Thomas Tuchel [técnico da seleção inglesa] e os jogadores da Inglaterra também estejam satisfeitos, porque acreditam que podem criar dificuldades para a seleção argentina."
Para outros, como o jornalista esportivo da BBC Andy Cryer, é provável que a Argentina seja vista na Inglaterra como ligeira favorita para a partida. "O receio em relação a Messi é grande, embora os torcedores ingleses também conheçam o potencial de jogadores como Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Julián Álvarez e companhia."
Há, no entanto, um ponto em que os dois concordam: nem Argentina nem Inglaterra jogaram o seu melhor futebol até aqui.
"A trajetória da Argentina no torneio até agora tem sido semelhante à da Inglaterra. Não se considera que nenhuma das duas equipes esteja jogando especialmente bem, mas a determinação e a capacidade de superar as dificuldades foram suficientes para fazê-las avançar", afirma Cryer.
Para ele, as duas seleções dependeram de momentos de genialidade individual: "Messi, no caso da Argentina, e [Harry] Kane e [Jude] Bellingham, no da Inglaterra".

Crédito, Getty Images
Sutton, por sua vez, avalia que a Inglaterra ainda está longe de apresentar seu melhor futebol. Na opinião dele, a equipe chegou à semifinal graças a lances decisivos de alguns de seus jogadores e a um caminho relativamente favorável no torneio. Ainda assim, acredita que a seleção inglesa tem condições de derrotar a Argentina.
"A Argentina é a atual campeã do mundo, tem uma equipe experiente e, claro, conta com Lionel Messi... Mas, em comparação com algumas das grandes seleções argentinas do passado, esta equipe está longe de ser brilhante."
O 'fator Messi'
"A Argentina é uma seleção muito forte, com grande força mental e uma impressionante capacidade de reação, como mostrou ao virar a partida contra o Egito com três gols nos minutos finais", afirma o jornalista da BBC Philip McNulty. "E ainda há o grande Messi..."
Na avaliação de McNulty, aos 39 anos, Messi continua sendo o jogador capaz de mudar o rumo de uma partida e aquele que mais preocupa a Inglaterra.
"Atualmente, ele passa boa parte do tempo caminhando em campo, mas seus companheiros estão dispostos a fazer o trabalho pesado por ele porque conhecem seu potencial. Basta um único lance para decidir uma partida."
Cryer chama isso de "fator Messi". Para ele, a presença do craque gera enorme expectativa na Inglaterra. "Será a primeira vez que Messi enfrentará a Inglaterra, o que torna tudo ainda mais empolgante. É o jogador de quem todos estão falando."

Crédito, Getty Images
Adwaidh Rajan, também jornalista esportivo da BBC, lembra que a partida desta quarta-feira acontece 40 anos depois de Diego Maradona ter "eliminado praticamente sozinho a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo do México". Mas desta vez a Argentina conta com outra "superestrela vestindo a camisa 10".
"Mas a Inglaterra também tem seu próprio e emblemático camisa 10, Jude Bellingham, que marcou dois gols em cada um dos dois últimos jogos do mata-mata — tornando-se o primeiro jogador a conseguir esse feito desde Maradona, em 1986. Já o capitão inglês, Harry Kane, soma os mesmos seis gols do companheiro nesta Copa do Mundo."
Para Cryer, Bellingham e Messi são os grandes nomes de suas respectivas seleções. "Há a expectativa de que um dos dois volte a decidir a partida."
Mas, como lembra Sutton, que acompanhou de perto o confronto entre Argentina e Suíça pelas quartas de final desta Copa do Mundo, não será Bellingham o responsável por marcar a principal estrela argentina, mas Declan Rice, caso ele se recupere dos problemas físicos que enfrentou nos últimos dias.
"Os suíços entenderam que não podiam dar nem um centímetro de espaço a Messi, e Granit Xhaka fez isso perfeitamente [...] Se Tuchel tiver um plano para impedir que ele encontre espaços, acredito que a Inglaterra terá qualidade suficiente nas demais posições para vencer."

Crédito, Getty Images
Pontos fortes e fracos da Argentina
Os especialistas da BBC Sport também parecem concordar sobre onde está o principal perigo da Argentina — do meio-campo para a frente — e qual é o setor mais vulnerável da equipe, do círculo central para trás.
"A Argentina tem um meio-campo muito sólido, com Enzo Fernández e Alexis Mac Allister. Julián Álvarez, por sua vez, é um jogador excepcional — embora muitas vezes subestimado —, como mostrou no gol contra a Suíça. Além disso, cumpre um papel importante sem a bola, o que permite a Lionel Messi explorar todo o seu talento", afirma McNulty.
"Se há algum ponto fraco, talvez seja a dupla de zaga: o temperamento de Cristian Romero pode ser imprevisível, e a baixa estatura de Lisandro Martínez é um aspecto que os adversários podem explorar, como fez o Egito", acrescenta.
Para Sutton, a defesa argentina apresenta problemas tanto na zaga quanto nas laterais. "A Argentina mostrou fragilidade pelos lados do campo [contra a Suíça]. Dan Ndoye levou vantagem sobre Nahuel Molina, titular da lateral direita, e acabou marcando um gol. Molina foi substituído no fim, mas, seja ele ou Gonzalo Montiel o escolhido para enfrentar a Inglaterra, haverá muito trabalho para conter Anthony Gordon [jogador titular do ataque inglês]."
O jornalista também acredita que Nicolás Tagliafico, pela lateral esquerda, terá dificuldades para marcar os atacantes ingleses que atuam por aquele lado, sejam Noni Madueke ou Bukayo Saka. "Além disso, no centro da defesa, Lisandro Martínez vem cometendo um erro atrás do outro neste torneio. Tenho certeza de que voltará a cometer uma falha grave", diz Sutton.

Crédito, Getty Images
No histórico dos confrontos entre Inglaterra e Argentina em Copas do Mundo, dois episódios parecem ter marcado tanto os jornalistas esportivos quanto os torcedores ingleses: a "mão de Deus", de Diego Maradona, em 1986, e a expulsão do jogador inglês David Beckham, em 1998, após o que ingleses costumam considerar ter sido uma "provocação" do argentino Diego Simeone.
"Os jogos entre as duas seleções costumam ser muito tensos, e espero que desta vez não seja diferente", afirma Sutton. "Não me surpreenderia ver uma ou outra provocação por parte dos jogadores argentinos, já que eles gostam desse tipo de situação."
Na avaliação do comentarista da BBC, a Argentina "ficará satisfeita se a partida entrar em um clima de tensão, com os ânimos exaltados e os jogadores ingleses correndo o risco de perder o controle".
Por isso, além de apostar em uma vitória da Inglaterra, Sutton prevê que a Argentina terminará a partida com apenas nove jogadores.
As estatísticas dos quatro semifinalistas e a 'verdadeira final'
Em uma análise detalhada dos quatro semifinalistas, o especialista em estatísticas esportivas da BBC Chris Collinson aponta tanto os pontos fortes da Argentina quanto alguns indicadores que podem preocupar a seleção sul-americana. "A Argentina, atual campeã mundial, é a equipe que mais marcou gols (17) e a mais eficiente nas finalizações, convertendo 18% das chances criadas."
O analista afirma que a semifinal contra a Inglaterra tem tudo para ser um jogo com muitos gols, já que nenhuma das duas seleções demonstrou solidez defensiva. Entre os quatro semifinalistas, ambas estão entre as que mais sofreram gols (seis cada).
"O fato de a Argentina ter o pior aproveitamento nas disputas pelo alto entre os quatro semifinalistas deve dar à Inglaterra confiança para continuar explorando o jogo aéreo [com cruzamentos e cabeceios]."
Collinson também observa que a Argentina foi a equipe que mais percorreu distância no torneio (706,5 km no total), mas ressalta que isso se explica pelo maior tempo em campo, já que duas de suas três partidas do mata-mata foram para a prorrogação.
Mas quando se considera apenas o tempo regulamentar de 90 minutos, os argentinos aparecem como a seleção que menos correu e a que fez menos sprints entre os quatro semifinalistas.
Os números mostram ainda que os três adversários enfrentados pela Argentina até agora nas fases dos mata-matas — Cabo Verde, Egito e Suíça — percorreram mais distância do que a equipe sul-americana em seus respectivos confrontos.
"Então, não surpreende que a atual campeã também tenha sido a equipe que menos pressionou a saída de bola dos adversários, recuperando a posse no campo ofensivo com menos frequência do que Inglaterra, França e Espanha."

Crédito, Getty Images
"Aconteça o que acontecer nesta quarta-feira, esta será uma partida histórica. É uma semifinal que será lembrada na Inglaterra por muitos anos", afirma Cryer. Ainda assim, ele reconhece que muitos ingleses acreditam que "a verdadeira decisão" estava na outra semifinal.
"A França demonstrou superioridade, enquanto a Espanha controlou muito bem seus jogos. Tanto a Argentina quanto a Inglaterra precisariam elevar bastante o nível para enfrentar qualquer uma das duas em uma eventual final."
Sutton concorda. Para ele, "a semifinal entre França e Espanha poderia muito bem ser a final", já que a seleção espanhola se destaca pela forma como joga e controla as partidas, enquanto a francesa reúne talento e poder ofensivo.
"Na minha opinião, França e Espanha foram as duas melhores seleções deste torneio. Para mim, o vencedor desse confronto também conquistará a Copa do Mundo", afirma Sutton. A Espanha, no caso, venceu a França por 2 a 0 na primeira semifinal, disputada na terça-feira (14/07).
Na avaliação do comentarista, embora a Inglaterra deva vencer a Argentina, será muito difícil conquistar o título contra a seleção espanhola (que venceu a seleção inglesa na final da última Eurocopa).
A final da Copa do Mundo será realizada no domingo (19/07), a partir das 16h (horário de Brasília).


























