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EUA e Irã anunciam cessar-fogo e 'passagem segura' para navios no Estreito de Ormuz

Paquistão propôs trágua depois do presidente dos EUA afirmar que 'toda uma civilização morreria esta noite' se o Irã não aceitasse um acordo

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Análise: Parlamentares pedem a destituição de Trump

    Por Ione Wells, de Washington para a BBC News

    Um número crescente de políticos democratas nos Estados Unidos está defendendo a aplicação da 25ª Emenda após as ameaças feitas por Donald Trump ao Irã.

    Esse é um mecanismo previsto na Constituição americana que permite ao vice-presidente assumir o cargo caso o presidente não consiga cumprir suas funções.

    A Seção 4 da emenda trata de situações em que o presidente não pode ou não quer declarar sua própria incapacidade. Se o vice-presidente e a maioria do gabinete concordarem que ele não está apto para o cargo, podem enviar uma declaração nesse sentido aos líderes do Congresso — o que o presidente ainda pode contestar.

    Não há sinais de que integrantes do gabinete de Trump ou o vice-presidente JD Vance estejam considerando essa possibilidade, o que torna o cenário improvável. Ainda assim, isso não impediu os democratas de defenderem a medida.

    Dezenas de parlamentares democratas acusaram Trump de "ameaçar cometer crimes de guerra genocidas" ou de ser "perigoso demais" para "ter acesso aos códigos nucleares".

    A deputada Alexandria Ocasio-Cortez escreveu nas redes sociais:"Isso é uma ameaça de genocídio e justifica sua remoção do cargo. As faculdades mentais do presidente estão entrando em colapso e ele não pode ser considerado confiável."

    Separadamente, líderes democratas na Câmara pediram que republicanos se juntem a eles em uma "votação para encerrar esta guerra imprudente e voluntária no Oriente Médio antes que Donald Trump arraste nosso país para a Terceira Guerra Mundial", classificando o presidente como "completamente desequilibrado".

    "Sua declaração ameaçando erradicar uma civilização inteira exige uma resposta firme do Congresso."

    A Câmara está atualmente em recesso e só deve retomar os trabalhos no dia 14 de abril.

  2. Papa Leão 14 classifica como 'inaceitáveis' ameaças contra população do Irã

    Davide Ghiglione, de Roma para a BBC News

    O Papa Leão 14 afirmou que ameaças contra a população do Irã são "inaceitáveis".

    A declaração foi feita poucas horas depois de Donald Trump afirmar que "toda uma civilização morrerá esta noite" caso o Irã não chegue a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.

    O Papa, que é americano, tem intensificado as críticas à guerra envolvendo o Irã.

    Ao falar com jornalistas nesta terça, ele mencionou uma ameaça feita mais cedo contra o povo iraniano, classificando-a como "realmente inaceitável".

    Ele também pediu que pessoas ao redor do mundo entrem em contato com seus representantes políticos e pressionem pelo fim do conflito.

  3. Governo do Kuwait orienta população a permanecer em casa esta noite

    Pessoas no Kuwait estão sendo orientadas a evitar sair de casa entre meia-noite e 6h da manhã de amanhã.

    O Ministério do Interior informou, em comunicado publicado na rede social X, que "cidadãos e residentes devem permanecer em casa e sair apenas se for absolutamente necessário".

    Segundo o órgão, a medida tem como objetivo "manter a segurança, apoiar as operações das forças de segurança e garantir a estabilidade".

  4. Nação 'civilizada' prevalecerá sobre a 'força bruta', diz o Ministério das Relações Exteriores do Irã

    O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a "lógica" de um país "civilizado" prevalecerá sobre a "força bruta".

    Em uma declaração publicada no X nesta tarde, ele escreveu: "A força da cultura de uma nação 'CIVILIZADA', de sua lógica e de sua fé na justiça de sua causa certamente prevalecerá sobre a lógica da força bruta."

    Ele acrescentou: "Uma nação que acredita plenamente na justiça de seu caminho mobilizará todas as suas capacidades e recursos para proteger seus direitos e interesses legítimos."

    A mensagem foi compartilhada com a hashtag #IranWillWin, que na tradução livre para o português signidica #OIrãVencerá.

  5. Primeiro-ministro do Paquistão pede a Trump que estenda o prazo

    O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que estenda o prazo por duas semanas "para permitir que a diplomacia siga seu curso".

    Em uma publicação no X, Sharif escreveu:

    "Os esforços diplomáticos para uma solução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, forte e eficaz, com potencial para levar a resultados substanciais em um futuro próximo. Para permitir que a diplomacia siga seu curso, solicito encarecidamente ao presidente Trump que estenda o prazo por duas semanas."

    Ele também pediu que o Irã abra o Estreito de Ormuz.

    "O Paquistão solicita aos irmãos iranianos que abram o Estreito de Ormuz por um período correspondente de duas semanas como um gesto de boa vontade. Solicitamos também todas as partes em conflito a cumprirem um cessar-fogo por duas semanas, para permitir que a diplomacia alcance o fim definitivo da guerra, no interesse da paz e estabilidade de longo prazo na região", acrescentou.

  6. 'Só Trump sabe o que ele fará', diz secretária de imprensa dos EUA

    A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta terça-feira (7/4) que somente Donald Trump "sabe o que ele fará", quando o prazo estabelecido pelos Estados Unidos para o Irã abrir o Estreito de Ormuz acabar.

    A declaração de Leavitt foi uma resposta a um pedido de esclarecimento da BBC sobre os comentários feitos mais cedo pelo presidente dos EUA e seu vice-presidente, JD Vance.

    Trump afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" a menos que o Irã chegue a um acordo sobre a abertura do Estreito de Ormuz.

    O presidente americano acrescentou que não quer que isso aconteça, "mas provavelmente acontecerá".

    Já Vance disse que o regime iraniano precisa saber que os EUA têm "ferramentas em nosso arsenal que ainda não decidimos usar".

    "O presidente dos Estados Unidos pode decidir usá-las e decidirá usá-las se os iranianos não mudarem sua conduta", afirmou.

    Respondendo a uma alegação nas redes sociais de que Vance teria sugerido que os EUA poderiam usar armas nucleares, a Casa Branca disse que "literalmente nada" do que Vance disse insinuou essa possibilidade.

    Questionada pela BBC sobre sua posição em relação ao uso de armas nucleares, a secretária de imprensa da Casa Branca enviou a seguinte declaração:

    "O regime iraniano tem até as 20h, horário do leste dos EUA, para se adequar à situação e chegar a um acordo com os Estados Unidos. Somente o presidente sabe qual é a situação atual e o que ele fará."

  7. Iranianos se preparam para ataques à infraestrutura civil do país enquanto prazo do ultimato de Trump se aproxima

    À medida que se aproxima o prazo do ultimato dado pelo presidente americano, Donald Trump, que ameaçou destruir as usinas de energia e as pontes do Irã a menos que o país reabra o Estreito de Ormuz, cidadãos iranianos contaram à BBC como estão vendo a situação.

    "Acho que cada vez mais pessoas no Irã perceberam que Trump não se importa nem um pouco com elas", disse um deles.