Bolsonaro réu por golpe de Estado: como foi a sessão do STF e qual a repercussão do resultado

Por 5 x 0, maioria da Primeira Turma do Supremo aceita denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente e aliados por tentativa de ruptura que inclui o 8 de Janeiro

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Moraes rejeita três pontos levantados pelas defesas

    O ministro Alexandre de Moraes também votou sobre três outros pedidos preliminares feitos pelas defesas.

    Os pedidos argumentaram a suposta ilegalidade do “fatiamento” da denúncia em diversos núcleos; o suposto cerceamento ao direito de defesa por não ter acesso integral aos dados colhidos pela Polícia Federal (PF) durante as investigações; e o chamado document dump, que seria uma estratégia de prejudicar as defesas com a divulgação de grande volume de documentos e informações.

    O repórter Leandro Prazeres, de Brasília, informa que, em relação ao primeiro pedido, Moraes afirmou que o argumento de fatiamento ilegal da denúncia não faria sentido porque, em outros casos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, houve a apresentação de diferentes denúncias.

    Segundo o ministro, não há risco de decisões contraditórias pela Primeira Turma do STF.

    “O fato de serem cinco núcleos (denunciados) e vários denunciados não vai levar a decisões contraditórias porque o órgão julgador é o mesmo”, disse o ministro.

    Sobre o segundo pedido, Moraes alegou que não houve cerceamento do direito de defesa porque os advogados dos acusados tiveram acesso às evidências citadas pela PGR na denúncia.

    As defesas argumentaram que só conseguiram acessar os dados parciais e não a integralidade das evidências.

    “Outros documentos que não foram juntados aos autos não são de conhecimento da PGR e não fizeram parte da denúncia. Consequentemente, aqui há um chavão: o que não está nos autos não está no mundo”, disse.

    Moraes também rejeitou a tese de que a PGR teria usado a estratégia de document dump.

    Segundo ele, a grande quantidade de dados presente na denúncia é resultado da complexidade do caso.

    “Não podemos confundir o tamanho e complexidade da investigação da Polícia Federal com document dump. Não é estratégia da PGR atolar a defesa com um caminhão de documentos. Os mesmos documentos analisados pela PGR foram [analisados] pela defesa”, disse o magistrado.

  2. Ministros passam para a terceira questão preliminar: o fatiamento das denúncias

    Os ministros passam agora para a votação da terceira questão preliminar levantada pelas defesas: o fatiamento das denúncias.

    No total, cinco questões preliminares serão votadas. As duas primeiras foram rejeitas: a suspeição de ministros e a competência da Primeira Turma para julgar o caso.

  3. Maioria vota para que o processo seja mantido na Primeira Turma

    A ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin votaram na mesma linha do relator, Alexandre de Moraes, e rejeitaram o pedido preliminar das defesas de Bolsonaro e seus aliados sobre a competência do STF e da Primeira Turma para julgar a denúncia, informa o repórter Leandro Prazeres, de Brasília.

    Cármen Lúcia citou o princípio da isonomia para que a Primeira Turma ficasse responsável por avaliar a denúncia.

    “Estou levando em consideração com ênfase o princípio da isonomia. Se nós julgamos todos os casos referentes aos mesmos fatos nesta Primeira Turma, ou se teria nulidade de tudo o que foi feito, de todos os processos que foram mostrados e relatados pelo eminente ministro Alexandre de Moraes, ou este caso passaria a ser, agora, um norte para que a gente desfaça tudo”, afirmou a ministra.

    Zanin, seguiu a mesma linha defendida por Alexandre de Moraes.

    “Estou acompanhando o eminente relator pela rejeição dessa preliminar diante dos inúmeros julgamentos que já ocorreram e nos quais eu manifestei pela competência do STF e também da Primeira Turma”, disse o magistrado.

    Com o placar de 4 a 1 contra a preliminar, o pedido da defesa foi rejeitado.

  4. Fux mantém voto contra a competência da Primeira Turma para julgar o caso

    O ministro Luiz Fux acatou o pedido de alguns advogados para que o julgamento ocorrese no plenário e não na Primeira Turma, informa Leandro Prazeres, de Brasília.

    Ele já havia votado nesse sentido recentemente.

    "Peço todas a vênias porque me manifestei na semana passada e não posso mudar minha opinião de uma semana para outra, e isso não foi dito nem de longe de que essa posição de vários colegas vencidos não levou em consideraçõa nem capa de processo e nem nome de ninguém. Isso foi uma resposta técnica do nosso preparo científico e da nossa independência"

  5. EM VÍDEO | Assista à segunda parte da sessão

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  6. Flávio Dino também vota a favor da competência do Supremo para julgar o caso

    O ministro Flávio Dino seguiu a linha do voto de Alexandre de Moraes sobre a competência da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal e da própria Corte para julgar os casos relacionados a Bolsonaro e seus aliados, informa Leandro Prazeres, de Brasília.

    “Se houver alteração de competências de acordo com o nome do eventual denunciado ou de acordo com a cor da capa do processo ou com a data, temos o risco de vulneração a outro princípio fundamental, o da isonomia [...] É por isto mesmo que o julgamento deve permanecer na primeira turma”, disse o ministro.

  7. Discutir competência do Supremo é algo que já foi pacificado '1.494 vezes', diz Moraes

    O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, defendeu a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Primeira Turma da Corte para avaliar a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Leandro Prazeres, repórter da BBC News Brasil em Brasília, informa que, segundo o ministro, a competência do STF para avaliar crimes cometidos em 8 de janeiro de 2023 já teria sido firmada em outros 1.494 casos, relacionados a pessoas que teriam sido processadas por seus envolvimentos no episódio.

    “Essa matéria já foi pacificada 1.494 vezes. Não é alvo novo. O STF reafirmou (sua competência) para todos os crimes relacionados ao dia 8 de janeiro de 2023”, disse o magistrado.

    Alexandre de Moraes também afirmou que o pedido da defesa para que a denúncia fosse avaliada pelo plenário do STF e não pela Primeira Turma não deve ser acolhido porque não haveria previsão constitucional para que isso acontecesse. Segundo ele, apenas denúncias relativas a presidentes da República em exercício devem ser levadas à avaliação do plenário.

    Primeira Turma do Supremo nesta terça-feira

    Crédito, STF

  8. Moraes usa um gráfico contra argumento sobre 'velhinhas que passeavam com a Bíblia na mão'

    O ministro Alexandre de Moraes apresentou, durante a sua fala, um gráfico para rebater advogados que acusaram o STF de condenar pelos atos golpistas de 8 de janeiro "velhinhas que passeavam com a Bíblia na mão".

    No gráfico de Moraes, ele mostra que, do total das decisões, somente sete envolvem mulheres com mais de 70 anos.

  9. Plenário segue com a segunda preliminar: a competência do Supremo para julgar o caso

    A segunda preliminar está sendo debatida pela Corte: a competência do Supremo para julgar o caso e o questionamento sobre o julgamento ocorrer na Primeira Turma do STF, e não no plenário.

    Preliminares tratam de questionamentos das defesas sobre o processo que não têm a ver com o mérito. São questões que envolvem a própria constituição do processo.

    Ao todo, cinco preliminares serão votadas.

  10. Ministros rejeitam pedidos de suspeição

    Os cinco ministros, por unanimidade, rejeitaram o pedido preliminar de parte das defesas para considerar Moraes, Dino e Zanin suspeitos para participar do julgamento, informa a repórter Mariana Schreiber, de Brasília.

    "Há, portanto, todos os elementos para dizer que os juízes são imparciais, a menos que se comprove algum comportamento contrário, o que não se tem nesse caso, não há porque afastar em nome de uma possível desconfiança de alguém", votou a ministra Cármen Lúcia.

  11. Ministros votam primeiro pedido das defesas: a suspeição de Moraes, Dino e Zanin

    Os ministros iniciaram a sessão votando na primeira questão preliminar levantada pelas defesas: a suspeição dos ministros Alexandre de Moraes, Flavio Dino e Cristiano Zanin.

  12. Sessão no Supremo é retomada

    A sessão no Supremo acaba de ser retomada.

  13. Veja o que disse o procurador-Geral da República no STF hoje

    Antes dos advogados dos denunciados fazerem suas defesas no plenário do Supremo na manhã de hoje, o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, teve 30 minutos para defender a sua acusação.

    Em sua fala, Gonet disse que as provas apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) são suficientes para atestar que os envolvidos atuaram mediante organização criminosa para a prática de diversos crimes.

    Gonet defendeu também que a denúncia que a PGR ofereceu cumpriu todos os requisitos necessários para ser aceita pela Suprema Corte: todos os fatos estão narrados em ordem cronológica, com a indicação dos envolvidos e a descrição suficiente da participação de cada um.

    “Todos aceitaram, estimularam e realizaram atos tipificados na legislação penal de atentado contra a existência e independência dos Poderes e o Estado Democrático de Direito”, afirmou Gonet na manhã de hoje.

    De acordo com Paulo Gonet, os atos de 8 de janeiro de 2023 foram a última tentativa da organização criminosa. “A decisão dos generais de se manter no seu papel constitucional foi determinante para que o golpe, por fim, tentado, posto em curso, não prosperasse. Mas, crimes houve. E não somente os crimes de dano”, afirmou.

    A sessão no Supremo volta em breve para decidir se aceita ou não a denúncia feita pela PGR. Caso aceite, Bolsonaro e mais sete aliados virarão réus.

    Paulo Gonet

    Crédito, EPA

  14. Entenda o que são as "preliminares"

    Na retomada do julgamento na tarde desta terça-feira, os ministros da Primeira Turma do STF vão votar nas chamadas "preliminares".

    Essa fase do julgamento acontece antes de os ministros se debruçarem sobre o "mérito" - ou seja, se aceitam ou não de fato a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas por tentativa de golpe.

    As preliminares tratam de questionamentos das defesas sobre o processo que não têm a ver com o mérito. São questões que envolvem a própria constituição do processo.

    Um exemplo é a discussão sobre a competência do juiz para julgar a causa, que configura uma questão preliminar, assim como a legitimidade da parte para apresentar o pedido.

    Portanto, caso sejam acolhidas, as preliminares podem impedir o julgamento do mérito, explica o Conselho Nacional do Ministério Público.

    STF

    Crédito, Reuters

  15. Bolsonaro em 2026? Como denúncia da PGR mexe com cenário da direita para as próximas eleições

    Bolsonaro está inelegível até 2030 após duas condenações por crimes eleitorais em 2023.

    Ainda assim, bolsonaristas e o próprio ex-presidente não deixam de colocar seu nome como uma candidatura possível e viável para as próximas eleições. E aliados buscam abrir caminhos para anistiar Bolsonaro no Congresso Nacional.

    Mas especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a denúncia da PGR, somada à sua inelegibilidade, sela a inviabilidade do ex-presidente na disputa presidencial de 2026.

    Jair Bolsonaro

    Crédito, Reuters

  16. O que ainda falta acontecer no julgamento?

    Ministro Alexandre de Moraes

    Crédito, Gustavo Moreno/STF

    Após a sustentação das defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete pessoas, o julgamento no STF foi para o intervalo. A expectativa é de que ele seja retomado às 14h, com a fala do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que apura a suposta tentativa de golpe. Se necessário, o fim do julgamento pode ser adiado para a quarta-feira (26/3). Essa é a ordem do que ainda falta acontecer:

    • Voto do relator Alexandre de Moraes nas preliminares (questionamentos das defesas sobre o processo que não têm a ver com o mérito)
    • Votos dos demais ministros sobre preliminares, na seguinte ordem: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin
    • Voto do relator Alexandre de Moraes sobre mérito da denúncia
    • Votos dos demais ministros sobre o mérito, na seguinte ordem: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
  17. Parlamentares bolsonaristas também acompanham sessão no STF

    Apoiadores fiéis do ex-presidente Jair Bolsonaro, nove parlamentares acompanharam a primeira parte do julgamento presencialmente.

    Segundo o STF, são eles: os deputados federais Luciano Zucco (PL-RS), Zé Trovão (PL-SC), Maurício do Vôlei (PL-MG), Evair de Melo (PP-ES), Paulo Bilynskyj (PL-SP), Mario Frias (PL-SP), Delegado Caveira (PL-PA) e Coronel Crisóstomos (PL-RO), além do senador Jorge Seif (PL-RJ).

  18. Bolsonaro seguirá acompanhando o julgamento no STF, diz líder da oposição

    Bolsonaro acompanha julgamento

    Crédito, Gustavo Moreno/STF

    O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o STF para almoçar com seus advogados e vai retornar para acompanhar a continuidade do julgamento na parte da tarde, segundo o líder da oposição na Câmara, deputado federal Luciano Zucco (PL-RS).

    As informações são da repórter Mariana Schreiber, direto de Brasília.

    “[Bolsonaro] voltará na parte da tarde. Acompanhará [o julgamento] tanto hoje quanto amanhã, porque quem não deve não teme”, afirmou.

    Segundo Zucco, a oposição já teria apoio para apresentar um requerimento de urgência para votação de uma proposta de lei de anistia na Câmara, com objetivo de perdoar condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

    Ele citou o compromisso de lideranças do PSD, Progressistas, PL, Republicanos, União Brasil e Podemos.

    “Já temos a conversa avançada com todos os partidos”, disse. “Houve uma conversa do governador Tarcísio [de Freitas, de São Paulo] com o presidente [do Republicanos] Marcos Pereira e essa conversa foi muito positiva e a gente entende que o Republicanos, em praticamente sua totalidade, vai acompanhar os nossos votos”, continuou.

    Segundo Zucco, a intenção é apresentar o pedido de urgência na próxima semana, após o presidente da Câmara, Hugo Motta, retornar da viagem ao Japão que fez acompanhando o presidente Lula. Se isso se confirmar, a expectativa é votar a proposta na semana seguinte.

  19. Veja o que aconteceu até agora

    Se você chegou agora por aqui, te explicamos brevemente o que aconteceu até o momento:

    • O Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento da admissibilidade da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas
    • A PGR acusou 34 pessoas no total de envolvimento em uma suposta trama para realizar um golpe de Estado
    • O que está em discussão hoje é se o Supremo aceita ou não a denúncia em relação a oito desses 34 denunciados. Se aceitar, Bolsonaro e seus aliados se tornam réus
    • A sessão foi iniciada pelo presidente da primeira Turma do Supremo, ministro Cristiano Zanin, e seguida pelo relator, o ministro Alexandre de Moraes, que leu um resumo do relatório
    • Depois, a palavra foi concedida ao procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para fazer a defesa de sua denúncia
    • Na sequência, os advogados dos denunciados deveriam iniciar suas defesas em ordem alfabética, mas o advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, pediu que o primeiro a falar fosse a defesa de Mauro Cid, dado que o general é também delator
    • Os ministros votaram contra o pedido de Vilardi
    • As defesas então fizeram suas sustentações. De maneira geral, não negaram a existência da tentativa de um golpe, mas defenderam que seus clientes não fizeram parte da suposta trama golpista
    • Os advogados de Bolsonaro e Braga Netto pediram a anulação da delação de Mauro Cid (entenda aqui)
    • A sessão está marcada para ser retomada às 14h e não deve terminar hoje.

    Seguiremos ao vivo na cobertura.

  20. Bolsonaro deixa o Supremo e não fala com a imprensa

    O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o Supremo pelo subsolo, após dizer que só vai falar depois que a sessão acabar, informa Mariana Schreiber, repórter da BBC News Brasil em Brasília.

    A primeira etapa da sessão foi encerrada. O retorno está marcado para as 14h.

    Jair Bolsonaro Supremo