Conforme milhões de pessoas votam nos EUA, alegações de fraude têm se espalhado pela internet.
Os republicanos vinham falando em fraude antes mesmo do início das eleições — o que democratas afirmam ser uma forma de preparar o terreno para alegar fraude eleitoral caso Trump perca a eleição.
No entanto, as autoridades eleitorais americanas têm levado a sério as acusações sendo compartilhadas na internet.
Ao mesmo tempo em que rejeitam acusações sem provas, as autoridades têm explicado que há alguns problemas legítimos que muitas vezes são tirados de contexto.
O serviço de checagem da BBC, o BBC Verify, está investigando as acusações mais compartilhadas.
Uma imagem nas redes sociais mostra uma pessoa segurando uma cédula de votação enviada pelo correio e alega que a cédula já tinha uma marca ao lado do nome de Kamala Harris.
A pessoa que postou a foto no X não publicou nenhuma comprovação de que a marca já veio com a cédula. Ela alega que votar em qualquer outra pessoa anularia a cédula.
A postagem foi visualizada mais de 3 milhões de vezes.
A BBC Verify falou com o Conselho Eleitoral de Kentucky, que afirmou que não foi informado de nenhuma reclamação sobre cédulas enviadas pelo correio com marcas pré-impressas.
“Como ninguém apresentou uma cédula pré-marcada aos administradores eleitorais ou autoridades policiais, a alegação de que pelo menos uma cédula pode ter uma marca pré-impressa em Kentucky, atualmente só existe no vácuo das mídias sociais”, disse o conselho.
O conselho eleitoral acrescentou que para cédulas enviadas pelo correio em Kentucky, se mais de uma escolha de candidato for marcada, a cédula ainda será contada se o eleitor circular sua escolha preferida.
2) Falta de cédulas para os militares
Uma publicação no X alega que "o Pentágono supostamente falhou em enviar cédulas de voto para membros do serviço militar ativo antes da eleição" foi visualizada mais de 28 milhões de vezes.
Ela faz referência a uma carta ao Secretário de Defesa Lloyd Austin, escrita por três membros republicanos do Congresso, expressando "grave preocupação" sobre "deficiências" nos procedimentos para que militares fora do país votem.
No entanto, a carta não acusa o Pentágono de não enviar cédulas de voto ausentes.
Não é função do Pentágono fazer isso - os militares podem votar no exterior por meio do Programa Federal de Assistência ao Voto (FVAP) e as cédulas são enviadas a eles por funcionários eleitorais onde estão registrados nos EUA.
Se a cédula puder não chegar antes do prazo de votação, é possível votar por meio da uma FWAB, uma cédula especial para quem está fora do país.
A carta dos republicanos alega que um número não especificado de militares solicitaram uma FWAB, mas foram informados de que elas haviam acabado. No entanto, é possível baixar e assinar uma FWAB pelo site do FVAP.
O Departamento de Defesa dos disse que treinou 3 mil Oficiais de Assistência à Votação para dar suporte ao pessoal militar no exterior.