A insólita fuga de uma ex-congressista presa na Colômbia usando corda e moto

A ex-congressista Aída Merlano no térreo do prédio após descer com ajuda de uma corda vermelha, enquanto oum motoqueiro a espera. A imagem é parte de um vídeo divulgado pelo Inpec.

Crédito, Inpec

Legenda da foto, Vídeo mostra a ex-congressista Aída Merlano descendo para o térreo do prédio com ajuda de uma corda vermelha, enquanto um motoqueiro a espera
    • Author, Redação
    • Role, BBC News Mundo
  • Published
  • Tempo de leitura: 3 min

A fuga parece de um filme: a ex-congressista colombiana Aída Merlano pega uma corda, escorrega para o térreo do prédio, cai no chão, levanta e foge de moto.

Era terça-feira. Merlano, que cumpria uma sentença de 15 anos de prisão por fraude eleitoral na prisão Buen Pastor, em Bogotá (Colômbia), aproveitou uma consulta com o dentista para fugir.

O Instituto Nacional Penitenciário e Prisional da Colômbia (Inpec) declarou, por meio do Twitter, que ativou um plano para recapturar a ex-congressista, enquanto investiga como a permissão foi concedida para ela ir à consulta.

Aída Merlano chegou ao Centro Médico de La Sabana, no norte de Bogotá, por volta das 11h35 da manhã de terça-feira.

Ela foi levada em um veículo da instituição e acompanhada por duas agentes, uma das quais a acompanhou até o consultório, no terceiro andar.

Três horas depois, segundo a agente, o dentista que atendia a ex-congressista saiu e se despediu. Ao perguntar sobre a paciente, ele respondeu que ela estava dentro da sala.

Ao entrar no consultório, a agente encontrou uma corda vermelha amarrada à perna de uma mesa e viu Merlano subindo em uma moto.

Consultório odontológico com uma corda vermelha ao fundo

Crédito, Twitter

Legenda da foto, A agente prisional encontrou uma corda vermelha dentro do consultório odontológico

O centro médico emitiu um comunicado dizendo que, às 15h, "a administradora do centro médico foi notificada de que a senhora Merlano havia escapado por uma das janelas do consultório onde estava sendo atendida".

Um vídeo de segurança divulgado pelo Inpec e publicado pela mídia local e por usuários do Twitter mostra, a partir do estacionamento, uma mulher escorregando com uma corda vermelha e caindo no chão.

As pessoas que passavam perguntam como ela está, mas ela os ignora e vai até um motoqueiro que está esperando por ela, coloca um capacete e monta na parte traseira da moto para realizar a fuga.

Irregularidades

Vários veículos de imprensa na Colômbia questionaram como era possível que Merlano tivesse sido autorizada a deixar a prisão para uma consulta odontológica.

O jornal El Tiempo apontou que a maioria dos prisioneiros precisa usar o sistema público de saúde oferecido pelo Estado, embora alguns presos paguem um serviço privado e aproveitem para sair da prisão com frequência.

O presídio Buen Pastor, em Bogotá

Crédito, INPEC

Legenda da foto, Merlano estava presa no presídio feminino Buen Pastor, em Bogotá

Eles também questionam os protocolos de segurança e vigilância durante o transporte de presos para essas consultas médicas. Também há perguntas sobre os tempos de reação e a versão da agente.

As autoridades investigam como foi feita a fuga com a corda e quem pode ter sido cúmplice.

Segundo o jornal El Tiempo, a Promotoria investiga os funcionários do centro médico, as agentes, o dentista e alguns familiares de Merlano.

Fraude eleitoral

Aída Merlano é uma política nascida em Barranquilla, que teve mandato na Câmara dos Deputados entre 2014 e 2018.

Ela foi eleita para o Senado para o período de 2018 a 2022, mas não assumiu devido à acusação de fraude eleitoral.

Foto do prontuário de Aída Merlano

Crédito, Inpec

Legenda da foto, Aída Merlano cumpria pena de 15 anos por fraude eleitoral

O Conselho Nacional Eleitoral havia fixado em US$ 252 mil (R$ 1,04 milhão) o teto para despesas eleitorais, mas uma investigação do Ministério Público constatou que Merlano gastou mais de US$ 494 mil (R$ 2,04 milhões) com sua candidatura.

A entidade também disse que a ex-congressista pagou mais de US$ 1,7 milhão para comprar votos na costa do Caribe colombiano para as eleições.

No mês passado, a Suprema Corte condenou Merlano a 15 anos de prisão por conluio, fraude eleitoral (compra de votos) e posse ilegal de armas.

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