Mudanças climáticas: a preocupante onda de calor que fez Sicília bater 48,8ºC, recorde de temperatura na Europa

Bombeiro luta contra chamas apósinício de incêndio florestal em Petralia Soprana, Itália, 10 de agosto de 2021

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Onda de calor do Mediterrâneo levou à propagação de incêndios florestais em todo sul da Itália
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Tempo de leitura: 2 min

A ilha italiana da Sicília pode ter enfrentado a maior temperatura já registrada na história na Europa: 48,8°C.

Autoridades regionais informaram sobre o registro, que precisa ser comprovado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), perto de Siracusa na quarta-feira (11/8).

De acordo com a OMM, o atual recorde oficial na Europa é 48°C, registrado em Atenas, Grécia, em 1977.

A última onda de calor na Itália está sendo causada por um anticiclone — apelidado de Lúcifer — vindo da África. Os anticiclones são áreas de alta pressão atmosférica formada pelo ar que se afunda.

A previsão é que Lúcifer siga para o norte através da Itália continental, aumentando ainda mais as temperaturas em cidades como Roma, capital do país.

O Ministério da Saúde da Itália emitiu alertas "vermelhos" para calor extremo em várias regiões e o número de cidades com maior risco para a saúde deve aumentar de oito para 15 até sexta-feira.

A onda de calor no Mediterrâneo, que viu alguns países registrarem suas temperaturas mais altas em décadas, levou à propagação de incêndios florestais no sul da Itália, com Sicília, Calábria e Puglia as regiões mais afetadas.

Os bombeiros italianos disseram na quarta-feira que estiveram envolvidos em mais de 300 operações na Sicília e na Calábria ao longo de um período de 12 horas, lutando durante a noite para controlar as chamas que queimam milhares de hectares de terra.

Três mortes relacionadas ao incêndio — duas na Calábria e uma na Sicília — foram notificadas pela imprensa italiana.

Na Grécia, os incêndios florestais continuam por todo o país, alimentados por ventos fortes e vegetação seca.

Equipes estrangeiras estão ajudando a combater incêndios no que o primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, descreveu como um "verão do pesadelo".

As mudanças climáticas aumentam o risco de clima quente e seco, que, por sua vez, tendem a alimentar incêndios florestais.

O mundo já aqueceu cerca de 1,2°C desde o início da era industrial e as temperaturas continuarão subindo, a menos que os governos ao redor do mundo façam cortes drásticos nas emissões.

Na segunda-feira, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à ONU, divulgou um importante relatório dizendo que a atividade humana está tornando os eventos climáticos extremos mais comuns.

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