Coronavírus: diretor da OMS agradece Mandetta e diz que combate deve ser baseado em evidências

Michael Ryan durante coletiva de imprensa da OMS em 30 de março

Crédito, AFP

Legenda da foto, Michael Ryan comentou saída de Mandetta durante entrevista coletiva à imprensa na Suíça
    • Author, Marina Wentzel
    • Role, De Basiléia (Suíça) para a BBC Brasil
  • Published
  • Tempo de leitura: 2 min

O diretor-executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, agradeceu o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta por servir povo brasileiro e reforçou a necessidade de se considerar as evidências científicas no combate à pandemia da covid-19.

Durante entrevista coletiva à imprensa da OMS, Ryan se disse agradecido pelos serviços do ex-ministro e afirmou que a estratégia de combate precisa ser pragmática.

"Estamos cientes de que o presidente mudou seu ministro. Estamos gratos pelos seus serviços dele à população", disse o médico.

"É um ponto-chave que não apenas o governo do Brasil, mas todos os governos, tomem decisões baseadas em evidências. Que todo o governo e toda a sociedade tenham essa abordagem contra a covid-19", afirmou.

Mandetta apoiava no Brasil medidas de distanciamento social recomendadas pela OMS, mas acabou demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, que defende o afrouxamento da quarentena e o uso da cloroquina desde o estágio inicial da doença, outro ponto em que discordava de seu então ministro.

Não há comprovação científica da eficácia da substância contra o coronavírus.

O ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, após anunciar saída do cargo

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Mandetta foi demitido por Bolsonaro após semanas de divergências

A pergunta sobre Mandetta foi endereçada ao diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, mas a resposta acabou dada pelo colega, que frisou também as ações da organização no continente americano.

"Estamos todos voltados a proteger as populações mais vulneráveis. A Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) nossa organização na região, tem apoiado o Brasil na resposta à covid-19 desde janeiro deste ano", disse.

"Queremos focar em prover apoio técnico, operacional e científico ao Brasil por meio do nosso escritório para as Américas, e fazer isso com consistência e sem falhas."

Ryan ainda revelou que a organização está ajudando na compra de milhões de kits de testes de diagnóstico, cuja a entrega está prevista para a próxima semana.

Mais cedo, a porta-voz da OMS Fadela Chaib informara por email à BBC News Brasil que a organização não iria "comentar decisões de países", numa menção à demissão de Mandetta, substituído por Bolsonaro pelo também médico Nelson Teich.

Informalmente, a atuação de Mandetta vinha sendo elogiada por técnicos da organização em Genebra e Brasília.

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