Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renuncia ao cargo

Keir Starmer
Legenda da foto, Keir Starmer renunciou em pronunciamento na manhã desta segunda-feira
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao seu cargo nesta segunda-feira (22/06).

O anúncio do premiê do Partido Trabalhista foi feito em pronunciamento em Downing Street, local da residência oficial dos líderes dos governos britânicos.

Starmer disse que todas as decisões que tomou durante o mandato tiveram como objetivo "colocar em primeiro lugar o país que amo".

O próximo premiê britânico será escolhido pelo Partido Trabalhista. O premiê solicitou ao Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista que crie um cronograma para substituí-lo.

Novas nomeações para candidatos a substituí-lo devem acontecer entre 9 e 16 de julho e espera-se que o processo seja concluído até o fim do recesso do Parlamento no verão britânico, que termina em 1º setembro.

Até lá, Starmer permanecerá no cargo de primeiro-ministro.

Nesta segunda-feira, o ex-prefeito de Manchester, o trabalhista Andy Burnham, vai tomar posse como parlamentar por Makerfield, após ter vencido uma eleição complementar na semana passada. Ele é o mais cotado para substituir Starmer.

Analistas acreditam que pode não haver nenhum candidato para a nova liderança do Partido Trabalhista além de Burnham.

Starmer disse ter conversado com o rei Charles 3º para informá-lo de sua decisão de renunciar.

Em um discurso emocionado, Starmer disse que seu partido vinha questionando se ele é a pessoa mais indicada para liderar os Trabalhistas nas próximas eleições gerais — e que ele "ouviu a resposta" de seu partido e aceita a decisão "de bom grado".

Todas as decisões que tomou, segundo ele, foram tomadas pensando em "colocar o país que amo em primeiro lugar".

Por que eleitores estão insatisfeitos?

O governo Starmer enfrenta dificuldades para entregar o crescimento econômico prometido nas últimas eleições, melhorar os serviços públicos, reformar o sistema de assistência social e, entre outras coisas, reduzir o custo de vida enfrentado pela população.

A imigração se tornou central no debate político britânico. Os números aumentaram muito após o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) durante governos de políticos do Partido Conservador, e agora têm caído durante o governo Starmer. Mas muitos eleitores consideram que o governo gasta muito dinheiro, tempo e atenção com imigrantes, sobretudo os que buscam asilo e que dependem de recursos públicos.

O partido Reform UK, de direita radical e que vem rivalizando com os Trabalhistas nas pesquisas mais recentes, adotou como uma das suas prioridades máximas a criação de um órgão responsável por coordenar a deportação de imigrantes em situação irregular.

Além disso, o partido planeja, caso vença as próximas eleições, adotar medidas para proteger a cultura britânica, incluindo novas regras para impedir que igrejas sejam transformadas em mesquitas.

O líder do Reform UK, Nigel Farage, fez um pedido pela realização de eleições gerais na "data mais próxima possível".

Em um texto compartilhado na rede social X, Farage classifica Starmer como "o primeiro-ministro mais incompetente" que o Reino Unido já teve.

Ele afirma que a "classe política" não pode continuar traindo os eleitores, citando como exemplos a mudança de posição sobre o subsídio de aquecimento para o inverno, os níveis de imigração e o acordo abandonado referente às Ilhas Chagos — situações em que o Partido Trabalhista teria decepcionado seus eleitores.

Segundo Farage, caso Andy Burnham venha se tornar primeiro-ministro, ele representaria uma continuidade das políticas de Starmer.

O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, disse que os britânicos estão "fartos" da constante troca de primeiros-ministros.

"O povo britânico está farto de ser decepcionado por um carrossel interminável de primeiros-ministros, enquanto nada realmente muda", escreve Davey no X.

"Desta vez tem de ser diferente. Não pode se tratar apenas de mudar quem ocupa o número 10 de Downing Street; trata-se de mudar nossa política falida para que possamos consertar o país."

O líder do Partido Verde, Zack Polanski, disse que Keir Starmer "perdeu a confiança do país" após não ter desafiado o "poder e a riqueza" do establishment. Polanski diz que isso deixou "a grande maioria em uma crise de custo de vida".

Em eleições locais no mês passado, o Partido Verde conquistou o voto de eleitores de esquerda que tradicionalmente votavam nos Trabalhistas.

Sobre o potencial sucessor de Starmer, Andy Burnham, Polanski afirma que ele "precisará ser ousado ou irá à falência".

"Os primeiros indícios não são animadores e sugerem mais do mesmo, apenas com melhores habilidades de comunicação", diz ele.