O fenômeno que causou terremoto devastador na Colômbia — e não tem relação com tremores na Venezuela

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- Author, Cecilia Barría
- Role, BBC News Mundo
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Embora tudo possa parecer normal na superfície, nas profundezas da Terra há um movimento constante de placas tectônicas.
Um desses movimentos, conhecido como "subducção", foi o que causou o terremoto que atingiu o oeste da Colômbia na manhã de segunda-feira (10/08).
O abalo sísmico de magnitude 7,4, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), teve seu epicentro no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 107 km.
As autoridades relataram que o terremoto causou ao menos 169 mortes, de acordo com a Reuters, citando autoridades locais, além de desabamentos de prédios e sérios danos materiais em cidades como Pereira, Manizales e Cali.
É "o terremoto mais forte sentido no país na última década", disse Julio Fierro Morales, diretor-geral do Serviço Geológico da Colômbia.
Segundo a agência, a atividade sísmica registrada nessa área se deve à dinâmica tectônica natural do oeste da Colômbia e está associada, entre outros processos, ao movimento da chamada placa de Nazca.

O fenômeno conhecido como "subducção" ocorre quando uma placa tectônica afunda e desliza sob outra.
Germán Prieto, professor do Departamento de Geociências da Universidade Nacional da Colômbia, observa que o país está localizado na fronteira entre várias placas tectônicas: a já mencionada Nazca, a Sul-Americana e a do Caribe.
O terremoto registrado nesta segunda-feira ocorreu porque a placa de Nazca, localizada no Oceano Pacífico, está deslizando sob a placa Sul-Americana em direção leste, onde a Colômbia está situada, explica o professor.
O fenômeno da subducção explica por que este terremoto não está diretamente relacionado aos dois abalos que atingiram a Venezuela em 24 de junho.

A Colômbia é um país sismicamente ativo devido à convergência de placas tectônicas (que inclui a placa do Caribe). Rígidas e frias, elas formam a camada mais externa da Terra, enquanto o interior é quente.
"Você pode pensar nisso como um ovo, com um interior macio e uma casca dura", explicou Prieto à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Essa camada rochosa da Terra "se quebra em pedaços como um quebra-cabeça, e esses pedaços se movem; o movimento entre os pedaços é o que gera os terremotos", destacou o especialista.

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A importância da profundidade
O terremoto que atingiu a Colômbia na segunda-feira foi de grande magnitude, mas isso não significa necessariamente que tenha sido o mais destrutivo.
Na verdade, a magnitude de um terremoto é apenas um dos fatores que influenciam seu poder destrutivo.
Outro fator decisivo é a sua profundidade. "Foi um tremor bastante profundo, o que significa que as ondas chegaram à superfície atenuadas", explica Sergio Barrientos, diretor do Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile.

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"Não se trata de um terremoto de choque entre placas tectônicas", explica o sismólogo, "como os que ocorrem na Venezuela, Peru, Equador ou Chile, que tendem a ser mais rasos".
A profundidade é justamente um dos motivos pelos quais o terremoto de 1999 na região cafeeira da Colômbia teve um poder tão devastador, especialmente na cidade de Armenia.

Naquela ocasião, o terremoto teve magnitude de 6,2, mas, diferentemente do atual, foi muito mais superficial e deixou aproximadamente 1.200 mortos, segundo dados oficiais.
O terremoto de segunda-feira ocorreu perto da mesma região, mas uma das cidades mais afetadas foi Pereira, localizada a 45 km de Armenia.
A atividade sísmica no oeste da Colômbia se deve à subducção natural da placa de Nazca, que se move sob o continente a uma taxa de 55 a 60 milímetros por ano, acumulando pressão e energia que são liberadas na forma de terremotos.

O movimento de subducção está relacionado aos limites das placas tectônicas, que podem ser divergentes, convergentes ou transformantes, explica o especialista colombiano Germán Prieto.
No terremoto ocorrido nesta segunda-feira, o limite entre as placas é convergente, o que significa que elas se movem em direções opostas e uma delas, geralmente a placa oceânica, desliza sob a outra.
Esse tipo de fenômeno é comum em várias partes do mundo, acrescenta o especialista. "O Círculo de Fogo do Pacífico é uma manifestação de vários limites convergentes e de subducção, que estão associados a terremotos e cadeias de vulcões."
Ele se estende do Chile e Peru até a Colômbia, passando pela América Central, Canadá, Alasca, Kamchatka, Japão, Ilhas Marianas e, finalmente, termina na Nova Zelândia e Tonga. "Todas essas regiões têm vulcões ativos e terremotos", destaca ele.

Isso tem alguma relação com o terremoto na Venezuela?
O presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, Feliciano de Santis, disse à BBC Mundo que o terremoto na Colômbia e o recente na Venezuela não estão diretamente relacionados.
"Na Venezuela e na Colômbia, compartilhamos as placas Sul-Americana e Caribenha, mas a conexão entre os terremotos é muito indireta", ele diz.
"Não se pode dizer que toda vez que há um terremoto na Venezuela, haverá outro lá depois", mesmo que os dois países façam parte de um sistema de placas interconectadas.
"É como a casca de uma tangerina que se quebra em vários lugares, e todos os pedaços estão interligados."
Na Venezuela, acrescenta o especialista, existe um sistema de falhas diferente. "O sistema colombiano é mais profundo."
É justamente essa profundidade que ajuda a mitigar os danos, ele acrescenta. "Na Venezuela, os sistemas são mais rasos porque nossas placas deslizam lateralmente umas sobre as outras, enquanto na Colômbia existe um sistema de compressão onde uma placa desliza sob a outra", explica de Santis.
É, basicamente, um modelo tectônico diferente.
Colômbia, um país sísmico

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Devido à sua localização na zona de interação das placas tectônicas de Nazca, Caribe e América do Sul, a Colômbia é uma das nações mais sismicamente ativas da América Latina e tem sido palco de grandes terremotos.
O país registra, em média, cerca de 2.500 terremotos por mês, o equivalente a cerca de 80 por dia.
A maioria é de baixa magnitude, imperceptível para a população, e só é registrada em relatórios técnicos, de acordo com o Serviço Geológico da Colômbia.
A localização do país no Círculo de Fogo do Pacífico, uma vasta área que circunda o Oceano Pacífico e concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica mundial, também desempenha um papel importante.
Entre os maiores terremotos registrados está o de 31 de janeiro de 1906, com magnitude de 8,8 e epicentro na costa do Pacífico da Colômbia e do Equador.
A força liberada foi tão grande que gerou um tsunami que atingiu grande parte do litoral do Pacífico.
Houve ainda o terremoto de 1979, com magnitude de 8,1, que ocorreu na costa de Nariño.
Na história recente do país, alguns terremotos tiveram um impacto severo, como o terremoto de 2004, que teve magnitude 7,2, ou o terremoto de La Vega, em 2012, com magnitude 7,1.
Mas como a magnitude não determina necessariamente o impacto, outros terremotos menos potentes causaram devastação no país devido à sua proximidade com áreas povoadas ou à vulnerabilidade das construções.
Um exemplo é o já mencionado terremoto na Armênia em 1999, que deixou 1.185 mortos, ou o terremoto de Páez em 1994, no sudoeste da Colômbia, que também causou mais de 800 mortes.

























