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A frustração de quem ganhou viagem para a Copa e não conseguiu visto para os EUA
Uma viagem dos sonhos virou uma grande frustração para Raphaela, moradora de Hortolândia, no interior de São Paulo.
Ela e o marido ganharam uma viagem com tudo pago para assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo: passagens aéreas, hospedagem, acesso a camarote com open bar e open food.
Mas o casal acabou impedido de embarcar após ter o visto americano negado.
"Foi uma coisa bem frustrante. Inclusive ontem eu recebi o press kit da Coca-Cola, que patrocinou a viagem. Estou até aqui com a camiseta do Brasil e uma mala que eles mandaram para a gente. E infelizmente não vou usar", lamenta Raphaela.
A premiação foi conquistada pelo marido dela, cuja família administra uma rede de supermercados. A empresa participou de uma campanha promovida pela Coca-Cola, que estabeleceu metas de vendas para os estabelecimentos participantes.
Segundo Raphaela, os mercados que alcançassem os melhores resultados entravam em um ranking. O supermercado da família conseguiu atingir os objetivos e garantiu a viagem.
Só que nenhum dos familiares que viajariam possuía a autorização para entrar nos Estados Unidos. Raphaela sequer tinha passaporte quando soube da premiação.
Na tentativa de garantir a documentação necessária, o casal contratou uma assessoria especializada, estudou o processo e até treinou respostas para a entrevista consular. A família inteira — seis pessoas no total — viajou ao Rio de Janeiro, onde conseguiu agendamento mais rápido no Consulado para o atendimento.
Apesar da preparação, a entrevista durou poucos minutos e o visto foi negado.
"Foi todo mundo reprovado. Ninguém passou", relata a jovem, que afirma não entender os motivos para a reprovação.
"Ninguém imaginava que a gente seria negado. A gente é casado. A gente tem uma renda familiar boa para jovens. A gente tem um apartamento próprio no nosso nome. Também tem carro, eu tenho CLT."
Como Rafaela e a família não puderam ir, eles venderam todo o prêmio por R$ 25 mil. E levou menos de um dia pra encontrar um comprador.
Apesar disso, a jovem lamenta ter perdido a experiência de assistir à Copa do Mundo.
"A gente sabe que é uma Copa lendária. Que muitos jogadores incríveis estão se aposentando e não vão jogar mais. Então era minha oportunidade de ver."
O caso de Raphaela está longe de ser isolado. Uma análise do Serviço Mundial da BBC apontou que torcedores de mais de um quarto dos países classificados para a Copa enfrentam restrições de viagem, exigências mais rígidas ou altas taxas de rejeição de vistos para os Estados Unidos.
Segundo o levantamento, 11 países classificados registram taxas de rejeição superiores a 40%. Na Jordânia, o índice chega a 57%. No Senegal, ultrapassa 70%.
Problemas semelhantes também foram registrados em outros países. Na Escócia, torcedores que já tinham recebido autorização para viajar relataram ter recebido comunicados de última hora informando que não poderiam embarcar. Na Argentina, uma empresa chegou a distribuir televisões para torcedores que tiveram seus vistos negados.
A BBC Brasil procurou o Consulado americano para comentar as taxas de rejeição de vistos de brasileiros, os tempos de espera e possíveis medidas especiais relacionadas à Copa do Mundo. Até a publicação da reportagem, não havia recebido resposta.
Assista a um trecho da entrevista no vídeo.
Leia também a reportagem em texto.