Quem é Alfredo Gaspar, anunciado como vice de Flávio Bolsonaro nas eleições 2026

    • Author, Mariana Schreiber
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
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  • Tempo de leitura: 4 min

Sem conseguir atrair outros partidos para sua candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5/8) que terá o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato ao cargo de vice-presidente em sua chapa.

A escolha surpreendeu, já que Gaspar não aparecia entre os cotados. Além disso, havia expectativa de que a chapa seria composta por uma mulher, na tentativa de reduzir a rejeição feminina a votar em Flávio.

Ambos prefeririam manter a neutralidade na corrida presidencial, devido a divergências internas e ao foco principal nas disputas estaduais e na eleição para o Congresso Nacional.

O nome preferido do candidato do PL para concorrer em sua chapa era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nome forte do agronegócio.

Outro nome cotado era a economista Daniella Marques (Republicanos), que presidiu a Caixa no governo de Jair Bolsonaro. As duas estavam presentes no evento em que Flávio divulgou quem seria seu vice e discursaram antes de o nome de Alfredo Gaspar ser anunciado.

Gaspar foi relator da CPMI do INSS, comissão parlamentar que investigou desvios nos benefícios de aposentados e pensionistas. Seu relatório final pediu mais de 200 indiciamentos, incluindo a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O relatório, porém, foi rejeitado pela CPMI.

Segundo deputado mais votado de Alagoas, ele já foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública do Estado no governo de Renan Filho (MDB), filho de Renan Calheiros (MDB). Bolsonarista, depois rompeu com o clã devido à sua aliança com Lula.

"É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, pela honestidade, pela sua história a frente da segurança pública", disse Flávio ao anunciar Gaspar.

"Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe de Ministério Público do seu Estado, alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório", continuou.

Após ser anunciado, Gaspar exaltou Jair Bolsonaro e prometeu lealdade.

"Eu sou o seu soldado. Alguém simples mas que está pronto pra luta. Alguém que tem boa fé, que sabe o tamanho da responsabilidade".

"Terei lealdade e gratidão, terei a coragem de enfrentarmos juntos a corrupção, o crime organizado, e essa economia em frangalhos, culpa do que Lula e a equipe têm feito com o país".

Chapa isolada

Flávio chega para a disputa mais isolado que seu pai em 2022. Naquele ano, quando Jair Bolsonaro tentou a reeleição, teve apoio do PP e do Republicanos. Apesar disso, sua chapa também era puro-sangue, tendo o general Braga Netto (PL) como candidato a vice.

Lula tenta a reeleição com seu vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). O petista entra na disputa com apoio de sete siglas de esquerda: além de PT e PSB, estão na coligação Rede, PV, PSOL, PcdoB e PDT.

Em 2022, o petista tinha apoio de dez partidos, mas o perfil era semelhante, com predomínio da esquerda. Na ocasião, estavam na coligação os mesmos de agora, com exceção do PDT, e havia também o apoio de Solidariedade, Pros e Agir.

'Vice com cara de Centrão'

Para o cientista político da Consultoria Tendências Rafael Cortez, Flávio optou por um nome mais associado à política tradicional do que ao bolsonarismo raiz.

Gaspar começou sua carreira política no MDB e passou também pelo União Brasil, antes de se filiar ao PL.

Cortez lembra que outros nomes mais ligados ao bolsonarismo chegaram a ser cotados, como o da senadora Bia Kicis (PL-DF) e da deputada Júlia Zanatta (PL-SC).

A escolha também privilegiou um nome do Nordeste, região em que Flávio tem menor intenção de voto contra Lula, segundo as pesquisas eleitorais.

"Dada a ausência de figuras de outros partidos apoiando a campanha do Flávio, que optaram pela neutralidade, me parece que a opção foi mais uma escolha voltada para o mundo político do que por algum sinal importante que essa figura traria do ponto de vista do eleitorado", analisa.

"Então, o dilema do Flávio era um pouco esse: uma escolha que daria cara de uma campanha bolsonarista, fazer um apelo [ao eleitorado feminino] eventualmente com uma mulher, ou dar uma cara de política profissional, de um nome que traz alguma interlocução com a política tradicional", continuou.

A cientista política Carolina Botelho, pesquisadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e de Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a escolha de Flávio é consequência da sua dificuldade de atrair siglas fortes da direita para sua coligação.

"Assim como não houve mulher com algum tipo de competitividade que quisesse fazer parte também", afirma.