Qual deve ser a escalação do Brasil contra a Noruega? As opções de Ancelloti, e os vantagens de cada cenário

Carlo Ancelotti rindo e apontando o dedo durante um treino

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Sem Paquetá, que se lesionou no último jogo, Carlo Ancelotti precisará reorganizar o meio-campo contra a Noruega
    • Author, Iara Diniz
    • Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
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O caminho de Carlo Ancelotti à frente da Seleção brasileira tem sido marcado por adaptações: a um novo país, a um novo elenco e, mais recentemente, às lesões.

Depois de perder o lateral-direito Wesley antes mesmo de embarcar para a Copa do Mundo 2026 e o atacante Raphinha — que segue em recuperação — ainda na fase de grupos, o treinador ganhou uma nova dor de cabeça após Lucas Paquetá se lesionar durante a vitória sobre o Japão.

Com a baixa do meio-campista, Ancelotti não poderá repetir a escalação da última partida para enfrentar a Noruega, no domingo (5/7), pelas oitavas de final, e vai ter de encontrar uma alternativa para o meio-campo.

Comentaristas esportivos ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o caminho mais natural é manter o esquema tático utilizado na última partida.

Nesse cenário, o substituto mais cotado é Danilo Santos. O volante do Botafogo já foi testado na função contra a Escócia e reúne características semelhantes a Paquetá, sobretudo na ocupação dos espaços e no equilíbrio entre marcação e saída de bola.

Mas Gabriel Martinelli — autor do gol que garantiu a classificação brasileira para as oitavas — também aparece como um forte candidato à vaga. Sua entrada deixaria a Seleção mais ofensiva, com um desenho diferente no setor de ataque.

Outras alternativas incluem Endrick, Éderson e até Neymar, embora sejam consideradas menos prováveis por exigirem uma mudança mais profunda na estrutura da equipe.

A escolha dependerá da estratégia de Ancelotti para o meio-campo e de quanto ele estará disposto a alterar a formação utilizada contra o Japão para enfrentar uma Noruega que aposta na força física, nas bolas aéreas e no poder de decisão de Erling Haaland.

A expectativa, contudo, é de que o treinador italiano preserve a base da equipe que iniciou o confronto com o Japão, com uma escalação formada por Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Douglas Santos, Casemiro, Bruno Guimarães, Rayan, Matheus Cunha e Vinicius Júnior.

Confira quem são os cinco principais candidatos à vaga de Lucas Paquetá e os pontos fortes de cada um deles.

Cenário 1- Danilo Santos

Danilo Santos com a camisa da Seleção brasileira

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Se Ancelotti optar por manter o esquema tático 4-3-3 usado nos últimos jogos e não mexer na estrutura da equipe, Danilo Santos é o substituto mais óbvio, já que a troca seria de um meio-campista por outro.

Com características mais defensivas, o jogador do Botafogo daria mais proteção ao meio-campo e permitiria que Bruno Guimarães tivesse maior liberdade para participar da construção das jogadas.

Para Renata Mendonça, comentarista do SporTV e cofundadora do Dibradoras, a principal vantagem de Danilo é manter o equilíbrio do meio-campo.

"Ele tem ótimo passe, excelente chegada na área, também ajuda bastante sem bola", podera.

Celso Unzelte, comentarista da ESPN, também vê Danilo como o favorito.

"Pensando com a cabeça do Ancelotti, acredito que ele entrará com o Danilo, que é uma opção mais óbvia e segura para ele como técnico. É o reserva imediato do Paquetá e daria menos dor de cabeça."

Cenário 2 - Gabriel Martinelli

Gabriel Martinelli

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Para entrar com Martinelli no time titular, Ancelotti precisaria alterar a estrutura da equipe. A tendência seria abrir mão de um terceiro meio-campista de ofício para atuar com quatro jogadores de características ofensivas, em uma formação próxima de um 4-2-4.

Na visão de especialistas, a mudança daria ao Brasil mais velocidade e mobilidade no ataque, além de aumentar a pressão sobre a saída de bola da Noruega.

"Martinelli tem muita intensidade, pressiona muito o adversário sem bola e tem outra característica importante no ataque: consegue driblar o marcador e partir para cima", diz Renata Mendonça.

Para Celso Unzelte, embora não seja a alternativa mais provável, o atacante do Arsenal seria uma boa opção para o confronto.

Além das características que oferece ao time, Martinelli chega em alta após marcar o gol que garantiu a classificação diante do Japão. "Isso muda o astral e a confiança do time", afirma.

O comentarista do SporTV Paulo Cesar Vasconcellos também vê vantagens na substituição de Paquetá pelo atacante. Para ele, a entrada de Martinelli favoreceria a atuação de outro jogador: Vini Jr.

"O Martinelli é um jogador que pode atuar por dentro e, com isso, facilitar a vida do Vinicius Júnior. Ao mesmo tempo, ele cria uma movimentação pelo lado esquerdo. Quando o Martinelli abre por ali, o Vinicius pode atacar por dentro", destaca.

Cenário 3- Endrick

Endrick

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Endrick foi a escolha de Carlo Ancelotti para entrar em campo quando Lucas Paquetá se lesionou na vitória sobre o Japão. Na entrevista coletiva após a partida, o treinador não descartou repetir a formação utilizada naquele momento.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, porém, avaliam que o contexto do duelo contra a Noruega é diferente e torna essa alternativa menos provável.

"Contra o Japão, ele foi a escolha diante do que o time estava pedindo naquele momento", afirma Celso Unzelte.

"Endrick seria, para mim, uma opção para o segundo tempo, em uma eventual mudança de estratégia, a depender do que o jogo apresentar. Se o Brasil precisar ter mais jogadores na área, como foi contra o Japão", complementa Renata Mendonça.

Se optar por escalar Endrick entre os titulares — algo que ainda não aconteceu neste Mundial —, Ancelotti também precisará fazer um ajuste na estrutura da equipe. Como o jogar do Lyon atua como centro-avante, Matheus Cunha recuaria para exercer uma função mais próxima à de um meio-campista.

Cenário 4- Neymar

Neymar

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Outra opção, mas considerada "remota" pelos especialistas, devido à sua condição física, é Neymar.

O camisa 10 da Seleção sofreu uma lesão na panturrilha em maio deste ano durante um jogo do Santos contra o Coritiba. Por causa disso, ficou fora dos amistosos do Brasil e dos dois primeiros jogos nesta Copa.

Contra a Escócia, o atacante atuou por 14 minutos, mas não entrou em campo contra o Japão.

Em entrevista à coluna Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (3/7), Ancelotti disse que Neymar está pronto para jogar 90 minutos de um jogo e que vai colocá-lo em campo "quando eu entender que a equipe precisa dele".

Caso Neymar fosse a escolha do treinador italiano para substituir Paquetá, ele entraria em uma função mais centralizada, também no esquema 4-3-3.

"Não acho que Neymar está bem para começar. Então, eu não acredito que ele não será a escolha do Ancelotti", pontua Unzelte.

Cenário 5- Éderson

Éderson

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Se a decisão for por um meio-campo mais forte fisicamente e ainda mantendo o esquema 4-3-3, Éderson poderia ser o escolhido.

Para os especialistas, contudo, ele sai um pouco atrás nessa corrida pela vaga de Paquetá e seria uma opção "mais retranqueira".

"Eu não vejo o Ederson nessa disputa, não. Eu vejo ele hoje até como uma alternativa para o Danilo do lado direito. Eu acho que as possibilidades no meio- campo, elas passam pelo Danilo Santos e pelo Martinelli, dependendo do que o roteiro apresentar", destaca PC Vasconcellos.

Qual a melhor opção diante da Noruega?

Na avaliação dos comentaristas ouvidos pela BBC News Brasil, a decisão de Carlo Ancelotti não dependerá apenas das características dos candidatos à vaga de Lucas Paquetá, mas também da estratégia adotada para enfrentar a Noruega.

O principal desafio é conter Erling Haaland, artilheiro da equipe e principal referência ofensiva. O atacante conta com o apoio do meia Martin Ødegaard, responsável por organizar as jogadas e dar assistência ao camisa 9.

Além disso, a seleção norueguesa tem como pontos fortes a força física e as bolas aéreas, fatores que podem exigir um Brasil mais equilibrado defensivamente.

Nesse cenário, até a altura dos candidatos pode pesar na escolha.

"Paquetá tem 1.80, Danilo e Martinelli tem quase isso, Endrick tem 1.73. Essa perda em estatura também precisa ser levada em consideração", observa Renata Mendonça, que acredita que Danilo seja a melhor opção para a vaga.

"Acho que pra começar o jogo, é melhor manter a estrutura que o Brasil já se acostumou a jogar, com 3 meio-campistas, que saibam pressionar alto, mas também que recomponham rápido porque a Noruega é um time forte e rápido nas transições", destaca.

"A tendência é que a Noruega venha bem fechada na defesa, e aí é muito importante ter jogadores de meio-campo que sejam dinâmicos e que consigam encontrar passes no mínimo espaço. E acho que Danilo encaixa bem nisso."

Por outro lado, a avaliação é que o Brasil pode levar vantagem ao apostar na movimentação do ataque e nas jogadas inidivuais de Vinicius Jr.

"Por isso eu colocaria o Martinelli, que é um jogador a mais para desequilibrar a defesa deles", diz Celso Unzelte.

Paulo Cesar Vasconcellos também aponta Martinelli como a melhor alternativa diante das características da Noruega.

"A Noruega é uma equipe em que a troca de passes rápido de certa maneira desestabilizará o seu sistema defensivo. Portanto, eu creio, mas não cravo, que ele pode optar pelo Martinelli", destaca PC Vasconcellos.