Por que o acordo entre EUA e Irã é pesadelo político para o premiê de Israel

Crédito, AFP via Getty Images
- Author, Lucy Williamson
- Role, Da BBC News em Jerusalém
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- Tempo de leitura: 6 min
O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã colocou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diante de um pesadelo político ao minar os pilares de sua carreira e deixá-lo preso a um novo dilema de segurança.
Como alguém que se apresentava como muito influente em Washington, com acesso real a autoridades americanas, pôde ser tão amplamente marginalizado e ainda criticado publicamente por seu principal aliado, os EUA?
Como o homem que fez do enfrentamento ao Irã o eixo central da política de segurança de Israel poderá terminar a guerra com o regime iraniano em uma posição fortalecida?
E como sua antiga e desgastada imagem política como o garantidor da segurança de Israel poderá sobreviver à exigência de Washington e Teerã de que Israel cesse os ataques ao Hezbollah no Líbano, meses antes de uma eleição geral em Israel?
As opções de Netanyahu agora não são boas. Elas foram resumidas pelo líder da oposição, Yair Lapid, na segunda-feira (15/06), como "ou um confronto direto e destrutivo com nosso maior aliado, ou uma rendição submissa dos interesses de Israel".
A avaliação, recheada de palavrões, do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Netanyahu não demonstrou discernimento ao ordenar um ataque a Beirute no domingo foi explorada por seus rivais políticos e comentaristas da imprensa, já de olho na eleição que deve ocorrer antes do fim de outubro.
Mas comentários de membros do próprio partido Likud de Netanyahu, e de ministros da direita radical em sua coalizão governista, também mostram a pressão que ele enfrenta dentro de seu próprio campo — especialmente em relação à exigência de Teerã de que o cessar-fogo cubra "operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano".
"O acordo de Trump não nos obriga [a cessar os ataques]", escreveu um dos expoentes da direita radical e ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, nas redes sociais na segunda-feira. "Não somos parceiros deste acordo que não garante a nossa segurança."

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"Israel continuará se defendendo", disse Ariel Kallner, parlamentar do Likud, embora não tenha esclarecido se isso significava que Israel continuaria seus ataques.
"Faremos o que for necessário. E esperamos que nossos aliados compreendam", afirmou. "Às vezes há discordâncias entre aliados, e os aliados também devem compreender seus parceiros quando estão em perigo."
Sima Shine, ex-integrante do Mossad e especialista em Irã, disse que "é difícil entender por que os americanos aceitaram isso".
"Ao permitir que o Irã decida o que vai acontecer no Líbano, os EUA estão dando ao Irã a possibilidade de continuar apoiando o Hezbollah e de garantir que o Hezbollah seja um ator político importante no cenário libanês."
"Israel não está satisfeito com isso — nem o setor de segurança, nem o político", afirmou.
Em meio a uma onda de críticas e à indignação em todo o espectro político, o primeiro-ministro de Israel reagiu com irritação, na noite de segunda-feira, às sugestões de jornalistas de que havia fracassado.
"Dediquei a maior parte da minha vida adulta a um objetivo — impedir que o Irã obtenha armas nucleares", disse durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém.
"Faremos o que for necessário. Não me limito de forma alguma em relação a esse objetivo: o Irã não terá armas nucleares."
Mas ele também admitiu que houve casos em que ele e Trump tiveram visões diferentes.
"Expressei minhas opiniões nas discussões, mas temos nossos próprios interesses: primeiro, nenhuma ameaça nuclear; segundo, Líbano — criamos uma zona-tampão e permaneceremos lá pelo tempo que for necessário", disse.
"O Irã queria que nos retirássemos — isso não aconteceu. Sabe por quê? Porque eu me mantive muito firme. Nossos aliados americanos respeitam essa determinação. Também insistimos em preservar nossa liberdade operacional — se formos atacados ou ameaçados, responderemos."
Netanyahu costuma ser rápido em declarar vitórias, mas agora ele enfrenta uma tarefa difícil ao decidir seus próximos passos.
A segurança tem sido o pilar central das promessas de Netanyahu aos eleitores por décadas. Essa é uma mensagem cada vez mais difícil de sustentar.
Sua resposta aos ataques devastadores liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 foi mudar a política de segurança de Israel para uma abordagem mais agressiva — antecipando ameaças em vez de contê-las.
Sua proposta para solucionar a atual crise era mudar o Oriente Médio, eliminando as ameaças enfrentadas por Israel.
Mas, embora as forças israelenses tenham destruído grande parte de Gaza e matado mais de 73 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas, o grupo palestino ainda controla metade do território.
Enquanto isso, um plano de paz mediado pelos EUA e uma administração para Gaza nomeada pelos EUA permanecem em situação de impasse, oito meses após Israel e o Hamas terem concordado com um cessar-fogo.

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A nova estratégia de segurança de Netanyahu levou forças israelenses a ocupar amplas áreas de Gaza, do Líbano e da Síria.
A medida é popular entre muitos israelenses e tende a se estender até a eleição, mas também vem pressionando ao limite os recursos militares do país e seus reservistas, sem uma saída diplomática clara.
Ciclos sucessivos de conflito com o Hezbollah e o regime iraniano não eliminaram os principais inimigos de Israel, mas acabaram deixando Teerã nas mãos de líderes mais linha-dura, com menos medo do poder dos EUA e de Israel e com maior capacidade de projeção por meio do Estreito de Ormuz.
Agora, o principal inimigo de Israel parece ser quem tem mais influência sobre o principal aliado de Israel.
"O fracasso de Israel exige uma reavaliação de sua estratégia em relação a Teerã. [Israel] deve formular prioridades mais realistas e restritas", diz Danny Citrinowicz, pesquisador sobre o Irã no Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel.
"Qualquer movimento militar israelense percebido em Washington como uma tentativa de sabotar o acordo deverá enfrentar uma resposta dura dos EUA", disse ele em artigo para o jornal Israel Hayom.
"Ao contrário do governo Obama, quando Benjamin Netanyahu tentou contornar a Casa Branca mobilizando apoio no Congresso e na opinião pública dos EUA, essas opções quase não existem no momento."
A proposta de Netanyahu aos eleitores israelenses tem sido, há muito tempo, a de que suas políticas e habilidades políticas são a melhor proteção contra ameaças regionais; essa promessa parece cada vez mais superada pela realidade dos fatos.
Uma mudança de regime no Irã poderia ter resgatado sua imagem política e sua narrativa eleitoral. Em vez disso, sua nova abordagem de segurança o deixou diante da escolha entre confronto ou rendição — não frente a um inimigo, mas sim a um aliado.
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).





























