Plano de desarmamento do Hamas pode ser primeiro passo para fim da guerra em Gaza

Crédito, Reuters
- Author, Rushdi Abualouf
- Role, Correspondente em Gaza
- Reporting from, Cairo
- Published
- Tempo de leitura: 4 min
Após meses de negociações intensas, o Hamas aceitou, pela primeira vez, uma versão preliminar do plano do Conselho de Paz para o "desarmamento completo" do próprio Hamas e de outros grupos armados em Gaza.
O plano do conselho, criado pelo presidente americano, Donald Trump, prevê o inventário e o armazenamento das armas pesadas remanescentes sob supervisão palestina, o que pode eliminar um dos principais obstáculos ao avanço da iniciativa de paz para Gaza apoiada por Trump.
A decisão foi tomada pouco depois de o Hamas concluir a eleição de sua nova liderança, que levou Khalil al-Hayya, baseado em Gaza, ao comando do movimento. Ele substituiu Yahya Sinwar, morto em um ataque do Exército israelense em Gaza em outubro de 2024.
Autoridades palestinas envolvidas nas negociações acreditam que a nova liderança estava disposta a tomar o que descrevem como a decisão política mais importante da história do Hamas, motivada pelas condições humanitárias devastadoras enfrentadas por mais de 2 milhões de palestinos na Faixa de Gaza.
Um alto dirigente do Hamas e membro da equipe de negociações do movimento disse em entrevista à BBC que as conversas foram "longas e extremamente difíceis". Segundo esse alto dirigente, o Hamas insistiu na formulação "inventário e armazenamento de armas", sob supervisão palestina, em vez de entregá-las a Israel.
Ainda é cedo para avaliar se o acordo será plenamente implementado ou se todas as partes cumprirão os compromissos assumidos.
Mas, se for cumprido, poderá representar o primeiro passo concreto para pôr fim a uma guerra que já dura quase três anos e abrir caminho para um processo político mais amplo.
No entanto, o anúncio foi recebido pela população em Gaza com pouca empolgação.
Após anos de cessar-fogos fracassados e acordos que acabaram ruindo, muitos palestinos passaram a olhar com profundo ceticismo para novos avanços políticos.
Alguns cidadãos compartilharam suas opiniões nas redes sociais, afirmando que estão menos interessados nos detalhes das negociações do que em saber se este acordo realmente colocará fim à guerra, permitirá que as famílias deslocadas retornem para casa e trará um alívio duradouro.
Para muitos, a confiança tanto no Hamas quanto em Israel continua baixa, já que acordos anteriores fracassaram repetidamente antes de produzir melhorias concretas na vida da população.
A BBC obteve o texto do esboço de quatro páginas, que estabelece um processo em fases ligando o desarmamento do Hamas a uma retirada militar israelense gradual e à implementação de uma nova autoridade palestina de transição, apoiada por uma força internacional de estabilização.
Autoridades americanas disseram que o plano foi elaborado com base em uma lógica de desconfiança mútua e mecanismos de verificação, com nem o Hamas nem Israel avançando para a próxima fase até que o outro lado cumpra seus compromissos.
Segundo elas, grupos menores em Gaza seriam desarmados primeiro, antes de o Hamas começar a desmantelar o que descreveram como sua infraestrutura militar semelhante à de um Estado, incluindo túneis, depósitos de armas e instalações de produção. As autoridades reconheceram, porém, que esse processo levaria consideravelmente mais tempo.
Após a conclusão das fases previstas no roteiro, uma nova autoridade palestina teria controle total sobre as armas em Gaza.
Em uma publicação na rede Truth Social n quinta-feira, Trump afirmou:
"Este é um marco importante na implementação do Plano de 20 Pontos de Trump. O acordo será executado em fases cuidadosamente estruturadas. À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade de garantir que Gaza seja segura para seus moradores e seus vizinhos."
Trump também agradeceu a mediadores do Egito, Catar e Turquia que integram o Conselho de Paz.
O Cairo será sede de uma reunião de mediadores sobre a segunda fase do plano de cessar-fogo, segundo informou a agência AFP, citando veículos de imprensa estatais egípcios.
Reportagem adicional de Helen Sullivan


























