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Chuvas no litoral de São Paulo causam destruição e deixam dezenas de mortos
As fortes chuvas que atingiram o litoral norte de São Paulo neste fim de semana deixaram ao menos 40 mortos e centenas de desalojados e desabrigados, segundo as prefeituras locais e a Defesa Civil do Estado de São Paulo.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse à TV Globo que há pelo menos outras 40 pessoas desaparecidas.
Os temporais causaram alagamentos, deslizamentos, soterramento de casas, afetaram o abastecimento de água e levaram à interdição de rodovias e estradas, deixando os moradores isolados.
Pelo menos 228 pessoas ficaram desabrigadas e 338 foram evacuadas do litoral, segundo o governo do Estado. De acordo com a agência France Presse, as autoridades não informaram o número de pessoas desaparecidas ou feridas.
O chefe da Defesa Civil, capitão Henguel Ricardo Pereira, disse que as autoridades esperam que o número de mortos cresça bastante nas próximas horas, segundo o jornal Folha de S. Paulo.
No início da tarde desta segunda-feira (20/02), o governador Tarcísio disse que a violência das chuvas foi tanta que parte da estrada que corta a região, a Rio-Santos, pode ter sido totalmente arrastada.
"É um volume de terra tão grande que se deslocou em uma extensão tão grande que a gente até levanta a hipótese da rodovia ter sido arrastada junto, da rodovia não existir mais."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobrevoou a região afetada e se encontrou com Tarcísio também nesta segunda - os dois concederam uma coletiva de imprensa conjunta.
"De vez em quando a natureza nos prega uma surpresa, mas também muitas vezes a gente desafia a natureza", disse o presidente, antes de complementar sua declaração pedindo que as pessoas que moram em áreas de encostas sejam realocadas em regiões mais seguras.
O governo do São Paulo decretou estado de calamidade pública nas cidades de São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba, Ilhabela e Bertioga.
Três das cidades tiveram nas últimas 24h um volume de chuva maior do que o esperado para o mês inteiro, segundo a Defesa Civil.
As rodovias Rio-Santos, Mogi-Bertioga e Tamoios estão com interdições totais ou parciais, segundo o governo do Estado.
O abastecimento de água - que já costuma faltar em época de alta temporada - foi interrompido devido ao deslocamento de lama, pedras e outros objetos que diminuíram a vazão nas estações de tratamento, segundo o governo do Estado. Caminhões-pipa atuam nas cidades de São Sebastião e Caraguatatuba.
As equipes da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) trabalham para restabelecer o abastecimento.
Também há relatos de falta de luz e sinal de celular.
‘Situação caótica’, diz prefeito
A cidade de São Sebastião foi a mais afetada, especialmente na praia de Barra do Sahy, segundo o governo do Estado.
Ao menos 50 casas foram soterradas na região, segundo o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto. Em transmissão nas redes sociais no domingo, ele afirmou que equipes de resgate estavam tendo dificuldade de chegar ao local e que ainda havia pessoas sob os escombros.
“A situação é caótica”, disse.
O governador Tarcísio de Freitas viajou para o litoral e o coordenador da Defesa Civil, coronel Henguel Ricardo Pereira, está acompanhando as ações de atendimento aos desabrigados e desalojados.
O governo diz que o Exército autorizou o uso de tropas e de duas aeronaves para as operações de busca e salvamento, que já contam com a atuação de 100 bombeiros. O Exército deve ajudar também na desobstrução das estradas.
Mais cedo no domingo, os helicópteros da PM tinham tido dificuldades nos resgates, ficando impossibilitados de pousar em certos locais.
O ministro Waldez de Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, disse ao UOL que enviou equipes à região e que deve visitar o litoral nesta segunda-feira.
"A situação é grave", disse ao portal.
A Defesa Civil tem uma série de orientações sobre como proceder em caso de emergência. Clique nos links e veja o que fazer em caso de: