'O surfe teve um papel enorme na minha recuperação': o campeão do esporte que perdeu perna em acidente e conseguiu voltar às ondas

    • Author, Nicholas Bourne
    • Role, BBC País de Gales
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  • Tempo de leitura: 4 min

O tetracampeão mundial de surfe adaptado Llywelyn Williams diz que perder a perna na adolescência transformou sua vida para melhor.

O surfe teve um papel fundamental em sua recuperação e nos anos que se seguiram à perda de uma das pernas, depois de ter sido atropelado por um carro em 2011.

O esporte já fazia parte da vida do então adolescente de 16 anos antes do acidente e, apesar dos graves ferimentos sofridos enquanto andava de skate, ele não estava disposto a abrir mão do surfe.

Na verdade, ele lembra que despertou do coma no hospital após sonhar que uma prancha de surfe se colocava entre ele e uma luz intensa, "como aquelas que aparecem nos filmes".

"Ainda não era a minha hora", disse Williams, de Abersoch, em Gwynedd, no País de Gales.

Um amigo perguntou o que ele queria fazer enquanto estava deitado no leito do hospital. A resposta foi voltar para o mar e surfar na Austrália. "A reabilitação era o caminho para eu conseguir voltar ao oceano", disse Williams, conhecido pelos amigos como Sponge.

"Assim que eu entrei no mar de novo, senti como se tivesse renascido. Quando você e a prancha se conectam perfeitamente na onda, a sensação é de que está voando."

'Praticamente morto'

A mãe dele, Eirian Parry, descreve como um "momento lindo" o dia em que os amigos carregaram Williams até o mar, enquanto ele seguia se recuperando da amputação.

Mas ela ainda relembra, visivelmente emocionada, o "pesadelo" vivido quando ela e o pai de Williams foram convidados pelos médicos a assinar o termo de consentimento para a amputação da perna direita do filho.

Em entrevista ao documentário Our Lives: Beyond the Waves (Nossas Vidas: Além das Ondas, em tradução livre), da BBC, David Williams contou que essa foi a decisão mais difícil de sua vida, "mas era a única maneira de salvar" o filho.

"Pensar que ele estava praticamente morto à beira da estrada quando o acidente aconteceu... e depois se tornou campeão mundial", disse o pai de Williams. "Depois que pegou sua primeira onda novamente, ninguém mais conseguiu pará-lo."

O pai também se lembra dos momentos difíceis no início da recuperação do filho.

Em um deles, disse que ele precisava ser forte, mas depois saiu do quarto e chorou sozinho no cômodo ao lado.

"Meus pais sempre me ensinaram que era preciso seguir em frente. Então fiquei com uma perna só, e era isso", disse Williams.

Quando não está surfando, ele trabalha como operador de escavadeira na empresa de construção da família.

"Aprendi a fazer praticamente tudo com uma perna só. A única coisa que ainda não consigo é usar um carrinho de mão", disse Williams, com um sorriso irônico.

Williams disse: "Quando completei 18 anos, entrei na cozinha em minha cadeira de rodas e disse: 'Nós vamos para a Austrália'."

"Passamos um ano viajando pela costa de motorhome e surfando. Poder voltar para lá todos os anos para disputar uma competição é simplesmente fantástico."

Em março, Williams conquistou o título da categoria ajoelhado no Campeonato Australiano Profissional de Surfe Adaptado Bright Sky de 2026 e, orgulhoso, ergueu a bandeira do País de Gales na praia de Byron Bay, no Estado de Nova Gales do Sul.

Em maio, ficou em terceiro lugar no Campeonato Havaiano de Surfe para Pessoas com Prótese North Shore Prosthetics.

Williams banca do próprio bolso a participação nas competições de surfe e diz ser grato ao apoio que recebe de pessoas de sua comunidade.

Ele também tem atuado, ao lado de outros atletas, para que o surfe adaptado passe a integrar o programa de uma futura edição dos Jogos Paralímpicos.

"O surfe teve um papel enorme na minha recuperação, e a comunidade do surfe adaptado me ajudou muito", disse Williams.

"A deficiência tornou minha vida melhor. Tudo é possível para quem tem algum tipo de deficiência."