Lula na Itália: visita inclui encontro de última hora com primeira-ministra de direita radical

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- Author, Luís Barrucho
- Role, Enviado especial da BBC News Brasil a Roma e ao Vaticano
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Itália nesta terça-feira (20/6) para uma visita de Estado e vai se encontrar de última hora com a primeira-ministra, de direita radical, Giorgia Meloni, alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quarta-feira (21/6).
Inicialmente, Lula e Meloni não se reuniriam por "incompatibilidade de agendas", segundo assessores do presidente brasileiro.
Meloni está na França nesta terça-feira para apoiar a candidatura de Roma como sede da Expo Mundial de 2030 e deve se encontrar com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.
Mas, no último momento, um encontro foi organizado pelas equipes de ambos, segundo assessores do presidente brasileiro. A reunião foi confirmada pelo Itamaraty.
Na quarta-feira (21/6), Lula irá ao Vaticano onde será recebido pelo papa Francisco.

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Grande vencedora das eleições italianas no ano passado, Meloni, de apenas 46 anos, conseguiu levar seu partido Irmãos da Itália das margens para o centro político em apenas uma década.
Seu partido, o mais votado na Itália, tem suas raízes fincadas no fascismo e recuperou o lema que popularizou o "Duce", como o ditador fascista Benito Mussolini (1883-1945) era conhecido: "Deus, pátria e família".
A BBC News Brasil contatou assessores da primeira-ministra italiana bem como de seu partido, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.

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Encontros previstos
Lula desembarcou no início da tarde no aeroporto Ciampino Militare, em Roma, Ele foi direto ao hote, não prestando declaração à imprensa.
Mais tarde, ele se encontrará com o sociólogo de esquerda Domenico de Masi.
Autor do best-seller O Ócio Criativo (Sextante) e fluente em português, De Masi é professor emérito de sociologia do trabalho na Universidade La Sapienza, em Roma, e uma das maiores referências internacionais em sociologia do trabalho.
Próximo a Lula, ele o visitou na prisão em Curitiba.
Na quarta-feira, Lula se encontra com o presidente da Itália, Sergio Matarella, no Palácio do Quirinal, residência oficial do presidente italiano.
Diferentemente do Brasil, a Itália é uma república parlamentar — nesse sistema político, o presidente tem funções cerimoniais, enquanto que o primeiro-ministro, no caso, Meloni, é quem dá as cartas dos rumos do país.
Em seguida, Lula se encontra com o papa Francisco. Ele e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, vão ter uma audiência privada com o pontífice. O encontro tratará de "paz, desigualdade e combate à fome", segundo o governo brasileiro.
O presidente também já disse que vai repetir o convite a Francisco para vir ao Brasil, acompanhar o Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações católicas do mundo, realizada em outubro, em Belém (PA).
O pontífice já fez diversas declarações de apoio ao petista, especialmente quando o presidente estava preso. Disse, por exemplo, que o julgamento que o levou à prisão começou com notícias falsas. Falou ainda que Lula foi condenado injustamente e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que comanda atualmente o Novo Banco de Desenvolvimento ("Banco dos Brics"), tem "mãos limpas".
Após o encontro com o papa, Lula se reúne com o arcebispo Edgar Peña Parra, da Secretaria de Estado do Vaticano, o equivalente ao Ministério das Relações Exteriores no Brasil.
No fim do dia, o presidente se encontra com o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri. Gualtieri é próximo a Lula e também o visitou na prisão em Curitiba, quando ainda era eurodeputado.
Lula e Gualtieri devem fazer uma declaração à imprensa e, em seguida, participam de um jantar privado.
Na quinta-feira pela manhã, Lula deve falar com jornalistas brasileiros e depois viaja à França.
Em Paris, Lula participa de uma cúpula sobre financiamento global, na qual deve discursar no encerramento, e se encontra com o presidente francês, Emmanuel Macron.
Segundo o Itamaraty, estão previstas discussões sobre meio ambiente e mudanças climáticas, a cúpula da Amazônia em Belém, para a qual Macron foi convidado; a reunião de líderes da União Europeia-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e também o acordo comercial da UE com o Mercosul.
Também na capital francesa, Lula deve discursar no Power Our Planet a convite do vocalista do Coldplay, Chris Martin. O evento busca aumentar a conscientização sobre a necessidade proteção ao meio ambiente e levantar recursos para combater a crise climática e problemas sociais.

























