O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encorajou os brasileiros a consumirem para manter o ritmo da economia e impedir o desemprego, em sua mensagem de Natal transmitida nesta segunda-feira por emissoras de rádio e TV.
Apesar de fazer um discurso otimista sobre a situação econômica do Brasil em meio à crise financeira global, o presidente brasileiro disse à população que "não tenha medo de consumir com responsabilidade".
"Se você está com dívidas, procure antes equilibrar seu orçamento. Mas se tem um dinheirinho no bolso ou recebeu o décimo terceiro, e está querendo comprar uma geladeira, um fogão ou trocar de carro, não frustre seu sonho, com medo do futuro", afirmou Lula.
E o presidente acrescentou: "Se você não comprar, o comércio não vende. E se a loja não vender, não fará novas ecomendas à fábrica. E aí a fábrica produzirá menos e, a médio prazo, o seu emprego poderá estar em risco."
Lula encorajou ainda os empresários a continuarem investindo, e recomendou que o setor financeiro estimule o crédito e baixe os juros, que ele ainda considera "muito altos".
Para o presidente, "nossa maior defesa hoje é a força do mercado interno".
"Nosso desenvolvimento econômico e social fez com que, nos últimos anos, mais de 20 milhões de pessoas entrassem na classe média", afirmou.
'Sem recessão'
No discurso, Lula ressaltou que o Brasil é hoje "um dos países mais preparados para enfrentar" o desafio da crise global.
"Enquanto a maioria dos países ricos está em recessão, o Brasil vai continuar crescendo", afirmou.
Entre os dados favoráveis da economia, o presidente destacou que a inflação está sob controle, a dívida pública foi reduzida de 52% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2003 para 36% neste ano, a pauta de exportações foi diversificada e há "grandes reservas" em moeda internacional.
"Quando assumimos, o Brasil devia muito ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao Clube de Paris. Hoje, não deve um só centavo. Naquele tempo, nossas reservas em moeda estrangeiras eram baixas. Hoje chegam a US$ 207 bilhões."
Lula disse ainda que o Brasil "não só vencerá a crise, como sairá dela mais forte".
O presidente encerrou o discurso afirmando que em 2009, começarão a ser exploradas as reservas do pré-sal e, com isso, "o Brasil passará a ser um dos grandes produtores de petróleo do mundo".