22 de dezembro, 2008 - 22h41 GMT (20h41 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil
O ministro de Governo da Bolívia (correspondente à pasta do Interior), Alfredo Rada, disse, nesta segunda-feira, que o serviço de inteligência do País descobriu a existência de um complô para matar o presidente Evo Morales.
Segundo Rada, uma pessoa "de origem indígena" seria contratada para cometer o assassinato, num lugar com muita gente.
O ministro fez estas declarações durante entrevista à imprensa boliviana, como informou a Rádio Fides, de La Paz.
"Isso (o atentado) ocorreria num lugar de grande concentração popular, onde o presidente costuma realizar visitas, como o Chapare", disse Rada, referindo-se ao reduto onde Morales passou a ser líder da oposição.
O ministro afirmou que a informação do serviço de inteligência levou o governo a reforçar a segurança do presidente, como se percebeu no fim de semana, durante encontro, em Cochabamba, entre Morales e seu colega do Paraguai, Fernando Lugo.
Lugo esteve na Bolívia participando de campanha pela erradicação do analfabetismo.
Chávez
As declarações de Rada foram feitas um dia depois que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que Morales contou-lhe sobre a descoberta de um plano para assassiná-lo.
"Evo me disse que foi descoberto um plano de atentado contra ele. Não vou revelar mais detalhes porque isso fica para o governo da Bolívia", disse Chávez.
Segundo o presidente venezuelano, o plano contra Morales seria resultado dos "sucessos" do governo boliviano e das limitações da oposição de assumir o poder através do caminho democrático. "Já que a oposição boliviana não pode vencer através de eleições, referendo ou golpe de Estado, então, planeja magnicídio. Eu disse a Evo que tenha cuidado", afirmou Chávez, segundo a imprensa boliviana.
Essa não foi a primeira vez que o presidente da Bolívia falou sobre a existência de um plano para assassiná-lo. No entanto, esta é a primeira vez que um ministro de sua equipe detalha como o "atentado" seria realizado.
No ano passado, Morales denunciou, publicamente, que queriam matá-lo.
Quando era parlamentar, antes de chegar ao Palácio presidencial Queimado, em La Paz, grupos indígenas que o apóiam também afirmaram que a vida do presidente estava em perigo.
Morales e seus partidários costumam dizer que sua chegada – a do primeiro indígena – ao poder revoltou grupos mais conservadores.
A Bolívia vive nestes dias a contagem regressiva para o referendo popular, marcado para janeiro, que vai ratificar ou não a nova Constituição do país – pano de fundo das graves disputas entre governo e oposição.
Em setembro, após o registro de camponeses mortos na localidade de Pando, ao lado do Estado brasileiro do Acre, as duas partes chegaram a uma trégua, mas nos últimos dias os dois lados voltaram a trocar farpas públicas, criando novamente um clima tenso à política local.