20 de dezembro, 2008 - 04h13 GMT (02h13 Brasília)
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, comemorou o pacote de ajuda ao setor automotivo anunciado nesta sexta-feira pelo governo Bush, mas afirmou que o setor precisar passar por “decisões difíceis”.
Obama disse que o pacote é um “passo necessário” para evitar um colapso do setor, mas pediu às empresas que “não desperdicem a oportunidade de reformar práticas nocivas de gerenciamento”.
“Com a ajuda de curto prazo trazida por este pacote, as montadoras devem reunir seus acionistas para fazer as duras escolhas necessárias para alcançar uma viabilidade de longo-prazo”, afirmou.
Nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou um pacote da ordem de US$ 17, 4 bilhões para ajudar principalmente a Chrysler e a General Motors, que correm o risco de falência por causa da crise financeira.
A outra empresa do chamado “grupo das três”, a Ford, já havia anunciado que não precisaria de auxílio de imediato, mas que pode precisar no futuro.
A General Motors deve receber uma ajuda de US$ 9,4 bilhões e a Chrysler de US$ 4 bilhões antes do final deste ano. Outros US$ 4 bilhões devem ser liberados posteriormente.
Os recursos para o pacote da indústria automotiva serão retirados do plano de US$ 700 bilhões de ajuda às instituições financeiras sancionado por Bush no início de outubro.
Por fazer parte de um pacote já sancionado, o montante não precisará receber a aprovação do Congresso.
Foi dado um prazo até 31 de março para que as empresas comprovem sua viabilidade.
Livre mercado
Durante o anúncio das medidas, Bush afirmou que deixar que a indústria automotiva dos EUA entrasse em colapso não seria uma atitude “responsável”.
O presidente ainda disse acreditar que, em outras circunstâncias, o governo não deveria intervir no mercado, mas que foi aconselhado que as conseqüências desta vez poderiam ser catastróficas.
“Sob circunstâncias econômicas normais, eu diria que este (a falência) seria o preço que estas empresas deveriam pagar. Mas estas não são circunstâncias normais”, disse.
Na última quinta-feira, a Casa Branca havia afirmado que estudava até mesmo permitir uma “falência ordenada” das empresas, mas as companhias afirmaram que, mesmo neste caso, acabariam fechando, com o corte de milhares de postos de trabalho.
O CEO da General Motors, Rick Wagoner, afirmou que a empresa “vai se focar em um plano de reestruturação rápida” a partir de agora.
“Este é o começo de uma nova General Motors, uma para nossos próximos cem anos”, declarou.
Vendedores de carros também comemoraram a medida.
“A questão agora é o quanto os consumidores estarão dispostos a comprar carros entre janeiro e março. Temos milhões de dólares
em carros parados nos pátios”, disse Raymond Ciccolo, um vendedor da GM em Boston.