19 de dezembro, 2008 - 14h18 GMT (12h18 Brasília)
O governo dos Estados Unidos rejeitou a idéia de libertar cinco funcionários cubanos acusados de espionagem pelo governo americano e presos há quase dez anos.
Durante sua visita ao Brasil o presidente de Cuba, Raúl Castro, disse que seu governo estaria disposto a libertar presos políticos em troca dos cinco que estão presos nos Estados Unidos, como uma das formas de dialogar com o próximo presidente americano, Barack Obama.
A proposta já foi rejeitada pelo governo de George W. Bush através do Departamento de Estado.
"Durante muito tempo aconselhamos o governo de Cuba a libertar os presos políticos e recomendamos que o faça imediatamente", informou o Departamento de Estado em Washington.
Segundo o porta-voz do departamento, Robert Wood, não é possível comparar a situação dos dissidentes detidos "por fazer propostas pacíficas" com a dos "cinco espiões julgados e condenados de acordo com o processo devido".
Os cinco homens haviam sido enviados aos Estados Unidos com a missão de se infiltrar entre exilados cubanos e, assim, descobrir algum tipo de ação contra o governo do então presidente Fidel Castro.
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não respondeu à proposta.
'Gestos'
A proposta sem precedentes foi anunciada por Raúl Castro a jornalistas na quinta-feira durante um almoço no Palácio do Itamaraty, em Brasília, junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua a primeira viagem internacional como presidente de Cuba.
Castro afirmou em Brasília que o diálogo entre Cuba e Estados Unidos depende de "gestos" dos dois lados.
"Estes prisioneiros que falam, eles querem que nós os deixemos ir? Vamos enviá-los com suas famílias e todas as coisas", disse o presidente cubano durante visita a Brasília. "Devolvam-nos nossos cinco heróis. Isso é um gesto de ambos os lados."
Segundo o analista da BBC Emilio San Pedro, Raúl Castro parece buscar uma aproximação com o próximo presidente americano, que assume o cargo no dia 20 de janeiro.
"Estamos dispostos a conversar com o senhor Obama onde e quando ele quiser", afirmou o presidente cubano a jornalistas em Brasília.
Semanas atrás Castro já tinha feito uma proposta parecida durante uma entrevista com o ator americano Sean Penn.
Mas, em Brasília, o presidente cubano afirmou que o diálogo deve ocorrer "em absoluta igualdade de condições".
Barack Obama já manifestou a disposição de melhorar o relacionamento com Cuba.
O presidente eleito dos Estados Unidos prometeu suspender as restrições a viagens familiares para a ilha e transferências de dinheiro, que foram impostas pelo governo Bush.
Mas, Obama tem se mostrado mais cauteloso em relação a outras medidas e deixou claro que qualquer outra mudança, como a suspensão do embargo americano a Cuba, vai depender de medidas internas a favor da democracia na ilha.
Entre os dissidentes cubanos a proposta de troca não foi bem recebida, segundo San Pedro. Para eles esta proposta é "inviável"
e acrescentaram que "não merecem ser trocados como uma simples moeda".