13 de dezembro, 2008 - 01h40 GMT (23h40 Brasília)
O governo dos Estados Unidos está considerando a possibilidade de usar parte do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao sistema financeiro aprovado pelo Congresso no início de outubro para socorrer a indústria automobilística.
Os planos foram anunciados depois que um pacote de US$ 14 bilhões às montadoras não conseguiu ganhar apoio do Senado, após de ter sido aprovado pela Câmara dos Representantes na última quarta-feira.
O colapso do plano no Senado aumentou os temores de que as três maiores montadoras dos EUA – General Motors, Ford e Chrysler - peçam falência, o que acarretaria no corte de milhares de vagas no país.
Para justificar os planos, a Casa Branca afirmou que a economia dos Estados Unidos pode sofrer muito com um eventual colapso das montadoras.
O governo estava relutante em usar este montante para ajudar a outros setores que não o financeiro, mas, segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, a gestão de George W. Bush agora estava considerando a opção.
A porta-voz ainda declarou que seria “irresponsável causar mais danos à economia ao permitir que as empresas peçam falência”.
“A atual situação econômica é tão grave que ela não conseguiria suportar um golpe como a falência desordenada da indústria automobilística”.
Decepção
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse no dia 20 de janeiro, afirmou estar desapontado com o Congresso, afirmando que “milhões de empregos dependem direta ou diretamente de uma indústria automotiva viável”.
“Minha esperança é que o governo e o Congresso ainda encontrem a maneira de dar às indústrias a assistência temporária que elas necessitam, ao mesmo tempo em que exijam uma reestruturação a longo prazo”.
General Motors, Chrysler e Ford são responsáveis por cerca de 250 mil empregos diretos no país.
O presidente da United Automobile Workers (UAW), o sindicato dos empregados das empresas automotivas, Ron Gettelfinger, afirmou nesta sexta-feira que se um plano de ajuda não for lançado, os resultados podem ser “devastadores”.
Interrupção temporária
Ainda nesta sexta-feira, a General Motors, uma das empresas que seria beneficiada pela ajuda, anunciou que vai interromper temporariamente 30% de sua produção na América do Norte, em resposta à “rápida deterioração das condições do mercado”.
A montadora viu suas vendas caírem 41% no mês de novembro, enquanto a queda total nas vendas de carros nos Estados Unidos foi de 26%.
A interrupção temporária vai afetar 14 fábricas da empresa nos Estados Unidos, assim como três no Canadá e três no México, o que deve reduzir a produção em cerca de 250 mil veículos nos primeiros três meses de 2009.
“A velocidade e a abrangência do declínio do mercado de automóveis nos Estados Unidos foram sem precedentes nas últimas semanas,
com os consumidores vacilantes por causa do colapso financeiro e, como resultado deste, a falta de crédito para financiar
veículos”, disse a empresa em um comunicado.