04 de dezembro, 2008 - 15h20 GMT (13h20 Brasília)
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira um corte recorde na taxa básica de juros de 3,25% para 2,5% nos 15 países que usam o euro como moeda oficial.
A redução foi a maior nos dez anos de história do Banco Central Europeu. A taxa foi cortada pelo terceiro mês consecutivo, em mais uma tentativa da entidade para estimular a economia na zona do euro.
Os Estados membros da zona do euro são: França, Itália, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Holanda, Luxemburgo, Espanha, Portugal, Eslovênia, Malta, Grécia, Áustria, Finlândia e Chipre.
Bancos centrais em todo o mundo estão cortando taxas de juros dramaticamente para tentar conter uma recessão mundial.
O Banco da Inglaterra também anunciou nesta quinta um corte da taxa de juros de 3% para 2%, e o Banco Central da Suécia reduziu sua taxa básica em 1,75 ponto percentual - para 2%.
Recessão
Estatísticas oficiais confirmaram que a zona do euro está em recessão, e os últimos dados econômicos são desanimadores.
"O BCE foi forçado a abandonar sua política monetária gradual com uma série de indicadores econômicos na zona do euro em queda livre", disse Jörg Radeke, economista do Centre for Economic and Business Research.
O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, afirmou que a economia global deve permanecer fraca no ano que vem, assim como a demanda nos países da zona do euro.
Trichet acrescentou que turbulências nos mercados financeiros podem enfraquecer ainda mais a economia da zona do euro.
"O nível de incerteza permanece excepcionalmente alto", disse o presidente do BCE. Segundo Trichet, as pressões inflacionárias também estão diminuindo.
Novo corte?
Alguns analistas prevêem que o custo de empréstimos na zona do euro pode cair ainda mais.
"A recessão na zona do euro parece piorar a cada dia e, ao mesmo tempo, a pressão inflacionária não é mais uma preocupação", diz Carsten Brzeski, do ING Financial Markets.
Muitos países europeus anunciaram nos últimos dias planos de estímulo para ajudar o crescimento econômico.
Nesta quinta, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou um pacote de estímulo de 26 bilhões de euros no país.