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21 de novembro, 2008 - 14h29 GMT (12h29 Brasília)

De Michael Bristow
Da BBC News em Pequim

Chinesa perde disputa com governo e tem casa demolida

Uma ativista famosa na China perdeu nesta sexta-feira uma batalha de seis anos para tentar evitar que sua casa fosse demolida pelo governo.

A advogada Ni Yulan está presa, aguardado julgamento, acusada de tentar obstruir a demolição da casa. Nesta sexta-feira, funcionários do governo destruíram a casa da ativista.

Ni lutava desde 2002 para salvar a casa onde mora com o marido e a filha, no distrito de Xicheng, em Pequim. Ela também passou a defender o direito de pessoas comuns que foram ameaçadas pelo governo de perder suas casas.

Enquanto a China se moderniza em ritmo acelerado, muitas pessoas reclamam que estão sendo obrigadas a deixar suas casas e bairros, onde novos prédios estão substituindo construções antigas.

'Agressão'

O marido da ativista, Dong Jiqin, disse que a demolição foi ilegal, mesmo tendo sido aprovada por um tribunal regional.

"Eles estão usando meios legais para destruir os direitos das pessoas, e não há nada que eu possa fazer contra isso", disse ele.

Ni foi presa diversas vezes por seu ativismo. Ela diz já ter sido agredida pela polícia e hoje usa muletas para andar.

Em abril, ela foi presa ao tentar impedir que funcionários do governo derrubassem uma parede que cerca sua casa.

Segundo o marido dela, no incidente ela foi acertada com um tijolo na cabeça e arrastada pelo chão. Em seguida, ela foi indiciada por obstruir a ordem pública.

O julgamento deveria ter acontecido quatro dias antes da Olimpíada de Pequim, em agosto, mas foi cancelado na última hora.

O seu advogado disse que nenhuma data foi marcada ainda. Ela pode ficar detida por apenas mais um mês, de acordo com a lei chinesa. Segundo o advogado, ela estaria com problemas de saúde na prisão.

Funcionários do governo, policiais e oficiais de Justiça vigiam a casa de Ni desde que a disputa começou.

Na semana passada, eles começaram a derrubar as casas que ainda restavam no bairro.

As autoridades dizem que estão agindo dentro da lei. A China promete publicar um plano de ação para direitos humanos no país.