12 de novembro, 2008 - 16h59 GMT (14h59 Brasília)
O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse nesta quarta-feira que o pacote de US$ 700 bilhões anunciado pelo governo dos Estados Unidos não deverá mais ser usado para comprar papéis podres dos bancos, como previsto inicialmente.
Segundo Paulson, nas últimas semanas o governo examinou os benefícios de usar parte dos recursos do plano para comprar esses ativos tóxicos. "Nossa conclusão neste momento é de que essa não é a maneira mais eficaz de usar os recursos do pacote", disse o secretário.
Paulson disse que o Departamento do Tesouro e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vão continuar a avaliar se a compra dos papéis podres poderá ser usada em algum momento para ajudar a fortalecer o sistema financeiro.
O dinheiro do pacote deverá ser usado principalmente na compra de ações de instituições em dificuldade.
Montadoras
Em uma entrevista coletiva em Washington, Paulson fez uma análise do sobre o plano de resgate do governo americano.
Segundo ele, o pacote ajudou a estabilizar o sistema financeiro, mas há ainda muitos desafios pela frente e a turbulência nos mercados deve persistir por algum tempo.
As declarações do secretário foram feitas depois que a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, pediu na terça-feira que o governo use parte do pacote de US$ 700 bilhões para ajudar as montadoras americanas General Motors (GM), Ford e Chrysler.
Na forma atual, o plano de resgate do governo não contempla as montadoras de veículos.
"Para evitar a quebra de uma ou mais das principais montadoras de veículos dos Estados Unidos, o Congresso e o governo Bush devem agir imediatamente", disse Pelosi.
Prejuízos e cortes
Na última semana, a GM anunciou um prejuízo operacional em todo o mundo de US$ 4,2 bilhões e o corte de empregos.
A Ford também anunciou prejuízo de US$ 2,98 bilhões e corte de salários.
As vendas das montadoras caíram devido à crise econômica mundial. Na GM, as vendas caíram 45% em outubro em comparação com o mesmo mês em 2007.
No mesmo período, a Ford registrou queda de 30% nas vendas, e a Chrysler, de 35%.
Há, porém, grande oposição ao uso dos recursos do pacote para ajudar as montadoras.