09 de outubro, 2008 - 18h47 GMT (15h47 Brasília)
Considerada uma operação clandestina durante anos, a construção de túneis entre a Faixa de Gaza e o Egito vem sendo legalizada nos últimos meses pelo grupo militante Hamas, que controla a região.
O Hamas já registrou centenas de donos de túneis, que por sua vez assinaram compromissos para pagar indenizações aos trabalhadores subterrâneos e para pagar pela eletricidade.
Como Israel e o Egito isolaram o território palestino, fechando as fronteiras há um ano e quatro meses, os túneis são praticamente a única comunicação de Gaza com o mundo exterior.
Os canais subterrâneos também são vistos na região como um dos fatores da manutenção do Hamas no poder.
Comida e lança-foguetes
Os túneis são utilizados para importar praticamente tudo, de geladeiras, comida e roupas a lança-foguetes.
Muitos afirmam que os labirintos subterrâneos são fundamentais para evitar o colapso da economia palestina, bem como para abastecer o arsenal do grupo militante islâmico.
Os palestinos usam pequenos guindastes para subir e descer homens e mercadorias. Os apertados túneis são abertos com o auxílio de furadeiras elétricas e martelos.
Desde setembro, depois da morte de diversos trabalhadores em desabamentos e operações de combate ao contrabando, o Hamas começou a discutir formas de indenizar as famílias dos mortos.
Só neste ano, 45 pessoas morreram. Por isso, de acordo com o Ministério do Interior do Hamas, o governo local solicitou que os construtores assinassem o "diyeh" islâmico, uma espécie de seguro de vida no valor de cerca de US$ 28 mil.
O Egito afirma ter destruído diversos túneis desde a tomada à força da Faixa de Gaza pelo Hamas em junho do ano passado.