01 de outubro, 2008 - 12h53 GMT (09h53 Brasília)
O departamento de Estado americano disse que as razões fundamentais por trás do conflito iraquiano permanecem inalteradas, apesar da melhoria da segurança no país.
O relatório trimestral apresentado ao Congresso afirma que os iraquianos ainda disputam poder e recursos, além de mostrar preocupação quanto à lentidão da incorporação das milícias sunitas às Forças Armadas e das facções sunitas no processo político.
Militares americanos vêm delegando poder às forças de segurança iraquianas e seus aliados entre os sunitas para missões contra insurgentes, resultando em um número maior de casualidades entre iraquianos em setembro, quando comparado com o mesmo mês no ano passado.
Em compensação, o número de soldados americanos mortos no período diminuiu em quase 40%, segundo cálculo da agência de notícias Associated Press.
Integração sunita
O relatório foi divulgado um dia após a transferência de cerca de 100 mil integrantes de milícias sunitas em Bagdá que passam a ser controlados pelo governo majoritariamente xiita.
A partir de novembro, o salário desses sunitas passa a ser pago pelo governo iraquiano e posteriormente, está prevista a transferência de milícias fora da capital do país. Calcula-se que a operação custe cerca de US$ 360 milhões por ano.
Correspondentes temem que, se os sunitas não forem satisfatoriamente empregados pelo governo, eles possam se alinhar novamente com os insurgentes.
A violência no Iraque diminuiu substancialmente no ano passado e um dos motivos reconhecidos para essa redução foi a cooptação de líderes tribais sunitas, que se juntaram aos americanos na luta contra os insurgentes da organização Al-Qaeda.
Desde o ano passado, os militares americanos passaram a armar e pagar salários a grupos sunitas.
A iniciativa transformou a província de Anbar de um violento reduto de insurgentes em uma das regiões mais pacíficas do Iraque.
O relatório apontou o Irã como a maior ameaça à segurança iraquiana.
"Apesar de promessas do contrário, parece claro que o Irã financia, treina, arma e dirige grupos especiais para desestabilizar
a situação no Iraque", afirma.