29 de setembro, 2008 - 23h09 GMT (20h09 Brasília)
Bruno Garcez
Da BBC Brasil em Washignton
Republicanos e democratas trocaram acusações sobre o motivo da rejeição no Congresso americano ao pacote econômico de US$ 700 bilhões proposto pelo governo.
Congressistas republicanos disseram que um discurso supostamente inflamado da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, fez com que muitos integrantes do partido que pretendiam votar pela proposta mudassem de idéia.
Os democratas rechaçaram a acusação como sendo sem cabimento e disseram ter cumprido o papel que era esperado deles, mas que os rivais não teriam agido da mesma forma.
A proposta havia sido submetida a um série de mudanças nos últimos dias, após discussões entre lideranças dos dois partidos e parecia caminhar para a aprovação.
Mas acabou sendo derrubada nesta segunda-feira à tarde, por 228 votos contra 205. Era necessário um total de 218 votos para ratificar o projeto.
Acusações
Congressistas republicanos disseram que um discurso supostamente inflamado da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, fez com que muitos integrantes do partido que pretendiam votar pela proposta mudassem de idéia.
Pouco antes da votação, a líder da Câmara, Nancy Pelosi, fez críticas aos republicanos, afirmando que ''eles dizem ser defensores do livre mercado, mas na verdade defendem uma mentalidade de vale-tudo''.
Pelosi acrescentou ainda que esta mentalidade consiste ainda em ''nenhuma regulamentação, nenhuma supervisão, nenhuma disciplina. E se você fracassa, você ganha um pára-quedas de ouro e o contribuinte é quem salva. Estes dias acabaram. A festa acabou''.
Discurso
De acordo com John Boehner, o líder da minoria republicana no Congresso, teria sido possível obter os votos necessários para aprovar o pacote, "não fosse pelo discurso sectário que a presidente da Câmara realizou''.
De acordo com Boehner, as afirmações de Pelosi ''enveneneram'' a votação e contribuíram para a defecção de integrantes do partido.
Segundo Roy Blunt, o número 3 na hierarquia republicana no Congresso, o pronunciamento de Pelosi provocou a mudança de postura de até 12 integrantes do partido.
''Se as pessoas ficaram com os sentimentos feridos por causa de um discurso e isso fez com que elas votassem de forma distinta do que exige o interesse nacional, então elas não merecem estar aqui'', rebateu o democrata Barney Frank, que integra o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara.
Concessões
Para atenuar os efeitos do pacote sobre o contribuinte, os democratas haviam proposto que os US$ 700 bilhões fossem pagos em prestações e não de uma vez só, como queriam representantes de Wall Street.
A quantia seria paga em três fases. A primeira seria de US$ 250 bilhões. A etapa seguinte seria de US$ 100 bilhões e, por fim, a prestação final seria de 350 bilhões e poderia até mesmo ser derrubada pelo Congresso, caso os políticos julgassem que o pacote não estivesse surtindo efeito.
Outra concessão que os democratas obtiveram foi a de limitar as compensações oferecidas a presidentes de instituições financeiras que estão sendo resgatadas pelo governo.
Insuficientes
Os deputados republicanos se opuseram tanto ao conteúdo do pacote como à rapidez com que ele foi colocado em votação.
No fim de semana, líderes partidários haviam chegado a um acordo em relação a pontos polêmicos, como mecanismos de supervisão do mercado financeiro, proteção para os contribuintes e limites aos salários de executivos de instituições financeiras.
As concessões, porém, não foram suficientes para convencer boa parte dos congressistas a seguir a orientação dos líderes no plenário.