18 de setembro, 2008 - 21h04 GMT (18h04 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil
Os primeiros dias de tramitação, no Congresso da Colômbia, do projeto de lei que propõe um referendo para que os colombianos decidam se o presidente Álvaro Uribe pode concorrer às eleições para um terceiro mandato estão sendo marcados pela polêmica.
De acordo com parlamentares da oposição, o projeto permitiria apenas aos candidatos que governaram o país durante dois mandatos consecutivos concorrer à reeleição, e anularia o texto vigente da Constituição que permite uma reeleição imediata depois de um primeiro mandato.
Assim sendo, para o senador opositor Gustavo Petro, do partido Pólo Democrático, o texto beneficiaria exclusivamente Uribe, único presidente até agora que foi beneficiado pela reforma constitucional de 2004 que permitiu que ele se candidatasse à Presidência pela segunda vez nas eleições de 2006.
"Só há uma pessoa entre os 45 milhões de colombianos com este requisito (dois mandatos constitucionais): o atual presidente Álvaro Uribe", afirmou Petro à BBC Brasil.
O senador Santiago Castro, do Partido Conservador, concorda que a redação do texto é confusa e contemplou realizar uma correção no projeto em debate.
"Somente o presidente Uribe cumpre neste momento os requisitos para a reeleição, mas ainda poderemos modificar a redação do texto, desde que isso não altere a alma da proposta", afirmou Castro à BBC Brasil.
Erro de interpretação
Segundo o analista político Pedro Medellín, há um erro de interpretação do projeto, tanto por parte dos congressistas da base aliada como por parte dos opositores.
Medellín diz que a proposta de referendo inclui a possibilidade do terceiro mandato sem anular a primeira reeleição, vigente desde 2004.
"Se o referendo for aprovado nas urnas, será preciso acomodar a redação da Constituição, incluindo a possibilidade do terceiro mandato, mas sem anular a possibilidade de uma primeira reeleição", disse Medellín à BBC Brasil.
O projeto de lei para aprovar o terceiro mandato foi encabeçado pelo Partido Social de União Nacional, que coletou 5 milhões de assinaturas para poder levar a proposta de referendo ao Parlamento.
Alta popularidade
A proposta tem dividido opiniões. De um lado está a oposição, que acusa Uribe de pretender "se perpetuar no poder".
Do outro está a base aliada, que defende principalmente a continuidade da política de segurança encabeçada pelo presidente colombiano, e que tem como foco principal o combate às guerrilhas.
Em meio à polarização em torno do projeto, Uribe, que no mês de agosto registrou um índice de popularidade de 78%, ainda não revelou se pretende concorrer a uma nova eleição.
Na opinião de analistas, com 70% dos parlamentares na base aliada do governo, o projeto deverá ser facilmente aprovado pelo Congresso.
Ao sair do Parlamento, o projeto será encaminhado à Corte Constitucional e, se aprovado, será levado às urnas para ser votado em referendo no ano que vem.