11 de setembro, 2008 - 09h14 GMT (06h14 Brasília)
Camila Viegas-Lee
De Nova York para a BBC Brasil
O desfile do estilista brasileiro Carlos Miele na Semana da Moda de Nova York, na quarta-feira, contou com a participação ao vivo do cantor Seu Jorge, que ironizou a “pequena burguesia”.
Durante 12 minutos, o músico cantou na passarela o samba Burguesinha, composto por ele, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha, e tentou atrair a atenção das modelos para a letra da música.
Enquanto cantava os versos “vai no cabelereiro, no esteticista, malha o dia inteiro, pinta de artista”, Seu Jorge tentava interagir com as manequins, olhando para elas e erguendo os braços pedindo atenção. Elas respondiam com olhar fixado no infinito.
Por sua vez, a maior parte da platéia, composta por críticos de moda europeus e americanos que não falam português, se deliciava com a irreverência do cantor e o ritmo do samba.
Escolha ousada
Depois da apresentação, cantor disse que foram os 12 minutos “em que mais sofreu pressão na vida.”
“Estou acostumado a cantar duas horas e meia, três horas de show. É diferente para mim. Eu vim até aqui para cantar 12 minutos. Foi a maior pressão de 12 minutos que já tive em toda a minha vida. Mas foi muito bom.”
As peças de Miele foram inspiradas no trabalho do paisagista Roberto Burle Marx e no jardim de sua casa em Florianópolis.
“Não há nada mais luxuoso que a natureza”, disse o estilista nos bastidores. “A coleção retrata as sombras, as cores e as formas curvilíneas da Mata Atlântica”.