22 de agosto, 2008 - 21h44 GMT (18h44 Brasília)
Uma série de falhas, e não apenas um único problema no motor, causou o acidente aéreo que matou 153 pessoas no aeroporto internacional de Barajas, em Madri, na quarta-feira, segundo investigadores espanhóis.
"Uma série de causas provavelmente se somaram para provocar o acidente", disse o chefe da Autoridade de Aviação Civil da Espanha, Manuel Bautista.
O avião da Spanair, um MD-82, saiu da pista e pegou fogo durante uma segunda tentativa de decolagem.
A aeronave, com 172 pessoas a bordo, seguia para Las Palmas, nas Ilhas Canárias.
Dezenove pessoas sobreviveram ao acidente. Quatro estão em "estado muito grave", segundo a imprensa espanhola.
Vídeo
Segundo a imprensa espanhola, um vídeo do desastre mostra que um dos motores não explodiu antes do acidente.
Em declarações ao jornal espanhol El Pais, Bautista disse que o avião só pegou fogo depois de bater no chão.
Essa informação contradiz a versão de testemunhas, segundo a qual um motor estava em chamas no momento da decolagem.
Bautista disse ter visto o vídeo em questão, mas afirmou que não faria comentários
O chefe da Aviação Civil espanhola afirmou que não está claro se uma falha em um sensor de temperatura, que levou os pilotos a abandonarem a primeira tentativa de decolagem, poderia estar relacionada ao acidente.
Bautista disse ainda que mesmo se um motor tivesse falhado, isso não deveria ser suficiente para derrubar o avião.
Investigação
As autoridades espanholas estão analisando os destroços e as caixas-pretas recuperadas no local do acidente.
Os técnicos espanhóis estão trabalhando com a ajuda de especialistas americanos.
Segundo as autoridades espanholas, os resultados das investigações deverão ser conhecidos dentro de aproximadamente um mês.
A Spanair diz que o avião estava em perfeitas condições de voar.
A empresa atravessa dificuldades financeiras, e poucas horas antes do acidente, pilotos da companhia haviam ameaçado fazer greve diante de uma proposta de redução no quadro de funcionários.
Testes de DNA
O desastre aéreo de quarta-feira foi o pior da Espanha nos últimos 25 anos.
Segundo o governo espanhol, serão necessários testes de DNA para identificar muitas das vítimas, já que os corpos ficaram carbonizados.
A vice-primeira-ministra da Espanha, Maria Tereza Fernandez de la Vega, disse que até agora apenas 59 corpos foram identificados, por meio de análise de impressões digitais.
Segundo o governo espanhol, havia 19 estrangeiros de pelo menos 11 países a bordo. Entre eles estava o brasileiro Ronaldo Gomes Silva.
A cerimônia fúnebre das vítimas será realizada na Catedral de Almudena, em Madri, no dia 1º de setembro.