http://www.bbcbrasil.com

21 de agosto, 2008 - 07h46 GMT (04h46 Brasília)

Marina Wentzel
Enviada especial da BBC Brasil a Qingdao (China)

Velejadores Scheidt e Prada ganham prata na classe Star

A dupla brasileira de velejadores Robert Scheidt e Bruno Prada conquistou nesta quinta-feira a medalha de prata da Olimpíada de Pequim na classe Star, em uma campanha marcada por um começo ruim e uma forte recuperação nos últimos dias.

A dupla acabou a regata final em terceiro lugar, na cidade chinesa de Qingdao.

O ouro ficou com a dupla de velejadores da Grã-Bretanha, Iain Percy e Andrew Simpson, que cruzou a chegada em quinto lugar. O bronze foi da dupla sueca Fredrik Loof e Anders Ekstorm, que até a véspera da final era favorita para o ouro.

Scheidt se disse "surpreso e muito feliz" com o resultado.

"Que novidade boa que a gente teve", disse Scheidt à BBC Brasil após a final em Qingdao. "Principalmente pela superação da semana."

O resultado também surpreendeu o proeiro Bruno Prada.

"As coisas estão acontecendo muito rápido. Nós estávamos brigando pelo bronze e ainda veio a prata."

Leia também: Consagrado na Laser, 'novato' teve caminho duro

'Raça'

Em uma tarde de chuva e vento forte de 112 nós, o barco brasileiro liderou a regata durante a passagem pelas duas primeiras bóias, mas caiu para a quinta posição após a terceira marcação.

Após a passagem, a dupla brasileira conseguiu recuperar o terceiro lugar e ainda deu sorte. O time sueco acabou chegando em último. Com isso, os suecos levaram o bronze e o Brasil acabou com a prata.

Após a regata, Scheidt disse que a conquista foi facilitada pelo vento forte, que é a especialidade dos brasileiros. Mas também afirmou que a colocação na final não foi questão de sorte, nem de estratégia. "Eu acho que foi muito mais raça do que qualquer uma das outras coisas."

Na véspera da final, a dupla sueca Fredrik Loof e Anders Ekstorm estava com 18 pontos de vantagem em relação aos brasileiros e liderava o ranking geral.

Na classificação geral, Brasil e Suécia terminaram empatados em 53 pontos, mas o melhor resultado na regata final deu a prata aos brasileiros. A Grã-Bretanha terminou a classificação geral da Star em primeiro lugar com 45 pontos (na vela, ganha a equipe com menos pontos).

A regata final foi vencida pelos poloneses Mateusz Kusznierewicz e Dominik Zycki, seguidos pelos suíços Flavio Marazzi e Enrico de Maria. Ambas as duplas ficaram sem medalha.

Superação

O terceiro lugar brasileiro na regata final selou uma campanha de superação, que não começou bem, mas foi revertida aos poucos.

No começo da série de dez regatas, os brasileiros chegaram a amargar um 11º e dois 10º lugares, mas conseguiram reverter o mau desempenho a partir da quarta regata, na qual chegou em primeiro lugar.

As chances de medalha só se consolidaram na quarta-feira, quando Scheidt e Prada conquistaram três terceiros lugares consecutivos.

Se Scheidt e Prada tivessem ficado fora das quatro primeiras posições na quarta-feira, possivelmente a dupla não teria mais pontuação suficiente para poder competir pelo pódio.

Na véspera da final, o velejador disse que estava lutando por um bronze.

O vento forte também surpreendeu a dupla, que esperava encontrar na raia de Qingdao o habitual vento fraco e já planejava usar uma vela apropriada para esse tipo de tempo, mas teve de adaptar a estratégia às rajadas fortes.

Promessa

Os velejadores chegaram à Olimpíada de Pequim como grande promessa brasileira da vela, por causa do passado consagrado de Scheidt, apesar de o atleta chegar como estreante na classe.

Com duas medalhas de ouro (Atlanta 1996 e Atenas 2004) e uma de prata (Sidney 2000) na classe Laser, o campeão vinha conseguindo bons resultados na Star nos últimos anos.

A expectativa sobre Scheidt também foi grande pois atualmente a medalha de ouro na classe Star pertence ao Brasil com a vitória em Atenas da dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira.

Acompanhe a cobertura da BBC Brasil da Olimpíada de Pequim