21 de agosto, 2008 - 11h32 GMT (08h32 Brasília)
Claire Stocks
Da BBC Sports em Pequim
O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, criticou nesta quinta-feira o velocista jamaicano Usain Bolt pela forma como o atleta comemorou os dois recordes mundiais que quebrou na Olimpíada de Pequim.
Para Rogge, Bolt deve mostrar mais respeito pelos seus adversários na pista.
Na quinta-feira, Bolt bateu o recorde dos 200m rasos, com tempo de 19,30s. No final de semana, ele havia batido o recorde nos 100m, com 9,69s. Foi a primeira vez em 24 anos que alguém bateu os dois recordes na mesma olimpíada.
Dança
Na prova dos 100m, Bolt começou a comemorar antes mesmo de ultrapassar a linha de chegada. Na dos 200m, ele dançou antes e depois da prova.
"Essa não é a forma como nós vemos um campeão", disse Rogge.
"Eu não tenho problema com ele dando um show. Mas eu acho que ele deveria demonstrar mais respeito e apertar mãos no final."
Rogge também foi contra os gestos que Bolt fez nos 100m.
"Ele pode interpretar isso de outra forma, mas a forma como foi visto era 'pegue-me se você puder'. Você não faz isso. Mas ele vai aprender. Ele ainda é um homem jovem."
Os demais competidores não pareciam irritados ao final da prova.
"Eu adoro vê-lo quando ele faz o show dele", disse o americano Shawn Crawford, que ganhou a prata.
"Quando ele foi apresentado, ele estava dançando, e a torcida ama isso. Isso adiciona um pouco de brilho e alegria."
Bolt disse a jornalistas que não tinha "nenhum arrependimento" sobre sua chegada nos 100m ou por sua dança após os 200m.
"É assim que eu sou", disse. "Eu adoro dançar e mostrar às pessoas a minha personalidade. É divertido e a torcida ama isso."
Na quarta-feira, após os 200m, Bolt ainda falou para a câmera "eu sou o número um", enquanto batia com a mão no peito.
Ele foi ovacionado no estádio Ninho de Pássaro. Em seguida, os torcedores cantaram "Parabéns pra você", já que o atleta completa 22 anos nesta quinta-feira.