19 de agosto, 2008 - 07h57 GMT (04h57 Brasília)
Os ministros das Relações Exteriores dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem nesta terça-feira, em Bruxelas, para discutir o conflito entre Rússia e Geórgia.
A reunião de emergência foi convocada pelos Estados Unidos e a intenção é discutir a resposta da aliança à ação russa.
O correspondente para assuntos diplomáticos da BBC, Jonathan Marcus, afirma que não há um consenso sobre como a aliança deveria responder.
De um lado, Grã-Bretanha, Canadá, Estados Unidos e a maioria dos países do leste europeu que participam do bloco irão buscar uma reação mais dura, enquanto países do oeste europeu, liderados por França e Alemanha devem ser mais cuidadosos para não prejudicar as relações com Moscou.
No entanto, os países membros têm a mesma opinião sobre a postura da aliança com relação à Geórgia, e devem oferecer forte apoio político ao país, ressaltando o respeito ao seu território e soberania, além de reiterar a proposta de uma futura adesão ao grupo.
Além disso, o grupo deve ainda oferecer mais apoio humanitário e discutir propostas sobre como reconstruir a infra-estrutura da Geórgia destruída durante o conflito.
Retirada
Marcus ressalta ainda que os principais objetivos diplomáticos da Otan são a retirada completa das tropas russas do território georgiano, a presença reforçada de observadores internacionais e um acordo de paz mais neutro.
Na segunda-feira, a Geórgia disse não ter provas de que a Rússia teria começado a retirar tropas do seu território, como está previsto no cessar-fogo assinado pelos dois lados.
"O lado russo está violando gravemente as condições do acordo de paz assinado pelos presidentes de Geórgia, França e Rússia", afirmou diz um comunicado oficial do Ministério do Exterior georgiano, citando novas operações russas no seu território.
Um porta-voz do Ministério da Defesa russo, general Nikolay Uvarov, porém, afirmou que a retirada já foi iniciada, embora tenha dito que a operação levará dias para ser concluída.
O conflito em torno da Ossétia do Sul começou há 12 dias, quando o Exército georgiano tentou recuperar o controle da região rebelde, onde um movimento separatista luta pela unificação com a Ossétia do Norte, que fica em território russo. Em resposta à ofensiva de Tbilisi, a Rússia enviou tropas para expulsar os georgianos.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, está em Bruxelas para a reunião desta terça-feira.
Durante a viagem até o país, ela falou com a imprensa e afirmou que a Otan não pode permitir que a Rússia atinja seus objetivos
estratégicos na Geórgia ou intimide outros governos do antigo bloco soviético.
“Temos que rejeitar os objetivos estratégicos da Rússia, que são claramente ameaçar a democracia na Geórgia, usar sua capacidade militar para danificar ou destruir a infra-estrutura do país e tentar enfraquecer o estado georgiano”, disse Rice aos jornalistas.
Washington negou acusações feitas por Moscou de que estaria tentando prejudicar o Conselho Rússia-Otan, um painel criado em 2002 para melhorar as relações entre os antigos inimigos da época da Guerra Fria.