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Tariq Saleh
De Beirute para a BBC Brasil

Explosão deixa pelo menos 11 mortos no Líbano

Uma forte explosão deixou pelo menos 11 pessoas mortas e 45 feridas na cidade de Trípoli, no norte do Líbano, na manhã desta quarta-feira, segundo fontes militares. Mais cedo, a imprensa local anunciou que pelo menos 17 pessoas haviam morrido.

Pelo menos seis dos mortos eram soldados do Exército libanês, segundo autoridades militares. A explosão aconteceu no centro comercial e financeiro da cidade, conhecida pela circulação de soldados.

Segundo informações das autoridades, a bomba teria sido colocada em um pequeno ônibus que explodiu quando veículos militares passavam pelo local.

VejaAssista à reportagem.

Neste ano, os militares já haviam sido alvos de atentados menores no norte do Líbano, mas este foi o maior até agora.

Disputa

Trípoli, a segunda maior cidade do país, vem enfrentando uma série de confrontos entre as comunidades sunitas e alawitas nos últimos meses. Os conflitos já deixaram mais de 23 mortos e espalharam temores de uma guerra sectária.

Forças de segurança e o Exército já vinham alertando para o crescimento de grupos fundamentalistas muçulmanos no norte do país.

Os grupos sunitas estão recrutando militantes para combater o que eles chamam de “ameaça xiita”, se referindo ao crescente poder militar e político do Hezbollah.

Diplomacia

O atentado em Trípoli aconteceu horas antes de uma conferência sírio-libanesa em Damasco, onde o presidente Michel Suleiman, ex-comandante do Exército, se encontrará com o seu colega sírio, Bashar al-Assad.

O encontro tem como objetivo iniciar as conversas oficiais para que os dois países estabeleçam relações diplomáticas e abertura mútua de embaixadas pela primeira vez desde a independência do mandato francês.

O atentado também acontece um dia após a aprovação, pelo parlamento libanês, do novo governo de união nacional do primeiro-ministro, Fouad Siniora.

Na terça-feira, os parlamentares aprovaram o voto de confiança ao novo gabinete, que contará com a participação do Hezbollah e seus aliados com poder de veto.

O novo governo é instaurado depois de 18 meses de crise política entre as facções rivais que quase levaram o país para uma nova guerra civil. Os dois lados acabaram chegando a um acordo mediado pelo governo do Catar.