13 de agosto, 2008 - 08h14 GMT (05h14 Brasília)
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ao jornal francês Le Monde que é preciso agir rápido para salvar a Rodada Doha.
Em entrevista publicada pelo diário nesta quarta-feira, o ministro disse que ainda há uma “pequena chance” de se chegar a um acordo após o fracasso das negociações em Genebra, no mês passado.
“É preciso agir rápido, a partir do mês que vem, seja em Brasília ou no exterior, antes que outros fatores políticos, como eleições nos Estados Unidos e na Índia interfiram ainda mais”, disse ele ao Le Monde.
Para Amorim, o presidente Lula, “com a autoridade de alguém que venceu tantos obstáculos em sua vida, pode convencer (as principais lideranças) a retomar o diálogo”.
“Lula já conversou com Bush a respeito. Em Pequim, reuniu-se com o presidente Hu Jintao. Ele vai telefonar para o primeiro-ministro indiano e já estamos em contado com os australianos e indonésios”, disse o ministro.
Celso Amorim disse que o Brasil está convencido de que o sistema multilateral é essencial ao mundo de hoje e que os acordos bilaterais não são uma boa solução.
“A OMC tem seus defeitos, mas funciona bem. A falta de acordo afetará sobretudo os países pobres, pois as subvenções e as barreiras aduaneiras são pagas com vidas humanas, privações para populações inteiras e com o atraso no desenvolvimento de algumas nações”, disse Amorim.
Segundo o ministro, o Brasil perde em curto prazo com o fracasso de Doha, mas conta com vantagens como “solos ainda inexplorados, o sol, a água, tecnologia e exportações agrícolas que não param de crescer”.