11 de agosto, 2008 - 13h33 GMT (10h33 Brasília)
Marina Wentzel
De Hong Kong para a BBC Brasil
Descrentes em uma vitória, a equipe brasileira de cavaleiros que participa das provas de hipismo em Hong Kong criticou a parcialidade dos juízes europeus nas provas e avaliações veterinárias.
Os cavaleiros da categoria CCE (Concurso Completo de Equitação), ou Prova dos Três Dias como é conhecida em inglês, André Paro e Saulo Tristão acreditam que infelizmente o Brasil não tem chances de conquistar uma medalha na final prevista para terça-feira. O Brasil terminou a segunda-feira em penúltimo na categoria.
Segundo eles, o resultado fraco se deve, em parte, ao julgamento "preconceituoso" dos juízes.
"Os juízes não ajudam. Eles têm preconceito contra sul-americanos. Principalmente em provas subjetivas como adestramento, eles dão notas muito mais baixas para a gente do que dariam a um europeu. É ladroeira mesmo", disse à BBC Brasil o cavaleiro André Paro.
"Acho que existe parcialidade no julgamento e isso se deve ao fato de o Brasil não ter uma grande tradição no esporte, o que acaba influenciando a decisão dos juízes", avalia Saulo Tristão.
Os atletas também lamentaram a desclassificação de Rogério Clementino, que deveria competir na equipe de adestramento na próxima semana. O cavalo Nilo, montado por Clementino, foi reprovado no exame veterinário nesta segunda-feira.
Clementino seria o primeiro cavaleiro negro a disputar uma prova pelo Brasil. Ao contrário da maioria dos atletas do hipismo, considerado um esporte de elite, ele não aprendeu equitação por hobby, mas sim por profissão. Ele chegou a trabalhar como peão de rodeio.
Os cavaleiros Leandro Silva e Luiza de Almeida, colegas de Clementino, ainda poderão competir, mas apenas na categoria individual.
Medalhas
"Praticamente não há chance de ganharmos uma medalha no CCE. É só comparar a nossa pontuação para ver que não tem mais volta", diz Paro.
O concurso Completo de Equitação, CCE, é uma modalidade que é disputada ao longo de três dias.
A pontuação final é negativa, estão vence a equipe que marcar menos pontos ao longo dos eventos, pois isso significa menos erros cometidos.
O Brasil concluiu as provas desta segunda-feira com 295.10 pontos. A Alemanha, que é líder, marcou 158.10 pontos.
No primeiro dia do CCE, os cavaleiros enfrentam provas de adestramento em que o cavalo precisa galopar com ritmo e postura corretos.
No segundo dia, cavalos e cavaleiros tem que percorrer um trajeto ao ar livre repleto de obstáculos em um tempo mínimo estabelecido, numa prova que também é conhecida como "cross country", que foi disputada nesta segunda-feira.
No último dia, os montadores enfrentam desafios de saltos e recebem as medalhas.
Participam do concurso cinco cavaleiros de cada país e os três melhores desempenhos são considerados para o cálculo da nota final por equipe.
O cavaleiro Fabrício Reis Salgado não chegou a competir, pois a égua Butterfly, que iria montar, apresentou uma lesão no jarrete posterior nos exames veterinários na sexta-feira e foi desqualificada.
"Foi uma fatalidade. O cavalo estava mancando, mas não estava seriamente machucado. Só que como o intervalo entre a primeira e a segunda inspeção veterinária é de apenas 10 minutos não deu tempo para o animal se recompor", lamentou o chefe de equipe, Coronel Cyro Rivaldo Filho.
Com apenas quatro cavaleiros, o Brasil chegou em último nas primeiras provas, as de adestramento, disputadas durante o fim de semana.
Nesta segunda-feira os brasileiros conseguiram um resultado melhor em cross-country e concluíram o dia em 10º à frente da equipe francesa, porém perderam um cavaleiro.
Desclassificação
Saulo Tristão foi desclassificado depois que a égua Totsie refugou três obstáculos no percurso ao ar livre, às margens do rio Beas.
"A minha égua é muito nova. Ela não compreendeu o meu comando e acabou me desobedecendo três vezes", disse Tristão.
Mas a pesar da desqualificação nestas Olimpíadas, Tristão tem esperanças para 2012.
"Até lá terei treinado mais e a minha égua estará mais madura, acho que teremos melhores chances."
Terça-feira é último dia de competições da modalidade CCE e os três cavaleiros brasileiros que restaram na equipe deverão enfrentar provas de salto.
André Paro, Marcelo Tosi e Jéferson Sgnaolin com os cavalos Super Rocky, Escudeiro e Land Heir tentarão defender uma posição entre as oito primeiras equipes.
No momento, a liderança da competição de CCE está com a Alemanha com 158.10 pontos, seguida da Austrália com 162.00 pontos e da Grã-Bretanha com 173.70 pontos.
O Brasil está em 10º, na penúltima posição, com 295.10 pontos.