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06 de agosto, 2008 - 19h54 GMT (16h54 Brasília)

Rodrigo Durão Coelho
Da BBC Brasil no Cairo

Mortos sob tortura mais que duplicaram no Egito em 2007, diz ONG

Quatorze pessoas morreram sob tortura no Egito em 2007 enquanto estavam sob custódia policial - mais do que o dobro do número verificado em 2006, quando seis pessoas teriam morrido nessas condições, segundo a mais importante organização de defesa dos direitos humanos no país.

Em seu relatório anual, publicado nesta quarta-feira, a Egyptian Organization for Human Rights (EOHR) afirma ter monitorado 40 casos de tortura ocorridos em delegacias do país no ano passado, dez incidências a mais do que em 2006.

"Os números mostram que a tortura é um método comum e sistemático nas prisões egípcias", afirmou à BBC Brasil Hafez Abu Seada, secretário-geral da EOHR.

"E o mais alarmante é que as vítimas do abuso são gente simples, do povo, que formam a maior fatia da população", afirmou.

"Os casos de morte sob tortura aconteceram por crimes pequenos, corriqueiros, que não foram politicamente motivados, e as vítimas não são parte de alguma minoria perseguida."

"Os três métodos mais comuns de tortura no país são choques elétricos, espancamentos e afogamentos. Obviamente alguns têm condições físicas melhores e podem agüentar sessões de tortura. Outros não."

Procurados pela reportagem da BBC Brasil, vários integrantes do governo egípcio preferiram não comentar o assunto, alguns alegando não terem tido ainda examinado o relatório.

No entanto, no passado, autoridades egípcias negaram que a tortura seja uma prática comum no país e disseram que ocorrências são investigadas e os culpados, processados.

Liberdade de expressão

Além dos casos de tortura, o relatório do EOHR aponta violações contra vozes críticas ao governo na imprensa.

"Sentimos que existe um movimento do governo para silenciar a oposição, a liberdade de expressão e a imprensa como um todo, mesmo contra blogs e ativistas na internet", diz ele.

Seada cita os casos de quatro editores-chefes de jornais que foram sentenciados a um ano de prisão cada por terem escrito artigos contrários ao presidente Hosni Mubarak.

"Todos eles criticaram o governo em artigos, falaram de corrupção, violação dos direitos humanos e reformas constitucionais. O governo se recusa a ouvir essas vozes e os coloca na cadeia", disse.

Embora não disponha de estatísticas consolidadas referentes ao ano de 2008, Saeda diz acreditar que o relatório que deve ser publicado no ano que vem mostrará uma realidade bastante pior do que a de 2007.

"Em 2008, aconteceram vários protestos e greves motivadas por condições econômicas, e a forma como a polícia lidou com eles foi muito violenta. Eles usaram bastões, bombas de gás e realizaram prisões em massa. Até hoje ativistas da greve do dia 6 de abril estão na cadeia", afirma ele.