22 de julho, 2008 - 16h05 GMT (13h05 Brasília)
M Ilyas Khan
De Karachi para a BBC
O homem apontado como o comandante das operações da rede extremista Al-Qaeda no Afeganistão, Mustafa Abu al-Yazid, confirmou em uma rara entrevista que o grupo estava por trás do atentado a bomba contra a embaixada da Dinamarca no Paquistão, no mês passado.
A entrevista foi concedida à emissora de televisão paquistanesa Geo e é a primeira de um alto comandante da Al-Qaeda à imprensa independente desde maio de 2002.
Na ocasião, dois personagens centrais dos atentados de 11 de setembro, Khalid Sheik Mohammed e Ramzi bin al-Shibh, foram entrevistados por um repórter da rede Al-Jazeera.
"Nós estamos orgulhosos do ataque, e eu dei os parabéns a meus colegas por conduzi-lo de maneira bem-sucedida", disse Al-Yazid, que é o número 3 da Al-Qaeda, sobre o atentado suicida realizado no dia 2 de junho, na capital do Paquistão, Islamabad.
"Nós havíamos escolhido um horário para o ataque em que não houvesse nenhum muçulmano inocente por perto", acrescentou Al-Yazid.
Oito pessoas morreram no atentado, todas identificadas como muçulmanas. O ataque também deixou uma brasileira ferida.
Pouco depois do atentado, Al-Yazid disse na internet que a ação havia sido uma vingança pela republicação de uma charge do profeta Maomé - considerada ofensiva por muçulmanos - em jornais dinamarqueses.
Ataques
Segundo a emissora, Al-Yazid foi entrevistado em um local não identificado na província afegã de Khost, pelo repórter Najib Ahmad.
Al-Yazid, um egípcio de 53 anos também conhecido como xeque Saeed, deu a entrevista em árabe.
Acredita-se que Al-Yazid seja o comandante operacional da Al-Qaeda no Afeganistão, uma posição que os serviços de inteligência ocidentais consideram central para o planejamento e a execução de ataques militantes ao redor do mundo.
Ele também é apontado como o responsável pelo planejamento financeiro dos ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.
Al-Yazid disse ao entrevistador que a Al-Qaeda esteve envolvida nesses ataques, assim como nos atentados de 1998 contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia.
Na entrevista, Al-Yazid também condenou o governo do Paquistão por lutar contra militantes islâmicos, justificou a realização de atentados suicidas e pregou a vitória das forças do Talebã e da Al-Qaeda no Afeganistão.
Acredita-se que Al-Yazid seja um veterano da Al-Qaeda que esteve preso no Egito em 1982 em conexão com o assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat.
Al-Yazid chegou à posição de número 3 da Al-Qaeda há cerca de um ano, depois que seu antecessor, Abu Ubaida al-Masri morreu de hepatite, no Paquistão.