19 de julho, 2008 - 14h46 GMT (11h46 Brasília)
Um alto funcionário do governo americano participa neste sábado, em Genebra, de um encontro internacional com autoridades iranianas para discutir o programa nuclear do Irã.
A presença do subsecretário de Estado americano, William Burns, na reunião com o principal negociador do programa nuclear do Irã, Saeed Jalili, é considerada um acontecimento histórico.
Esta é a primeira vez que uma autoridade dos Estados Unidos se senta à mesa com um interlocutor iraniano conversar sobre o assunto.
Além de Burns, também participam do encontro o representante da União Européia para Política Externa, Javier Solana, além de autoridades da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, países-membros do Conselho permanente da ONU.
O objetivo da reunião é obter uma reposta por parte do Irã sobre a oferta de um pacote econômica em troca da interrupção de seu programa nuclear.
A proposta foi apresentada ao Irã no mês passado por Solana, em nome dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e da Alemanha.
O pacote inclui uma série de medidas para ajudar o Irã a desenvolver um programa nuclear civil.
O Irã vem se recusando a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, apesar da pressão internacional.
Os Estados Unidos e outros países do Ocidente temem que o Irã, sigilosamente, tente desenvolver uma bomba nuclear, e por isso exigem o fim do programa iraniano.
No entanto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, diz que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e é um direito do povo iraniano.
Mudança de postura
Segundo a correspondente da BBC em Genebra, Bethany Bell, uma das autoridades iranianas envolvidas nas negociações, Kevyan Imani, reafirmou a posição de seu país, de que a suspensão do programa nuclear “está fora de questão”.
A correspondente afirma, no entanto, que os iranianos podem estar considerando desacelerar o ritmo de suas atividades nucleares.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Motakki, descreveu o encontro como “positivo e construtivo” e disse esperar que dele se formem “as bases para futuras negociações”.
Os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a Revolução Iraniana em 1979 e a captura de reféns da embaixada americana em Teerã.
Em 2002, o governo Bush incluiu o Irã na lista de países do chamado “Eixo do mal”, ao lado da Coréia do Norte e Iraque, e disse que não negociaria diretamente com o país, a menos que suspendesse seu programa nuclear.
A seis meses de deixar a presidência, o presidente Bush parece estar adotando uma política mais conciliatória.