07 de julho, 2008 - 22h49 GMT (19h49 Brasília)
Bruno Garcez
Da BBC Brasil em Washignton
Um dos três reféns americanos resgatados de um cativeiro do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na semana passada disse nesta segunda-feira que a organização é um grupo terrorista.
''Eles não são um grupo revolucionário. Eles são terroristas, com T maiúsculo. Suas principais atividades são tráfico de drogas, seqüestros e extorsões'', afirmou Marc Gonsalves.
Foi a primeira vez que os três ex-reféns fizeram declarações públicas desde que foram resgatados, juntamente com outras 12 pessoas, entre elas a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, pelo Exército colombiano.
O tom de Gonsalves foi bem distindo do de Betancourt. Em entrevista recente, a política colombiana disse que o governo do presidente Álvaro Uribe, e a Colômbia como um todo, devem abdicar da linguagem do radicalismo, do extremismo e do ódio contra as Farc.
Os três americanos foram seqüestrados pelas Farc em 2003. Marc Gonsalves, Keith Stansell e Thomas Howes prestavam serviços para o Exército da Colômbia e vistoriavam uma região que supostamente abrigaria cultivo de drogas quando o avião em que viajavam foi abatido por guerrilheiros na selva colombiana.
'Mentira'
''Eles (as Farc) dizem buscar a igualdade e afirmam que querem fazer da Colômbia um lugar melhor, mas é tudo mentira'', disse Gonsalves.
Segundo o ex-refém, ''até mesmo muitos de seus próprios guerrilheiros cometem suicídio, em uma tentativa desesperada de escapar''.
Gonsalves disse que a maioria dos integrantes das Farc são crianças que vivem em extrema pobreza, muitas das quais nem sequer sabem ler.
Entre os atos de crueldade que o grupo guerrilheiro cometeria habitualmente, segundo Gonsalves, estaria a prática de manter seus reféns ''acorrentados pelo pescoço, como cães'' e de ter mantido em cativeiro na selva até mesmo um bebê recém-nascido que necessitava de cuidados médicos.
As Farc lutam contra o governo da Colômbia há mais de quatro décadas. Acredita-se que o grupo ainda mantenha centenas de reféns nas selvas do país.