21 de junho, 2008 - 19h14 GMT (16h14 Brasília)
Ruralistas argentinos começaram neste sábado a liberar as estradas do país, após cumprir sua promessa de manter os bloqueios rodoviários até a última hora da sexta-feira.
O fim – pelo menos temporário – de uma disputa de 101 dias entre as entidades de produtores e o governo da presidente Cristina Kirchner está levando à uma normalização da situação no país.
Pela primeira vez em três meses, os alimentos reaparecem nas gôndolas dos supermercados argentinos e as exportações alcançam os portos.
Os protestos foram uma resposta de entidades do setor rural a uma medida oficial que elevou os impostos às exportações de grãos – como a soja, da qual a Argentina é um dos maiores produtores mundiais.
A medida foi adotada em março e continua em vigor, mas será agora debatida pelo Congresso.
O correspondente da BBC em Buenos Aires David Schweimler contou que, em determinado momento, mais de 300 bloqueios estavam sendo realizados simultaneamente no país.
Os protestos tornaram impossível viajar pela Argentina – prejudicando a indústria do turismo – e a falta de matéria-prima causou danos ao setor produtivo, disse o correspondente.
Segundo o repórter da BBC, as entidades ainda consideram retomar as manifestações se não houver progresso no debate parlamentar.
De acordo com o governo de Cristina Kirchner, a elevação dos impostos havia sido decidida com a finalidade de desestimular as exportações de alimentos, aumento a oferta interna.
Na visão do governo, esta seria uma maneira de combater a inflação e a pobreza.