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FAO reafirma meta de reduzir fome pela metade até 2015

Depois de um dia de debates, representantes de mais de 180 países que participaram da conferência da FAO (o órgão de alimentação e agricultura da ONU), em Roma, chegaram nesta quinta-feira a um acordo sobre o texto final da conferência.

O documento pede uma “ação urgente” contra a crise dos aumentos de preços dos alimentos e diz que a comida não deve ser usada como “uma arma” política ou econômica. O encontro também reafirmou as metas da ONU de reduzir pela metade a fome no mundo até 2015.

A divulgação do texto final foi adiada em várias horas por causa de desentendimentos que se intensificaram no último dia de negociações.

Antes da entrevista coletiva que encerrou o encontro, alguns países que fizeram ressalvas ao acordo se manifestaram.

Biocombustíveis

O governo argentino, que recentemente adotou medidas para evitar a exportação de alimentos, queria evitar a condenação de “medidas restritivas”.

Outra nação que queria ver mudanças no documento final é Cuba.

Os diplomatas cubanos queriam introduzir de forma indireta a discussão sobre o embargo feito pelos Estados Unidos à ilha.

Em uma intervenção antes do encerramento do encontro, representantes cubanos disseram que queriam saber quais Estados “têm objeções ao multilateralismo e ao respeito do direito internaciona”.

Segundo fontes na conferência, o governo americano foi um dos que se opôs à inclusão do assunto no documento final.

No começo do dia, um diplomata europeu ouvido pela BBC News disse que o Brasil e outros países latino-americanos estavam se negando a assinar o documento porque ele apresentava de forma negativa os biocombustíveis.

Os representantes brasileiros, no entanto, negaram que tenha havido grandes problemas em torno do debate sobre o etanol e que foi possível chegar a um texto consensual.

No encerramento do encontro, o diretor-gral da FAO, Jacques Diouf, também divulgou e confirmou a promessa de doações diferentes países e organizações para ajudar no combate à fome no mundo.

Entre os países que prometeram recursos estão nações tão distintas como Estados Unidos, Venezuela e Kuwait.